Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
quarta-feira, junho 28
sábado, junho 24
Vitrais
Ah, eu queria impedir a aparição de tua figura
Fechar com cadeados a tua lembrança em mim
Silenciar o teu perfume nesta teia tão confusa
Nutrir o olvido c'as exuberantes imagens tuas
Fingir que, de repente, não me roubas o fôlego
Que os teus olhos tão mansos quão profundos
Já não me fitam de soslaio, quando me distraio
Teu corpo nu, demasiado meu, tão vertiginoso
Que, por decoro não revelo, tanto me inundou
Felina, doce e incontrolável ignorando as portas
Que eu punha para negar a nossa cumplicidade
Disso tudo, agora me sinto incapaz de esquecer
Ao invés, faço, à maneira de um eco, é ressoar
Eu te multiplico, reinvento em tantos espelhos
E já que estou como um louco, que fosse feliz
Na sonoridade de tua lembrança que me toma
Dourada, marcante, por vezes, serena e ligeira
Por vezes com a profundidade de um lamento
Noutras desesperada e violenta qual o silêncio
Mas sei que falharão as tentativas silenciar-te
Pois não há como calar algo da história de nós
Que vive a buscar mais, mas jamais incompleta
E o tanto que já te quis, derramei neste poema
Onde eternamente bailará tua luz intrometida
Através dos vitrais dessa minha eterna solidão
terça-feira, junho 20
Retalhos
Há alguns dias que a inspiração se escondeu
Nesse tempo rapinado de cotidianidade nua
Nestes tempos que meus pássaros agonizam
São-me tempos em que amordaçam os anjos
A morosidade abrumada, tempos tão iguais
Renego-me a mera condição de espectador
Solto amarras vibro música, pintura, poesia
Resisto, me ergo, experimento abrir as asas
Rebelo-me aos anjos, pois que tenho a alma
Ainda que não faça da noite uma alvorada
Não me afogo com essa sede de horizontes
Essa sede de chuva em tempos de desertos
No exílio do orvalho, no alarido dos órfãos
Na sede uivante, desaguada que nos cerca
Renasço a poesia, sôpro do recreio infinito
Por libertar-me os pássaros de um desterro
O seu folguedo de asas, imaginação insone
Tece alinhavos de voo, aventura de cristal
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