quinta-feira, junho 30

Do Amor II

Queria dizer do amor que há em mim e me sobrepujou a razão
Pois, contemplo esta cama plena da tua presença destes dias
Dias anunciados de desejos indescritíveis, uno entre milhões
A profetizar o fim dos desencontros e a chegada de carícias
Um capricho do destino contra um mundo de probabilidades
Nos fizemos voar entre nuvens, longe das mazelas do mundo
Dançamos ao som de segredos, por pontes, túneis e estradas
Com o vento a nos agitar os cabelos, partilhamos aspirações
Paramos o tempo lá fora pela janela e até o trem já silenciou
Assim pudemos comemorar na tormenta, uma taça de vinho
E ouvir da voz cítrica da chuva histórias sobre a vida veloz
Saber que basta um pedaço demasiado pequeno de carinho
Para que possamos nos salvar das quedas de surtos infinitos
Um brilho cintilante que nomeei de meu relâmpago delirante
Que é o pássaro que do alto do voo avista as sombras de nós
A ouvir ígneos gritos e risos rasgados sobre o azul dos lençóis
Um coração que bate sem pudor de estar cada dia mais vivo
Asseguro-te que o amor nega as ausências e impossibilidades
O amor muda tudo de súbito se a vida caminha para a morte
O amor é o que nos diz que poderemos usar sapato branco
Ou roupa estampada mesmo que andemos à beira do abismo

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