sexta-feira, agosto 28

Ela Veio Com a Névoa

A névoa invadia a cidade, apagando os contornos

Sua silhueta surgiu entre a garoa na rua deserta

Na noite fria ela rompeu a bruma com sua volúpia

Pôs o corpo serpentino fronte a mim, disse dance

Ela dançou, dançou como fogo, mas agora se foi

Foi embora e nunca mais voltou, o fogo apagou-se

Seus olhos eram como a noite, estrelas brilhantes

Sua voz suave qual um sussurro na noite chuvosa

Que fundiu brevemente nossos corpos em um só

Permaneceram sombras que não consigo alcançar
Ainda ouço um eco de sua voz chamar meu nome

Tal o nome dela resiste na ponta da minha língua

Cada palavra não dita, que nunca mais se vai dizer

Ela ficou na minha carne, está no meu pensamento

E eu a procuro a cada dia, cada nuvem, cada luz

Mas ela é um fantasma que se oculta na multidão

Será que era um sonho, seria só uma alucinação


quarta-feira, agosto 26

Aquarela do Brasil de 2026

Meu país, que ora te resta? Um trapo soçobrado

Das lutas que não lutaste. Apagou-se a tua força

Gatunos e perjuros sugam teus recursos e boa fé

Abdicaram de tua grandeza, gigante desfalecido

Atribuem mentiras odiosas àqueles que te servem

Aos mais humildes que creram nas promessas vãs

Restou a desculpa que são outros que impediram

Não fossem cumpridas – é o engano para o lucro

Não te iludas, tais vermes desejam é ocultar a luz

Para fazer-nos crer que nós que somos os fracos

Talvez sejamos se reabrirmos a porta ao demônio

Meu país, não culpes ninguém pelas tuas derrotas

A culpa é dos que, por doze anos, são desgoverno

Pois o que ora te falta, foste tu que o ofereceste

Asilaste de volta ervas daninhas e o mal floresceu

Se o fruto está podre, foi que vermes encontraram

Um propício ambiente para exercer sua corrupção

É véspera de eleição, lobos se travestem cordeiros

Vampiros cheios de ódio, travestem anjos de amor

Andamos nas ruas, não vemos nada que apregoam

Invés de luzes, trevas; de fartura, fome; de paz, dor

Ao avesso de liberdade, vemos medo em todo lado

Mãos manchadas de sangue de seus compatriotas

Vítimas por um celular, por uma corrente, um anel

Meu país, terra onde os sabiás não podem gorjear

País de uma imprensa vendida e outra manietada

Onde os tribunais escolhem as verdades a se dizer

Porém, a despeito de todas as mazelas, meu Brasil

Permito-me, poeta e sonhador, nestas singelas linhas

Com minha fé em farrapos, sustentar bons valores

E, num fio de ilusão, crer que um dia vás levantar

 


segunda-feira, agosto 24

0123 Rima Vice Versa

 

Revoada, luz apagada

Sangue pelo chão

Mas lágrimas não

Cadê as flores

Chão crestado

São tantas dores

Amor derramado

E vem a morte

Luta impotente

Mas o poema

Não é por sorte

Nem é inocente

Cheira a alfazema

Sob o céu azul

Brilhará o sol

No hemisfério sul

Todo o arrebol

Rumo ao oriente

Com toda gente

Meu grito, no infinito