The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
terça-feira, outubro 13
sexta-feira, outubro 9
O Mundo Segundo o Poeta
Como amo o revoar das pombas
ao soar o campanário
As andorinhas que bailam entre as árvores nas praças
São algumas mais caras memórias da infância distante
Imagens que restaram de uma recôndita época inigual
Contudo a infância se foi, escrita nos fólios d’antanho
Nas entranhas
de minha cabeça vive um outro de mim
Tal aquele,
que no tablado, desenha flores à multidão
E assim sonhar, como fora eu mesmo, palavras de papel
O sonho é o invólucro da realidade onde tudo é lícito
Não fosse eu um poeta, dir-me-iam ter
perdido o juízo
Qual a Bilac em seus diálogos estelares, amar justifica
Da pele da maçã rosada à pele tépida da amada, viajo
Esqueço a métrica, a dureza eclética das consoantes
Transformo meu mundo por um par de olhos castanhos
Uma via-láctea
que independe de ser noite para brilhar
Em mim, nestes últimos anos, canta uma nova
canção
Sinto-lhe o hálito perfumado, lábios rosados e macios
Porém, se escrever é o meu
mal, é também minha cura
Uma parte mística, outra material,
devotada e surreal
Alheia às considerações, ciente dos defeitos e limites
Ergo os olhos às plêiades,
satisfeito, desloco a mirada
Ao poeta o infinito
é agora e o universo é mesmo aqui
quarta-feira, outubro 7
Lista de Desejos
Ah, como eu desejara ter podido cantar sob as estrelas
Mas ervas daninhas encobrem a parte estrelada do céu
E o escuro me
emudece as palavras como uma mordaça
Então o silêncio invade todos os espaços da madrugada
Quisera me desgarrar de certos ícones, falar nas sombras
Ignorar as
nuvens cinzentas que carregam frio e chuvas
Porém meus
olhos também se fazem nublados e frívolos
Como duas luas
fora de órbita a flutuarem pelo espaço
Ah, como eu
gostaria de poder ser tantas outras coisas
Que este poeta
de raízes profundas num solo tão árido
E dizer palavras menos trágicas que floresçam faceiras
Em meio aos silêncios não essenciais e relógios exaustos
Quisera que as coisas fossem como
elas realmente são
Despidas de
máscaras, apólogos que lhes assintam valor
Tenho comigo o
caderno onde conspiram poesias cruas
Como um
incunábulo destroçado onde deposito versos
Ah, como eu gostaria que vissem poesia em coisas simples
Grãos de poeira foliando na fresta de sol que vem da janela
Para irem se assentar visivelmente na mobília à
minha volta
Mas o que era alegria, será removido ao passar de pano
Um suspiro enfadado lembra que as noites
não são fáceis
A vizinha que, detrás das persianas, observa meu quarto
O ar lá fora não move nenhuma folha, tampouco a insônia
A poesia não se escreve sem metáforas, ao prisma da razão
segunda-feira, outubro 5
Sobre Sombras e Memórias
Setembro era o nome da cor de sua pele
cálida
Outono era o som calmo de sua provocante voz
Ora, outono em setembro, é preciso dizer
mais
Às vezes é preciso nadar tanto, quando se
pensa
Até adormecer, penso tanto nela todos os
anos
Às vezes até choro, quando me
vêm essas cenas
De maldade, sem olhar para baixo fecho os olhos
Há milhares de sombras, anos de difícil
respirar
Vou voar e respirar, te procurar por um fio, sabe
Sei que sabes que ainda teimo
em viver, perdoe
Queria muito saber dela, ao
invés de só imaginar
Quando o mar exibe suas ondas, espumas brancas
Como eu, passa num instante da
calma à revolta
As horas são segundos e as aranhas
fazem teias
Não uso mais aquelas roupas
que reconhecerias
Olho as paredes de casa, parece que vejo melhor
Aquelas fotos que já estavam quase esmaecendo
