The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
segunda-feira, outubro 19
Nas Pás Do Moinho
Chegavas
pela última palavra enquanto a tarde se fazia noitinhaE tua chegada era qual um sopro da brisa vespertina dos verõesMas, se a morte jamais ergueu o véu que agora te oculta de mimÉ que tu não morreste, eu é que morri nesta fábrica de tristezas
O peito trespassado sob os céus amargos que só outono em abrilPois tu foste cumprir o silêncio do adeus, deixando-me o desterroEu sei que as pás do moinho da vida devem para sempre se moverGirando a mó mesmo sobre as preciosas memórias, reduzidas a pó
Volvendo em desertos a terra que antes era fértil e de promessasNão, não morre quem partiu, morrem aqueles quem um dia tocouA quem restará somente essa saudade dolorosa e nostalgia agudaSou tão parco sem ti, sou pedra sem brilho, num mundo só de dor
** recuperado 2015
As Rimas de Um Adeus
ClarasCarasRarasDiz-me porque parasTuasRuasNuasNeste sonho flutuasEnganosInsanosAnosQuais teus planosCoresFloresDoresAvise-me quando foresMeusTeusApogeusE assim disse adeus
** recuperado de 2010
De Todos Os Ocasos De Setembro
Como poderia perdê-laSe nunca a encontreiNão toquei-lhe meus dedosNem lhe fiz um afagoNão caminhamos pela cidadeNão pisamos a relvaNem sabemos a corDo ocaso de setembro
Como é possível perdê-laSe nunca pude vê-laSe meus braços não a alcançamNa raiva desta ternura remotaOu em minha alegria profundaDa esperança de conhece-laEla viverá eterna em mimNum ocaso de setembro
Como falar em perdê-laSe dela só conheço a falaSe não lhe senti o calorNem o doce dos lábiosNem o perfume de lilasesDe sua tez que não toqueiMas que habita meus sonhosDe todos ocasos de setembro
**recuperada de 2010
O Acaso Traz A Revelação
Há no ar um quê de espanto nas linhas do teu rostoJá não te é tão simples sorrir como sorrias
entre nósQuando o silêncio dava uma pausa no
ruído da cama
Eu, mendigo, pedia tua atenção, me querias o corpoA vizinhança, naquele pequeno lugar,
nos espreitava
Ao passo que eu cuidava de crisântemos
na varandaTalvez eu soubesse que não era amor, mas só ficçãoMas no cintilar do luar, trazia estrelas ao teu sorriso
Eu te supunha tão especial e hoje
nada nos distingueMendigas minha emoção, eu não a tenho, sei que dói
Mas tu não viste, na tua vez, quanto
me doeu um diaFomos anônimos na multidão, nunca nos
pertencemos
O rastro de nossos passos na areia a maré já apagouDo pouco que restou, só essa foto, que tu
guardaste
A fingir um fluído imaterial, um remedo de esperança
Tão imaterial, que nesta vida, jamais irá se condensar
O acaso, um dia, me revelou que teu querer
era irrealE eu aceitei a vida assim, nem sei a que te
abri a porta
Nem aspiro mais a ser herói de nada, ou te fazer feliz
É tua vez de aceitar, não há luar, não há
flores a cuidar
**recuperado de 2012
quarta-feira, outubro 14
Cego, Surdo e Mudo
De repente o
poema irrompe como uma flor violenta
Como estrela cadente desperta um choro convulsivo
Daquele ser, antes jacente como uma estátua pétrea
OlhoPor
Olho
Nesse silêncio
esmagado pela chegada do crepúsculo
Leva tantas palavras impronunciadas, na boca calada
De tantas ideias não pensadas que orbitam sua mente
DentePor
Dente
E num átimo tudo aflora, qual um festival, irrefreável
A se derramar sobre as finas linhas d’antes imaculadas
Letra após letra a pena hemorragicamente as desenha
DiaApós
Dia
Outros antes de nós, arquearam num heroico esforço
Tantas chagas nos pulsos por nem um minuto de glória
A vida posta em prova se esgueira entre o amor e a ira
CegaSurda
Muda
Neste meu mundo toda ascese, palavras e ódios breves
Se não podemos ser felizes que a tristeza seja exemplar
Tão pouca paciência, no meu relógio já é hora de partir
** recuperado de 2013
Quando o Medo É Seu Mestre
É a última vez trago à tua presença meus poemas descalços
Tal última homenagem às frases interrompidas fora de hora
À luz que a tua fuga apagou com vocábulos pálidos de medo
O poeta, tolice, que esperava a lucidez foi deixado à espera
Sem poder recriar a aurora para brilhar infinita no teu olhar
Restou na distância à deriva, sem terçar a alegria das tardes
Sem o amor que desejava plantar no terreno fértil do futuro
Aonde reside todo o bem daqueles que ainda têm esperança
Mas escolhestes melancolia, a angústia do que não se realizará
Eu queria que voasses nas asas da ave feita de sonho e de luz
Que seguisses sobre campos de flores perfumados de ternura
Um mundo que não coubesse os cinzas do aço e do concreto
Egoísta escolhestes, no entanto, nos legar caminho do silêncio
A ausência de noites sem desejo que sopra no vento haragano
Para nos quedarmos nos porões da vida com lírios de saudade
Qual se fosse essa a única medida que restasse a todos poetas
Não farás com que este poeta te esqueça no tempo implacável
Apenas tu viverás na sombra noturna crendo acostumar ser só
Oblivias que a solidão é viva e cresce a cada palavra não escrita
Um dia a ternura negada silenciará o amor, mas não finda a dor
**recuperado de 2013
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