The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
terça-feira, agosto 11
segunda-feira, agosto 10
De Onde Nasce a Solidão
A esta hora, a poesia não pulsa nas vitrines esquecidas
De um tempo de relógios sem ponteiros, sem conteúdo
A sede aguarda que um cântaro cego encontre a água
E entre todos esses silêncios a palavra abre um abismo
Em que a angústia é a ponte precária entre seus lados
Sou um pássaro sem rumo que voou pela noite enorme
Meu poema não canta os tratados, nem os compêndios
Canta a pulsação que existe entre meus lábios e os dela
Nas histórias que se findam com a palavra que as inicia
A solidão não germina nas ruas e sequer pelas cidades
Mas naquele ponteiro ausente que trespassa o silêncio
A solidão nasce em nosso íntimo, quando a hora passa
Meu poema não impõe a ordem ou põe a vida no prumo
Escrevo agora aquilo que no passado não foi permitido
As canções desoladas que sustam a mudez da estátua
Tu, personagem dos meus sonhos, como te queria aqui
Deitada neste peito ferido pelo punhal da tua ausência
Queria-nos caminhando descalços na areia à beira mar
Mas as taças estão vazias, largadas sobre a mesa da sala
Acendo os lampiões, sem o que não pode criar poesias
Refaço meu alfabeto, construo minhas proparoxítonas
Para te sobressaltar com os meus versos despenteados
Escrevo agora, pois posso pousar naquela janela aberta
Como se pudesse te ver surgir entre as linhas do papel
sexta-feira, agosto 7
Quando o Poeta Encontra a Estrela
Neste caminho não há retorno, ouça o vento a soprar
Vem das distâncias mais desertas onde não há curvas
Um dia desses me torno imortal; serei apenas o nome
Tomo um gole de vinho, a paixão e loucura dos sábios
A doce ventania dos que se descobrem pelo caminho
Tu és bela, és desejo, és o quanto basta para o poema
Só o coração entende essa paixão que a mente ignora
A um só tempo dor de vida e de morte na madrugada
Amanheço sobre o linho e lá fora a névoa se despede
Delirei nessa bruma, metade contexto, metade sonho
Para ir além do impossível, mais que o barco, ser o rio
Para nele navegares eternamente em toda tua nudez
E só nós cruzando a solitude dos campos de lavanda
Só tu me conheces, consegues ir além de meus muros
Onde sei fazer as flores desabrocharem em liberdade
Juntos seremos aqueles que há mil anos sonhávamos
Então me farei pérola e ficarei a noite na tua concha
Serei alegre qual menino num dia de chuva sem escola
Talvez só Deus entenda, dormir a olhar a uma estrela
E ao acordar ela ainda estar encantadora e sorrindo
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