The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
terça-feira, setembro 22
quinta-feira, setembro 17
O Segredo da Ausência (Revisitado em 2 Atos*)
I
ATO
O
segredo da ausência se faz duma presença disfarçada Que pulsa dentro de
nós como se fosse um afago perdidoCom qual tentamos segurar
um ao outro para estar juntoMais
que pela fala, que por aromas, mas os sons coloridos
O
segredo da ausência se faz duma presença disfarçada
O
segredo da ausência é a imagem que se vai pela portaEntre
as luzes matinais e que vem pela fresta na janela Levando consigo a
sombra e deixa um rastro de perfumeEm todos múltiplos detalhes do que restou da ausência
O
segredo da ausência está no vago reflexo azul do
céuQue ao entrar pela
janela vê o olhar profundo e solitárioDaquele que busca em
silêncio a contemplar folhas friasEssas
quais u’a breve brisa arrasta num vai
e vem dolente O
segredo da ausência na minha visão é caos que não aclaraÉ
o pássaro agitado batendo suas asas e cantando a solidãoOlha
às pálidas e diminutas migalhas que engole como fosseUm
banquete de melancolia, de acenos
ocultos
e de angústia O
segredo da ausência é o que turva minha visão é a agoniaQue
impede o fluir do pensamento como um eco de espantoÉ
o que tenha restado da noite finda nas
memórias opacasdo
prazer que um dia distante nos iluminava a madrugada A
casa ainda guarda os passos em sua face, guarda os sonsde
dois seres fundidos em uma só sensação qual um carinhoQue
se confunde com raio de luz que leva a toda a plenitude II ATO O
segredo da ausência é o não canto das aves me alegravaPelas
manhãs ou atinge a essência de querer quem deixousuas marcas
espalhadas pelos objetos que lhe absorveramA
falta e, taciturnos, vão repousar no fundo d’um armário O segredo da
ausência estaria, em princípio, na distânciaE
é a essência
que
cada
coisa
revela, distinta do que veriaO
olhar de um
filósofo, do geômetra ou do poeta e não háUma
fórmula estática ou uma forma pulsante e consciente O segredo da
ausência faz tua falta viva e traz no âmagoA dor que me faz
resistir aos apelos mais fortes da noiteTrazendo como medida
os laços do silêncio e do invisívelO
oblívio de outrora refletido no negrume do "não" em mim O
segredo da ausência está em que nunca tive alguém igualOu
desigual, a verdade nua e crua, reside em que jamaisEu pude me sentir
pertencendo a qualquer outra pessoaNem
sonhar me foi legado, apenas o chão de terra crestada O segredo da
ausência está em minhas palavras desoladasQue
tentam reconstruir a cintilância de tua presença qualNa
química da real transmutação, mas esgotam-se as horasE
sequer pude arranhar o afável prazer que teu ser já deu O
segredo da ausência está no interior destas trevas que tuaIda
provoca, tento ser
um deus para num clarão azul, vencerO
tempo, transpor o movimento, criar sons até tê-la
de novo
* leia o comentário
quarta-feira, setembro 16
Aviso ao Jovem Poeta
Um atônito despertar
e o tempo é teu juiz implacável
Escreve tua
biografia, teu epitáfio, não ocultes nada
Olha à tua volta e descubras quais são teus inimigos
A essência do
que te move, o que no âmago tu temes
Descubras o
que te paralisa e o que pode impulsionar
A vida é breve e deves, desde
cedo, tomar as rédeas
O supremo perigo não está apenas oculto nas trevas
Jovem poeta,
toma tua caneta e incendeia as paginas
Que no teu poema não haja versos explícitos demais
Ao mesmo tempo que não ocultes nada que importe
Derrames toda tua loucura, lucidamente, sem paixões
Sem
indiferença, mantenhas dignidade
antes de tudo
Tenhas na música a semente, no perfume o
