The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sexta-feira, agosto 14
terça-feira, agosto 11
Cinco Décadas de Poesia
Meu corpo triste e cansado não nega estrada
Dentro de mim há uma correnteza irresistível
Torrente que me conduz para qualquer lugar
Esgueirando-me entre as pedras e corredeiras
Encontrei os caminhos nos campos de trigais
A bússola de toda uma existência de rebeldia
Em minha pele há cicatrizes de alguns adeuses
Também tatuei risos, olhares e entardeceres
Tantas vezes encontrei o amor e tantas parti
Outras vezes embarquei no trem das ilusões
Tudo tão transparente, quão imprescindível
Nunca me entreguei ao álcool e aos inimigos
Correm em minhas veias uns poemas cotidianos
O cigarro que nunca fumei, no final do amor
Por todas vezes quais não arqueei a espinha
Qual o pássaro, que caído, não deixou de voar
O poema é o que escapou de algum resquício
De alguma dor antiga que já caminha ao final
Que ao contrário de transporta-la na carteira
Eu faço é saudar o privilégio de ser eu mesmo
Tratei o perigo como algum utensílio de casa
As facas ou os ponteiros esses dois farsantes
Dos quais, nunca fiz esforço em me esquivar
Forjaram minha verve de poeta e o meu verso
Cinco décadas e o amor ainda é alumbramento
Despido, selvagem, é assim que sigo a escrever
segunda-feira, agosto 10
De Onde Nasce a Solidão
A esta hora, a poesia não pulsa nas vitrines esquecidas
De um tempo de relógios sem ponteiros, sem conteúdo
A sede aguarda que um cântaro cego encontre a água
E entre todos esses silêncios a palavra abre um abismo
Em que a angústia é a ponte precária entre seus lados
Sou um pássaro sem rumo que voou pela noite enorme
Meu poema não canta os tratados, nem os compêndios
Canta a pulsação que existe entre meus lábios e os dela
Nas histórias que se findam com a palavra que as inicia
A solidão não germina nas ruas e sequer pelas cidades
Mas naquele ponteiro ausente que trespassa o silêncio
A solidão nasce em nosso íntimo, quando a hora passa
Meu poema não impõe a ordem ou põe a vida no prumo
Escrevo agora aquilo que no passado não foi permitido
As canções desoladas que sustam a mudez da estátua
Tu, personagem dos meus sonhos, como te queria aqui
Deitada neste peito ferido pelo punhal da tua ausência
Queria-nos caminhando descalços na areia à beira mar
Mas as taças estão vazias, largadas sobre a mesa da sala
Acendo os lampiões, sem o que não pode criar poesias
Refaço meu alfabeto, construo minhas proparoxítonas
Para te sobressaltar com os meus versos despenteados
Escrevo agora, pois posso pousar naquela janela aberta
Como se pudesse te ver surgir entre as linhas do papel
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