The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
terça-feira, setembro 15
segunda-feira, setembro 14
Para Ser Dono dos Caminhos
A sombra assoma meus olhos, solidão desabitada pelas estrelas
A imagem da amada permanece na lembrança entre assombros
Os cães ladram na distância, tão longa quanto o primeiro beijo
O mundo cotidiano é amargo, a jornada dói neste peito ferido
Como as papoulas feridas no crepúsculo dos ventos invernais
Queria ser o pássaro que se esquiva dos cadeados dos tempos
O conhecimento é uma herança profusa de espinhos selvagens
E assim sigo de memória em memória a me queimar por dentro
Fazendo-me renovado a cada entrega, quando o céu fica azul
Derramando as tintas sobre o papel sem orgulhos ou
soberba
Meu poema é o que nomeia, o que me faz acreditar na beleza
Como uma singela dança de borboletas ao amanhecer na relva
Remanesce no
sonho uma mescla rara de teu cantar ancestral
Qual a voz dos anjos na brisa esquiva pelas árvores do bosque
Enquanto a aurora se aproxima lenta para evaporar o orvalho
Antes que o sol se anuncie para dissolver a névoa dos ninhos
Escrevo para me lançar em voos maiores, adquirindo a noção
De como fazer espirais pelo céu, poder mergulhar nas nuvens
Pois quero crer não estou sozinho nos subterrâneos da noite
Escrevo meu livro dos dias, meu próprio caminho das pedras
Tenho um presságio que voltarei a te encontrar pelas veredas
Para chegarmos num lugar que o tempo não valha uma moeda
E cada segundo ao teu lado demore uma eternidade a passar
sábado, setembro 12
O Silêncio Imita a Inverdade
Compreendam-me bem claro, o poeta não caiu das nuvens
Estamos na época da física nuclear e o poema segue vivo
Vão-se muitos séculos desde a Grécia, onde eram deuses
Ora que a camada de ozônio se esvaiu, são tempos outros
Tempos que não há ídolos, apenas vocábulos intencionais
Invadidos pelos e-books que desnudam os livros em papel
Proibições de antemão quando se queria uma poesia nova
O poeta é o homem cotidiano, no bar, na rua, nas praças
Agora, lavram as terras alheias, têm filhos que os renegam
Preferem ser corretores da bolsa, políticos ou algo assim
Daí que eu não escrevo por demanda a quem pague mais
Não tenho intento de iludir ninguém, o verso é abstrato
Não para as cadeiras acadêmicas, ao certo, diriam alguns
Mas esses sofrem é de silêncio, não porque falte a palavra
Porém falta a ideia que a respalde, qual espelhos sem aço
Não vim ditar moda, mas quero ser o reflexo desta época
Escrever poemas de rebeldia, para violar os equivocados
Para eludir o sujo e o caótico, refugiados das inverdades
Para ser poeta bem adaptado a este país, carecia mudanças
Gostar do som de pandeiros, entanto prefiro as guitarras
Quero ver os bosques vivos e não as árvores derrubadas
Imaginar a vinda da primavera, mas o inverno vive em mim
Caminho até a esquina e as sombras enlaçam em meus pés
Admiro a noite, a inquietude que se envolve em seu negror
Que ninguém a pode explicar e tampouco se pode possuir
Recosto-me e vejo a noite se instalar, o vento é um abrigo
Os faróis estão acesos, sei que olhos repentinos observam
Antoine um dia disse que se vê bem com os olhos da alma
Talvez se eu tivesse um quê dessa ingenuidade irrequieta
Eu seria menos irascível, contudo, sou sentimento bruto
Sou o aço que não se submete à bigorna nem à lapidação
Caminho entre os transeuntes tão iguais, tão previsíveis
Assim se definiu desde o tempo que antecedeu a criação
O poeta é aquele que descobriu a importância de existir
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