The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
terça-feira, julho 14
sexta-feira, julho 3
Outono ao Sul do Equador
Um mar, outro lado da linha do equador
A noite que te oculta é o sol que me luze
Mas que não o vês desse lado do oceano
Estás tão distante o mundo é tão grande
Aquele tom violeta nos céus vespertinos
A dizer que é a noite que aqui se chega
A tormenta já se foi, as nuvens calaram
De que adianta se não te tenho comigo
A vela branca corta a visão no horizonte
Vai, norte a sul, quão ligeira e silenciosa
Na embocadura do canal, a garça pousa
Igualmente silente, também a olhar o mar
Sob este sol, sou a singela figura solitária
E o amargor se me esconde nas entranhas
Que revela a imagem de homem cansado
Ensimesmado com lembranças d’antanho
Só o sol deveria brilhar neste país tropical
Mas eu nasci no limite d’um maio outonal
Ao sul do equador onde houvera palmeirais
Sou só os escombros de um ser angustiado
Que contende uma guerra em seu interior
E o silêncio de tua lembrança toma espaço
Do colorido de pássaros que já esmaeceu
A velha casa hoje está vazia, a noite se foi
Adeus ondas, adeus palmeirais, brisa do mar
Sem cessar essa dor, o poema é ponto final
terça-feira, junho 30
Pelas esquinas da noite
Pelos espaços da noite, encravados de estrelas cintilantes
Num céu violeta a cidade é uma torre estática, muda, nua
Entre os gemidos e sussurros que vêm não se sabe de onde
Talvez donzelas de entalhada virgindade a cantar cânticos
Em seu cantar estranho parece uma vigília, uma procissão
A vida perdeu um quê da consciência do que a vida já foi
Rostos, rubor e timidez, mares de gente acelerada que vai
As roupas nos varais, bailando aos ventos, esperam o verão
A navegar na brancura das ondas desses mares de sonhos
Impende partir bem antes da chegada de cruas incertezas
Do outono das pétalas caídas, dos pavores do frio futuro
A cada esquina irregular onde vivem os senhores da noite
A olhar a rua com seus olhos negros debruçados na janela
Detrás de suas faces macilentas, estão sempre à espreita
O gato preto mia sobre o muro, ouço passos pela calçada
Amarrei um laço de fita gris pelas ruas desertas da cidade
Marquei tua passagem pelos meus dias para nunca olvidar
Os cabelos esvoaçantes, olhos amendoados e a boca rubi
Teu sorriso e o perfume que me trazia na brisa vespertina
Continuo gravitando na tua ausência nesta órbita amarga
São coisas que tive ouvido, mas finjo não haver escutado
Os dias se amontoam uns sobre outros no calendário azul
Fecho as pálpebras e toda quimera segue o rastro do vento
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