The Writer Within the Wizard
Se escrever é fazer mágica, sou um mago; se for transformar, sou alquimista; se for dominar mistérios, então sou bruxo. Vim transmutar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento quiser levar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
segunda-feira, março 16
sábado, março 14
Viagem pelo Zodíaco
Minha mente como nave se arremessa sobre o zero
Dois ponteiros
redançam sobre o círculo das horas
E o coração em
sua ambivalência, bate tresloucado
Nesse telúrico
contexto o tempo-espaço se amiúda
Eu, barro feito homem viajo nesta inefável jornada
Dentro de mim um universo a pulsar e transcender
Busco sob o
véu noturno as estrelas descortinarem
Há milhares de milhões em ordem sem discrepância
Assinalo seus imutáveis trânsitos, horas após horas
Lá está Taurus e sua cintilo-brilhante estrela alfa
Sinto sua energia na extensão da tangente infinita
Ouço o chamado qual o sino que na cumieira bate
São velhas memórias
fixadas nesse tropel longínquo
Quando o pássaro se lança ao ar, rumo à infinitude
Projeta-se o pensamento, núcleo deste eu-universo
E já não é tão-só contemplação, é lúcida interação
Misturam-se imagens e sentidos a luz não é só a luz
Qual feiticeiro, o inconsciente mergulha no futuro
Astros e
signos, energia para dizer “que se faça luz”
quinta-feira, março 12
O Não Paradoxo
Dias e dias aforaTão longa a estradaA distância encurtaÉ no silêncio brutoQue tua voz ecoaÉ na noite sem luarQue brilham estrelasQuanto mais te calesTão mais que dizesQuanto mais revelasMais o segredo fluiQuanto mais ocultasMais mostras de ti Quanto mais fogesMais te encontroQuanto mais me amas Mais te amo também
Quanto mais me amas
Uma Chance ao Passado
Terá o mundo outra chance depois do que lhe fazemos
Teremos outra
vida depois desta vida, tão vilipendiada
Tudo começar da
infância, lá longe, em estradas barro
Cabelos fartos, corpos esguios a saltar pedra em pedra
Neve da qual
as crianças farão bonecos, tão efêmeros
Qual foi efêmera esta passagem descuidada pela terra
Eivada de
ausências, mais de adeuses que de chegadas
Aprenderão
nossos olhos, não serem então forasteiros
Assim
enxergarem que todas cores são de humanidade
Olhar o
próximo sem sobressaltos, sem qualquer temor
E saberemos
falar numa só língua sem construir babéis
Elaborada
acima dos olvidos, de terem ouvidos ou não
Mesmo que o mundo seja outro, de menos crepúsculos
Onde seja
sempre alvorada, passadas horas e anoitecer
Onde meu poema seria sem
angústias, sem melancolias
Seria ainda flor, contudo liberto de todos os espinhos
Será que tu lá
estarias, assim como estivestes por aqui
Tua pele macia, expressão cintilante e caminhar airoso
Teu olhar e a risada franca, serias ainda assim a mesma
E de tudo que mudar, que não
mude meu amor por ti
sábado, março 7
Excertos d'uma Loucura Intrínseca
Meus manuscritos eu
os escondo sob o crepúsculo vespertino
Só os abro noite alta,
para assombro dos que não me aprovam
Nessa hora olho aos
céus e sob a luz intensa do véu de ozônio
Mergulho
nesse amplo vazio, meio a todas estrelas cintilantes
Que
parecem ampliar o céu sobre as pedras surradas do cais
Esquivo-me de túneis
do desassossego, rumo ao vértice diário
Esquivo
da agitação diurna da cidade, de hordas
decadentes
Meu tempo é qual nos filmes, corre num tipo de
câmera lenta
Alheio
a qualquer sucesso, fujo da mirada das
bocas ciciosas
Que têm o dedo em
riste, mas suas casas se trajam de
pobreza
Caminham
sob o sol escaldante onde já não voam as
cotovias