fertilizante
Nas cores um estímulo, mas na luz tenhas teu norte
Que teus versos não sejam nem pétreos ou inflexíveis
Todavia, dizes permanentemente a tua única verdade
Não escrevas a soldo ou para agradar quem quer seja
Preserves, defendas, conheças teu idioma, tua língua
Mas jamais deixes de inventar, experimentar do novo
Mantenhas teus versos em movimento, não estáticos
Ser poeta não é um dom, antes é esforço e empenho
Que na tua
boca permaneça a consciência, o verdor
Contudo, e mais importante, é não permitir o
silêncio
Que é a mortalha de qualquer poesia, um
túmulo enfim
Ao jovem poeta cabe manter viva a chama e a rebeldia
terça-feira, setembro 15
Uma Cicatriz Indelével
A hora chega e caminhastes sem cerimônias,
sem adeus
Pois o amor não se despede, senão nossos corpos vazios
Onde residirão
tantas lembranças de tudo que passamos
Não reside no abraço que nem fora dado, no aceno frio
No entanto aí está, circulando com o sangue pelas veias
Na imagem que, pela última vez, se
afasta até esmaecer
Observo os corredores inabitados, me são tão sombrios
Uma música resiste como alguma semente inconsciente
A revelar toda uma história qual se semeou no passado
Sento à beira de tua lápide, onde verto grossas lágrimas
Levaste tudo contigo, nossas manias e a nossa
loucura
Coisas que só
a nós teriam sentido e doem tal cicatrizes
Recordo do despertar atônito, a voz árida a me noticiar
Uma voz sem dignidade, sem harmonia, sem
compaixão
Ninguém por
testemunha, ora devo viver a tua ausência
É como se o tempo enfim mostrasse, não há eternidade
Essa verdade que queremos negar, visão da fragilidade
O lento verdor, que imaginamos arquitetura inacabável
Não há nada de
perpétuo, o convite só vale para entrar
Nossa visão de vida é algo primitiva,
curta e não vemos
O teu nome ressoa na minha solidão, nas asas partidas
Sempre houve um plano, mas não posso ouvir silêncios
Sigo eclipsado de tua presença, sob um sol sem
brilhar
As palavras não explicam as distâncias no meu interior
Contudo as escrevo, imaculadas, num parêntese
de mim
segunda-feira, setembro 14
Para Ser Dono dos Caminhos
A sombra assoma meus olhos, solidão desabitada pelas estrelas
A imagem da amada permanece na lembrança entre assombros
Os cães ladram na distância, tão longa quanto o primeiro beijo
O mundo cotidiano é amargo, a jornada dói neste peito ferido
Como as papoulas feridas no crepúsculo dos ventos invernais
Queria ser o pássaro que se esquiva dos cadeados dos tempos
O conhecimento é uma herança profusa de espinhos selvagens
E assim sigo de memória em memória a me queimar por dentro
Fazendo-me renovado a cada entrega, quando o céu fica azul
Derramando as tintas sobre o papel sem orgulhos ou
soberba
Meu poema é o que nomeia, o que me faz acreditar na beleza
Como uma singela dança de borboletas ao amanhecer na relva
Remanesce no
sonho uma mescla rara de teu cantar ancestral
Qual a voz dos anjos na brisa esquiva pelas árvores do bosque
Enquanto a aurora se aproxima lenta para evaporar o orvalho
Antes que o sol se anuncie para dissolver a névoa dos ninhos
Escrevo para me lançar em voos maiores, adquirindo a noção
De como fazer espirais pelo céu, poder mergulhar nas nuvens
Pois quero crer não estou sozinho nos subterrâneos da noite
Escrevo meu livro dos dias, meu próprio caminho das pedras
Tenho um presságio que voltarei a te encontrar pelas veredas
Para chegarmos num lugar que o tempo não valha uma moeda
E cada segundo ao teu lado demore uma eternidade a passar
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