The Writer Within the Wizard
Se escrever é fazer mágica, sou um mago; se for transformar, sou alquimista; se for dominar mistérios, então sou bruxo. Vim transmutar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento quiser levar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
quarta-feira, abril 8
segunda-feira, março 23
O Encontro da Poesia e o Surreal
O poeta levantando numa esquina antigaA palavra por um fio, dissolvida no versoCristalina, desnuda de antagônicos usosE n’um trago alcoólico para esquentar-seCospe um sabor acre de dúvidas penosasPor respostas torturadas e ensurdecidasOlhos fechados para não hesitar e cantaMeu poema não se subordina a contextosDe empoeirados compêndios dissonantesEivados de mil edificações sintagmáticasNem se dissipa pelos dilemas do cotidianoOu no absurdo especulativo dos eruditosO poema surrealista, tão incompreensívelAos que escandem a estrofe
penduradaNuma argola, se abstraem de toda ironiaAmalgamada com o vazio das
entrelinhasPrescindindo, precocemente da verdadeE profundidade que o inesperado causaO poeta azevieiro ignora erros e triunfosIgualmente deletérios, que a
estrada trazAltivo, supera fadiga, sustos e as vigíliasCônscio que desta vida de empréstimoNada se leva senão o amor que se viveu
sexta-feira, março 20
No céu, à minha revelia
O amanhecer demorou a me encontrar na noite escura
São anos
viajando pelas veredas noctívagas no silêncio
Identifico uma voz, dentre as inúmeras
vozes que ouço
E assim te
descobri, mas teu nome faço exato segredo
Então neste
poema, por razões que só a ele competem
Ao falar de ti, falo em parábolas, tua geografia tão-só
Teu corpo
esguio, teus seios fartos e as pernas roliças
Ainda nos vejo
n’outros tempos, dançando ao espelho
Na vitrola
toca um disco do B.B. King com sua Lucille
Rostos colados
e sussurros insidiosos ao pé do ouvido
Hoje os meus joelhos não acompanhariam os teus ágeis
Mas não há porque preocupar, de fato, não estás
aqui
És apenas uma ideia que se prolifera qual estalactites
Um sonhar de tempos idos, nos sonhos tudo podemos
Podemos girar
os quadris enquanto Chuck Berry toca
Apesar disso és tão verdadeira quando seguro tua
mão
E quando olho nos teus olhos para não perder o ritmo
Teus cabelos balançam, como usual em setenta e sete
Só migalhas nas memórias do tempo que não volta mais
Foi dessas
razões que este é um poema só meu, só teu
Quem ousaria crer, ver-te bem sabendo não estás aqui
Nenhuma reprimenda ou juízo por ires à minha revelia
segunda-feira, março 16
¿Por que é tudo assim?
Gravei teu nomeNo sótão da memóriaVelhas tábuasRabisquei letra a letraE ninguém percebeuMeu sangue em chamasIncêndio ao ventoGravei teus passosNo portão da memóriaQue abro e fechoA tua imagem passarE ninguém deu contaTormenta de minh’almaVai ladeira abaixoGravei teus beijosNa boca da memóriaO sabor de hortelãTua língua irrequietaE ninguém entendeuMeu peito desertoO sol dos meio-diasO destino da ilusãoÉ morrer de amor
sábado, março 14
Viagem pelo Zodíaco
Minha mente como nave se arremessa sobre o zero
Dois ponteiros
redançam sobre o círculo das horas
E o coração em
sua ambivalência, bate tresloucado
Nesse telúrico
contexto o tempo-espaço se amiúda
Eu, barro feito homem viajo nesta inefável jornada
Dentro de mim um universo a pulsar e transcender
Busco sob o
véu noturno as estrelas descortinarem
Há milhares de milhões em ordem sem discrepância
Assinalo seus imutáveis trânsitos, horas após horas
Lá está Taurus e sua cintilo-brilhante estrela alfa
Sinto sua energia na extensão da tangente infinita
Ouço o chamado qual o sino que na cumieira bate
São velhas memórias
fixadas nesse tropel longínquo
Quando o pássaro se lança ao ar, rumo à infinitude
Projeta-se o pensamento, núcleo deste eu-universo
E já não é tão-só contemplação, é lúcida interação
Misturam-se imagens e sentidos a luz não é só a luz
Qual feiticeiro, o inconsciente mergulha no futuro
Astros e
signos, energia para dizer “que se faça luz”
quinta-feira, março 12
O Não Paradoxo
Dias e dias aforaTão longa a estradaA distância encurtaÉ no silêncio brutoQue tua voz ecoaÉ na noite sem luarQue brilham estrelasQuanto mais te calesTão mais que dizesQuanto mais revelasMais o segredo fluiQuanto mais ocultasMais mostras de ti Quanto mais fogesMais te encontroQuanto mais me amas Mais te amo também
Quanto mais me amas
Uma Chance ao Passado
Terá o mundo outra chance depois do que lhe fazemos
Teremos outra
vida depois desta vida, tão vilipendiada
Tudo começar da
infância, lá longe, em estradas barro
Cabelos fartos, corpos esguios a saltar pedra em pedra
Neve da qual
as crianças farão bonecos, tão efêmeros
Qual foi efêmera esta passagem descuidada pela terra
Eivada de
ausências, mais de adeuses que de chegadas
Aprenderão
nossos olhos, não serem então forasteiros
Assim
enxergarem que todas cores são de humanidade
Olhar o
próximo sem sobressaltos, sem qualquer temor
E saberemos
falar numa só língua sem construir babéis
Elaborada
acima dos olvidos, de terem ouvidos ou não
Mesmo que o mundo seja outro, de menos crepúsculos
Onde seja
sempre alvorada, passadas horas e anoitecer
Onde meu poema seria sem
angústias, sem melancolias
Seria ainda flor, contudo liberto de todos os espinhos
Será que tu lá
estarias, assim como estivestes por aqui
Tua pele macia, expressão cintilante e caminhar airoso
Teu olhar e a risada franca, serias ainda assim a mesma
E de tudo que mudar, que não
mude meu amor por ti
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