The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sexta-feira, agosto 7
terça-feira, julho 28
Faço Meu Rumo do Sol
Não, as nuvens não são de algodão, alguém diz
Nem o papel onde registro o poema se faz vela
Que olvides os barquinhos de dobras, digo-lhe
Nada é como já foi um dia. A inocência partiu
Por mais que os poemas enfunem o meu velejar
E minh’alma singre as sonoras estrofes da vida
Hoje complicaram a vida abandonando fantasias
Será que te lembras um primeiro beijo roubado
O sino dominical imprimia uma última badalada
Hoje seriam assédio ou perturbação de sossego
E os cumulus de carneirinhos ao sabor da brisa
Cruzavam o manto celeste quão pacificamente
Ora gravosos vórtices das alterações climáticas
Tempestades que, impiedosas, a tudo destroem
Quem ainda recita os versos em alegres saraus?
Quem conta passos ou cores de lajotas do chão
Não sobra mais tempo para todas essas tolices
O poema resiste, mesmo sem prateados cálices
Simplesmente frugal e absolutamente imaterial
Qual um inverossímil arquipélago de resistência
Absolutamente sutil e simplesmente indomável
Um brusco tropel que invade as linhas do papel
Sim tudo mudou, não o poema oriundo da noite
E na chegada da manhã faz nuvens de algodão
Onde o poeta desenha seu próprio rumo do sol
segunda-feira, julho 27
Ainda Que Me Custe Admitir
Hoje, como de hábito, não falaremos das coisas divinas
Tampouco de coisas mundanas, poética não é para isso
Meu poema fala do sonho, das coisas que Dali fazia ver
Se há algo a mudar, não é minha culpa um mundo assim
Por isso, não me sinto responsável por guerra nenhuma
A ruína a que o mundo caminha não é por algo que fiz
Ou deixado por fazer com as minhas ideias incômodas
Tolos homens do século XXI acham que ainda poderão
Em alguns anos corrigir o que se destruiu em duzentos
Renascentismo é a eufemia para o início da destruição
Perdão, mas tenho que regar as flores nos meus sonhos
Não varro as cinzas debaixo do tapete das conveniências
Não sou algum tipo justiceiro nas horas vagas de poesia
Os donos do mundo e seus ataúdes contados um a um
Devem saber das frágeis cicatrizes dos sonhos fugazes
Se não sentes a dor é porque não lembras de ti mesmo
Eu, por mais que custe admitir, amamento a melancolia
Para nunca esquecer de onde finquei as minhas raízes
Sei que invento histórias sobre um mundo de falsidade
Contudo a verdade pode ser uma tragédia ainda maior
Troco a angústia da certeza pela inquietude da dúvida
Caminho num mundo inseguro entre ruídos e assombro
É dever de cada um amar, ser amado e morrer de amor
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