The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sábado, setembro 12
quinta-feira, setembro 3
Memorial Da Senda de Outrora
Na minha memória bailam os vastos caminhos que percorri
Não é difícil visualizar as veredas onde caminhei descalço
Sinto a presença de flores que se desintegraram no campo
Contudo seus perfumes persistem a habitar-me as narinas
Recordo do rubro-ocre dos telhados à volta da esplanada
Antigas casas que nem o tempo se incumbiu a transformar
Casas humildes, cheias de fotos esmaecidas pelas paredes
Antes de entrar na cidade, avista-se ao longe o campanário
Que ao badalar promovia a revoada de pombas assustadas
Os sinos compassados eram um apelo inegável aos domingos
O murmurar das chuvas sobre os zincos não quer silenciar
Um diálogo de magia que me conduz às pontes sobre o rio
Percorro distraído as ruas e praças com seus mercadores
Um grupo finge ser cavaleiros com suas armaduras de lata
Leva-me a outro tempo, uma velha capital do renascimento
Tomo um gole de vinho tinto seco de uma mesa do cenário
Sigo vagando, o céu se incendeia ao pôr do sol no horizonte
A noite pede passagem, suave, para se impor no firmamento
Onde brevemente explodirão milhares de estrelas piscantes
Segue-se a madrugada e chego às areis mornas da beira-mar
Olho o mar na sua profundeza, imagino vindo as velhas naus
Seus canhões ociosos, os remos imóveis, velames serenados
A maré traz lascas de naufrágios, da imponência de outrora
De volta às montanhas verdejantes, observo a velha bruxa
Trazendo consigo o cadinho, macerando ranzinza a poção
Que me devolve à realidade, sobre as pedras pisadas da vida
sexta-feira, agosto 28
Ela Veio Com a Névoa
A névoa invadia a cidade, apagando os contornos
Sua silhueta surgiu entre a garoa na rua deserta
Na noite fria ela rompeu a bruma com sua volúpia
Pôs o corpo serpentino fronte a mim, disse dance
Ela dançou, dançou como fogo, mas agora se foi
Foi embora e nunca mais voltou, o fogo apagou-se
Seus olhos eram como a noite, estrelas brilhantes
Sua voz suave qual um sussurro na noite chuvosa
Que fundiu brevemente nossos corpos em um só
Permaneceram
sombras que não consigo alcançar
Ainda ouço um eco de sua voz chamar meu nome
Tal o nome dela resiste na ponta da minha língua
Cada palavra não dita, que nunca mais se vai dizer
Ela ficou na minha carne, está no meu pensamento
E eu a procuro a cada dia, cada nuvem, cada luz
Mas ela é um fantasma que se oculta na multidão
Será que era um sonho, seria só uma alucinação
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