The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sexta-feira, outubro 9
quarta-feira, outubro 7
Lista de Desejos
Ah, como eu desejara ter podido cantar sob as estrelas
Mas ervas daninhas encobrem a parte estrelada do céu
E o escuro me
emudece as palavras como uma mordaça
Então o silêncio invade todos os espaços da madrugada
Quisera me desgarrar de certos ícones, falar nas sombras
Ignorar as
nuvens cinzentas que carregam frio e chuvas
Porém meus
olhos também se fazem nublados e frívolos
Como duas luas
fora de órbita a flutuarem pelo espaço
Ah, como eu
gostaria de poder ser tantas outras coisas
Que este poeta
de raízes profundas num solo tão árido
E dizer palavras menos trágicas que floresçam faceiras
Em meio aos silêncios não essenciais e relógios exaustos
Quisera que as coisas fossem como
elas realmente são
Despidas de
máscaras, apólogos que lhes assintam valor
Tenho comigo o
caderno onde conspiram poesias cruas
Como um
incunábulo destroçado onde deposito versos
Ah, como eu gostaria que vissem poesia em coisas simples
Grãos de poeira foliando na fresta de sol que vem da janela
Para irem se assentar visivelmente na mobília à
minha volta
Mas o que era alegria, será removido ao passar de pano
Um suspiro enfadado lembra que as noites
não são fáceis
A vizinha que, detrás das persianas, observa meu quarto
O ar lá fora não move nenhuma folha, tampouco a insônia
A poesia não se escreve sem metáforas, ao prisma da razão
segunda-feira, outubro 5
Sobre Sombras e Memórias
Setembro era o nome da cor de sua pele
cálida
Outono era o som calmo de sua provocante voz
Ora, outono em setembro, é preciso dizer
mais
Às vezes é preciso nadar tanto, quando se
pensa
Até adormecer, penso tanto nela todos os
anos
Às vezes até choro, quando me
vêm essas cenas
De maldade, sem olhar para baixo fecho os olhos
Há milhares de sombras, anos de difícil
respirar
Vou voar e respirar, te procurar por um fio, sabe
Sei que sabes que ainda teimo
em viver, perdoe
Queria muito saber dela, ao
invés de só imaginar
Quando o mar exibe suas ondas, espumas brancas
Como eu, passa num instante da
calma à revolta
As horas são segundos e as aranhas
fazem teias
Não uso mais aquelas roupas
que reconhecerias
Olho as paredes de casa, parece que vejo melhor
Aquelas fotos que já estavam quase esmaecendo
Os papéis escritos espalhados pela
escrivaninha
Em franca desordem, falam sem deixar o silêncio
Mas não mais, não agora, apenas
silêncios tristes
Penso nela, por vezes é noite, queria ainda saber
Como é poder rir, sem notar o tempo
que passa
Ríamos junto fazendo miquices frente ao
espelho
Detrás d’um copo que
insiste em não se esvaziar
Acho que o anjo da morte tinha as asas
cansadas
Não foi então uma escolha quando caiu sobre
ela
O anjo, acho, olvidou que prometera seria
eterno
E assim, numa irreverência, decidiu levá-la de mim
sábado, setembro 26
Para te Rever no Céu
O sopro da saudadeFere o peito em corAntigas lembrançasTodas preto e brancoE o que eram floresHoje são só espinhosPaixões descartadasPelos becos escurosLembranças esmaecidasSob as nuvens de chuvaSobre as nuvens, o solPara chegar a noiteBasta fechar os olhosNão, não são lágrimasÉ só areia nos olhosMas não se preocupeSe é certo ou erradoNa verdade estou sóAinda que tua imagemSe infiltre sutilmenteAté me faça sonharQue ainda estás aquiO tempo não retornaVou abrir minhas asasE partir rumo ao céuE poder te ver enfim
sexta-feira, setembro 25
Da Inutilidade das Palavras
Entre um olhar e o infinito algo supernaturalA noite deixa pelo dia seus vestígios
na carneA chuva que cai é para preparar a primaveraUma energia que flui, material, concreta,
friaBem diferente daquela que corre pelos cabosDas fábricas que deixam sua fumaça, enormeUma fumarola tenaz, proveniente dos asfaltosA névoa da noite, vem entremear os sussurrosQue conservam seu fluxo qual as águas do rioA água e as palavras, versos vêm aos pedaçosMurmurando, esgueirando-se entre as
margensE as palavras interligam-se no vapor das
bocasImpulso que se buscam, num silêncio frenéticoPara que linguagem, fraseio, trama de locuçõesSe corpos eloquentes dançam sobre os lençóisE são a um só tempo léxico, oração e incêndioUma corrente que reúne polos tão antagônicosPara ser uma estrela cadente sob a tempestadeO que muitos imaginariam o fim é só o
