The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
quinta-feira, julho 16
terça-feira, julho 14
Depois da Tempestade
Acendo uma lamparina com a qual abdico desta escuridão
Meus olhos já adquiriam a redondez dos olhares de felinos
Já posso ver qual face da moeda lançada no cara ou coroa
Que jogamos a disputar nossa nudez, entre taças ora vazias
Minha visão se estende e vai arranhando os cantos escuros
Nem de fósforo, nem lamparina. Reconheço tua respiração
Nem precisaria disso, sempre senti teu corpo junto ao meu
Recordo que antes da tormenta vieste bater à minha porta
Teu hálito sobre o travesseiro, o teu calor sobre meu corpo
Estiveste aqui, livre para ir e ficamos a essa frágil distância
Que a madrugada nos fez transpor tantas vezes em abraço
Para estar dentro de ti, enquanto a chuva açoitava lá fora
A luz tão só me confirma a memória de teu semblante feliz
Tão próximo que nossas bocas, se confundiram em uma só
Nem me importa o mistério da tua chegada, mas tua vinda
Foi como um porto seguro em meio a toda essa tempestade
Enquanto os raios triscavam o céu, aqui o real era tu e eu
Confesso que cheguei a temer não estares ao chegar o dia
Mas a aurora chega é tanta paz que voltamos a fazer amor
Para completar nosso mistério e sentir o esplendor da vida
Fazer que nossas vozes jamais virão se quedarem ausentes
Que a verdade se faça penetrar em todas nossas palavras
E mesmo depois da tempestade saibas quem sou e quem és
sexta-feira, julho 3
Outono ao Sul do Equador
Um mar, outro lado da linha do equador
A noite que te oculta é o sol que me luze
Mas que não o vês desse lado do oceano
Estás tão distante o mundo é tão grande
Aquele tom violeta nos céus vespertinos
A dizer que é a noite que aqui se chega
A tormenta já se foi, as nuvens calaram
De que adianta se não te tenho comigo
A vela branca corta a visão no horizonte
Vai, norte a sul, quão ligeira e silenciosa
Na embocadura do canal, a garça pousa
Igualmente silente, também a olhar o mar
Sob este sol, sou a singela figura solitária
E o amargor se me esconde nas entranhas
Que revela a imagem de homem cansado
Ensimesmado com lembranças d’antanho
Só o sol deveria brilhar neste país tropical
Mas eu nasci no limite d’um maio outonal
Ao sul do equador onde houvera palmeirais
Sou só os escombros de um ser angustiado
Que contende uma guerra em seu interior
E o silêncio de tua lembrança toma espaço
Do colorido de pássaros que já esmaeceu
A velha casa hoje está vazia, a noite se foi
Adeus ondas, adeus palmeirais, brisa do mar
Sem cessar essa dor, o poema é ponto final
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