Ao dia eles vêm se manifestar, mas na noite nublada se calam
Finjo
que os desconheço, se acham reis, mas não têm súditos
Faço
os versos tal qual a mescla de tempestades e de sonhos
Frutos
d’uma vida ligeira, semeados na minha loucura intrínseca
Brotando
rubra entre as carícias, que só
a madrugada possui
Enquanto
espero o raiar do dia que ‘los güises’ já anunciaram
Meu
poema é chama
sólida, em meio à festa assídua do pensar
Que
eleva meus
altissonantes diálogos de criaturas noturnas
Na
infindável busca
da palavra perfeita a versos imperfeitos
Escondi meus manuscritos, voláteis, desses meus
repressores
Quando
despontar o sol candente nestas
longitudes zenitais
É
hora de pousar meus pássaros entre
as árvores de quimera
E
o poeta,
arlequim ou pensador, rabisca as últimas estrofes
Vendo-se pássaro
pousado na janela fosse ninho, não vidraça
terça-feira, março 3
A Genealogia da Palavra
Há quem queira dizer que palavras sejam iguais a um fato
A palavra pode ser o instrumento para descrever os fatos
Mas a pura verdade é que palavra não se converte nestes
Tudo o que se diga, instrumentalizado pela boca e língua
Em alento e tom, tudo que se possa escrever com a tinta
De que cor seja, azul ou negra ou em sangue é tudo pífio
Posso descrever o rosto de um homem à morte, seu rosto
Lívido, a boca
escancarada, sua dentadura mal encaixada
Queixo caído sobre
o peito, olhos vidrados ao céu, pasmo
Enquanto já se ouve à distância o resgate no som da sirene
Que palavra em tinta é a verdade da partida
ou da salvação
Poderia descrever como faço amor, no recôndito da noite
Como minhas mãos avançam sobre suas curvas, suavemente
As polpas dos dedos a percorrer seu corpo quente e úmido
Como improviso para aproximar minha boca dos seus lábios
Toda palavra não será a volúpia, nem tampouco será prazer
Nas máquinas de escrever há tão-só letras, não há palavras
Signos que fazemos converter-se em sons, articuladamente
Palavras são palavras que pesam o mesmo quando digo amor
Ou quando digo da bomba de 50 megatons sobre
Hiroshima
Sentir é quando nos desnudamos e revolvemos sobre a cama
Teus mamilos eretos e pernas abertas qual portas ao
mundo
Mas não sei d’uma palavra que estanque o
tempo sobre nós
sábado, fevereiro 28
A Reinvenção do Mundo
Ontem sonhei e lembro reinventar o mundo só
para ti
Ocupas-me a memória tal hera ocupa muros no jardim
Um jardim onde quer eu olhe, vejo tua imagem a sorrir
Pois no mundo que inventei não há mentira ou maldade
Sequer há invernos e todas as estações são inventadas
Lá u’a andorinha solitária faz os verões mais
candentes
Pérola de meu sonho oculto iluminaste a
minha razão
Inventei tu e
eu a caminhar pelo campo na noite de lua
Só para admirar teu corpo de infindos vales e colinas
Foi somente pra nós que criei esse mundo todo novo
Onde as folhas
das árvores farfalham à brisa da tarde
E, caídas pelo
chão do parque, voam em redemoinhos
Da cabana à beira do lago, a fumaça branca vai ao céu
Junta-se em grupo e forma brancas nuvens ao meio-dia
No meu mundo tudo lembra de ti, nem carece
inventar
Caminhei até as cascatas douradas como teus cabelos
Colhi pra ti, um efêmero
buque de narcisos vermelhos
Retorno à cidade e todas calçadas ecoam
teus passos
Eles pisam na
minha direção, meus braços te esperam
Para te acolher,
se o céu em véu negro negar estrelas
E se mesmo o luar, por pura inveja de ti, não aparecer
Aqui não há
guerra, desamor, nuvens de tempestade
Meu mundo não chove, caem lágrimas felizes de te ver
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