infinito
terça-feira, setembro 22
A Poesia, O Poeta e o Náufrago
A poesia é meu vício diário, não
é segredo que leio Keats
De um salto no passado e na diferença de nossos
idiomas
Para a
cadência de sua poesia fincada no amor romântico
Porque um
poeta surrealista iria ler outro ultra romântico
Pois se minha linha desconsolada é mais afeita a Dos Anjos
O que encontraria guarida em Keats? Tolice, o amor é uno
Uno com o sofrimento, pois só sofre quem já amou muito
Na equação de amor versus desejo, há um quê de ilusões
E onde há ilusão, estão as dobras endurecidas da desilusão
Tanto mais quando ainda se mescla a realidade com o sonho
Nessa geografia improvável estão a solidão e dor seculares
Nessa ânsia de nos desnudar, não o físico, mas em espírito
Revelando o
que há de mais profundo, menos nas palavras
Mas no gesto
que brota sem consentimento de nossa mão
Quando o toque percorre toda a extensão do corpo amado
Que não permite se diga inverdades, só entrega e doação
Descobrindo
que amar é muito mais que declarar-se amor
É uma conexão afora da física, integrando dois espíritos
Imaginar tal conexão perpétua, é abrir as portas do sofrer
Vinicius disse
que amor deve ser “infinito enquanto dure”
Todavia ressalva que é fugaz como é a chama que se vai
O segredo é se
sentir pleno mesmo que só por um minuto
O poema guarda uma semelhança na equação com o amor
Ao menos na vontade,
na ânsia, assemelha a um náufrago
Espero ela encontre
um dia numa garrafa, esta mensagem
quinta-feira, setembro 17
Segredos da Ausência (Revisitado em 2 Atos*)
I
ATO
O
segredo da ausência se faz duma presença disfarçada Que pulsa dentro de
nós como se fosse um afago perdidoCom qual tentamos segurar
um ao outro para estar juntoMais
que pela fala, que por aromas, mas os sons coloridos
O
segredo da ausência se faz duma presença disfarçada
O
segredo da ausência é a imagem que se vai pela portaEntre
as luzes matinais e que vem pela fresta na janela Levando consigo a
sombra e deixa um rastro de perfumeEm todos múltiplos detalhes do que restou da ausência
O
segredo da ausência está no vago reflexo azul do
céuQue ao entrar pela
janela vê o olhar profundo e solitárioDaquele que busca em
silêncio a contemplar folhas friasEssas
quais u’a breve brisa arrasta num vai
e vem dolente O
segredo da ausência na minha visão é caos que não aclaraÉ
o pássaro agitado batendo suas asas e cantando a solidãoOlha
às pálidas e diminutas migalhas que engole como fosseUm
banquete de melancolia, de acenos
ocultos
e de angústia O
segredo da ausência é o que turva minha visão é a agoniaQue
impede o fluir do pensamento como um eco de espantoÉ
o que tenha restado da noite finda nas
memórias opacasdo
prazer que um dia distante nos iluminava a madrugada A
casa ainda guarda os passos em sua face, guarda os sonsde
dois seres fundidos em uma só sensação qual um carinhoQue
se confunde com raio de luz que leva a toda a plenitude II ATO O
segredo da ausência é o não canto das aves me alegravaPelas
manhãs ou atinge a essência de querer quem deixousuas marcas
espalhadas pelos objetos que lhe absorveramA
falta e, taciturnos, vão repousar no fundo d’um armário O segredo da
ausência estaria, em princípio, na distânciaE
é a essência
que
cada
coisa
revela, distinta do que veriaO
olhar de um
filósofo, do geômetra ou do poeta e não háUma
fórmula estática ou uma forma pulsante e consciente O segredo da
ausência faz tua falta viva e traz no âmagoA dor que me faz
resistir aos apelos mais fortes da noiteTrazendo como medida
os laços do silêncio e do invisívelO
oblívio de outrora refletido no negrume do "não" em mim O
segredo da ausência está em que nunca tive alguém igualOu
desigual, a verdade nua e crua, reside em que jamaisEu pude me sentir
pertencendo a qualquer outra pessoaNem
sonhar me foi legado, apenas o chão de terra crestada O segredo da
ausência está em minhas palavras desoladasQue
tentam reconstruir a cintilância de tua presença qualNa
química da real transmutação, mas esgotam-se as horasE
sequer pude arranhar o afável prazer que teu ser já deu O
segredo da ausência está no interior destas trevas que tuaIda
provoca, tento ser
um deus para num clarão azul, vencerO
tempo, transpor o movimento, criar sons até tê-la
de novo
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