Os papéis escritos espalhados pela
escrivaninha
Em franca desordem, falam sem deixar o silêncio
Mas não mais, não agora, apenas
silêncios tristes
Penso nela, por vezes é noite, queria ainda saber
Como é poder rir, sem notar o tempo
que passa
Ríamos junto fazendo miquices frente ao
espelho
Detrás d’um copo que
insiste em não se esvaziar
Acho que o anjo da morte tinha as asas
cansadas
Não foi então uma escolha quando caiu sobre
ela
O anjo, acho, olvidou que prometera seria
eterno
E assim, numa irreverência, decidiu levá-la de mim
sábado, setembro 26
Para te Rever no Céu
O sopro da saudadeFere o peito em corAntigas lembrançasTodas preto e brancoE o que eram floresHoje são só espinhosPaixões descartadasPelos becos escurosLembranças esmaecidasSob as nuvens de chuvaSobre as nuvens, o solPara chegar a noiteBasta fechar os olhosNão, não são lágrimasÉ só areia nos olhosMas não se preocupeSe é certo ou erradoNa verdade estou sóAinda que tua imagemSe infiltre sutilmenteAté me faça sonharQue ainda estás aquiO tempo não retornaVou abrir minhas asasE partir rumo ao céuE poder te ver enfim
sexta-feira, setembro 25
Da Inutilidade das Palavras
Entre um olhar e o infinito algo supernaturalA noite deixa pelo dia seus vestígios
na carneA chuva que cai é para preparar a primaveraUma energia que flui, material, concreta,
friaBem diferente daquela que corre pelos cabosDas fábricas que deixam sua fumaça, enormeUma fumarola tenaz, proveniente dos asfaltosA névoa da noite, vem entremear os sussurrosQue conservam seu fluxo qual as águas do rioA água e as palavras, versos vêm aos pedaçosMurmurando, esgueirando-se entre as
margensE as palavras interligam-se no vapor das
bocasImpulso que se buscam, num silêncio frenéticoPara que linguagem, fraseio, trama de locuçõesSe corpos eloquentes dançam sobre os lençóisE são a um só tempo léxico, oração e incêndioUma corrente que reúne polos tão antagônicosPara ser uma estrela cadente sob a tempestadeO que muitos imaginariam o fim é só o
infinito
terça-feira, setembro 22
A Poesia, O Poeta e o Náufrago
A poesia é meu vício diário, não
é segredo que leio Keats
De um salto no passado e na diferença de nossos
idiomas
Para a
cadência de sua poesia fincada no amor romântico
Porque um
poeta surrealista iria ler outro ultra romântico
Pois se minha linha desconsolada é mais afeita a Dos Anjos
O que encontraria guarida em Keats? Tolice, o amor é uno
Uno com o sofrimento, pois só sofre quem já amou muito
Na equação de amor versus desejo, há um quê de ilusões
E onde há ilusão, estão as dobras endurecidas da desilusão
Tanto mais quando ainda se mescla a realidade com o sonho
Nessa geografia improvável estão a solidão e dor seculares
Nessa ânsia de nos desnudar, não o físico, mas em espírito
Revelando o
que há de mais profundo, menos nas palavras
Mas no gesto
que brota sem consentimento de nossa mão
Quando o toque percorre toda a extensão do corpo amado
Que não permite se diga inverdades, só entrega e doação
Descobrindo
que amar é muito mais que declarar-se amor
É uma conexão afora da física, integrando dois espíritos
Imaginar tal conexão perpétua, é abrir as portas do sofrer
Vinicius disse
que amor deve ser “infinito enquanto dure”
Todavia ressalva que é fugaz como é a chama que se vai
O segredo é se
sentir pleno mesmo que só por um minuto
O poema guarda uma semelhança na equação com o amor
Ao menos na vontade,
na ânsia, assemelha a um náufrago
Espero ela encontre
um dia numa garrafa, esta mensagem
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