The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
quarta-feira, outubro 14
Quando o Medo É Seu Mestre
É a última vez trago à tua presença meus poemas descalços
Tal última homenagem às frases interrompidas fora de hora
À luz que a tua fuga apagou com vocábulos pálidos de medo
O poeta, tolice, que esperava a lucidez foi deixado à espera
Sem poder recriar a aurora para brilhar infinita no teu olhar
Restou na distância à deriva, sem terçar a alegria das tardes
Sem o amor que desejava plantar no terreno fértil do futuro
Aonde reside todo o bem daqueles que ainda têm esperança
Mas escolhestes melancolia, a angústia do que não se realizará
Eu queria que voasses nas asas da ave feita de sonho e de luz
Que seguisses sobre campos de flores perfumados de ternura
Um mundo que não coubesse os cinzas do aço e do concreto
Egoísta escolhestes, no entanto, nos legar caminho do silêncio
A ausência de noites sem desejo que sopra no vento haragano
Para nos quedarmos nos porões da vida com lírios de saudade
Qual se fosse essa a única medida que restasse a todos poetas
Não farás com que este poeta te esqueça no tempo implacável
Apenas tu viverás na sombra noturna crendo acostumar ser só
Oblivias que a solidão é viva e cresce a cada palavra não escrita
Um dia a ternura negada silenciará o amor, mas não finda a dor
Compêndio de Verdades Embaraçosas
Andando na vida, fui pateticamente romântico quase sem limitesAté onde fui e as asas destacadas de meu corpo pelas tormentasAté olhar-me fruto de todo arcabouço desta semeadura humanaPercorri espaços após espaços e ouvi as perguntas sempre iguaisPassei portas que fecharam às minhas costas qual fossem atalhosUma brevidade entre um século de silêncio e me chamaram poetaUm galardão que não me fez enaltecido, mas serviu para somenteLavar as mãos da dor acumulada como se fora a poeira do tempoFoi escrevendo que pude entender o que não entendi só ouvindoTantas crenças falsas no brilho das letras de grandes cabeçalhosSe espalham como um verdadeiro e fatal vírus a repetir a históriaNinguém se volta ao espelho já baço para admitir verdades durasDando preferência às miragens, ao certo bem mais complacentesNinguém expõe as ideias à luz ou as submete às rédeas da justiçaMas escolhe o eufemismo que atenua erros e assim chamar de féSustentando toscas assertivas, qual alcandorados sopros divinaisAssim cheguei à conclusão que a verdade de fato pouco importaAntes, aquilo que cada um se arvorou em verdade para ter razãoRazão essa qual, a alguns tolos ou insanos, vale mais que ser feliz
Palavras Nunca São Iguais
Minhas palavras tem cheiroCheiram a terra molhadaTêm gosto de mel silvestreO brilho de cristais lilases As palavras quando plantoNas folhas férteis de papelGerminam poemas ao diaE foram cicatrizes a noite Olho as palavras primeiroVejo-as sólidas ou etéreasPor vezes parecem floresQuase sempre são raízes Minhas palavras do invernoNão são frias qual o climaTêm a cor avermelhadaDo pôr-do-sol a beira-mar Minhas palavras femininasNão nasceram de costelasMas me acariciam o rostoEnquanto escrevo poemas Palavras contam históriasDe dias que não chegaramE dos dias que já se foramVezes gritam outras cantam
terça-feira, outubro 13
Considerações em Quatro Atos
Primeiro Ato
Estive a considerar como uma estrela solta na noitePode devorar a escuridão vindo ávida lá do
infinitoComo ela está aí desde sempre sem ser a eternidadeE a estrela cadente seria u’a estrela
provida de asasE de fato não
cai, não sei nenhuma caída no telhadoCéus inteiros vivem
em minha improvável imaginaçãoMinha mãe esperava que um dia me tornasse um heróiMas ora que caralho, ao contrário resolvi ser poetaO mundo é repleto
de milhares de pequenas cidadesCada uma delas com suas vielas estreitas e
escuras
Segundo Ato
Por onde centenas de mulheres passam caminhandoMas de todas, guardo a luz de um sorriso tão imparDois olhos
luminosos não observei em mais ninguémEra qual uma primavera com a mão repleta de floresAssim passava sob minha janela, por uma dessas
vielasDe alguma das pequenas cidades, sem olhar
pra cimaNem me via a
espreitá-la debruçado num beiral azulComo a flor que cuidadosamente caminhasse libertaDentre as outras flores, apenas fincadas
no canteiroEra mais perfumada e colorida que todas as demais
Terceiro Ato
Mas o frio inverno veio para pousar em seu jardimSem mostrar perdão todas as coisas foram desfeitasTodas as
árvores foram pintadas de vazio e
silêncioAs folhas espalhadas pelo chão e ela
enfim me olhouHavia muitas lágrimas em seus olhos sem saber porqueSeu olhar parecia me dizer: não, não me deixe sozinhaSeus lábios pareciam mover, mas eu não podia escutarEntão eu lhe falei e as palavras o vento
levou pelo arE se enlearam nas folhas do salgueiro na
beira do rioSe tornando signos entre as estrofes de
meus versos
Epílogo
Fecha os olhos
e pense em mim, estarei ao seu ladoEntre as águas
d’um azul profundo e o céu límpidoTalvez, não
haja palavras que possam explicar tudoEntão, deixa-te levar, vamos caminhar entre
as nuvensNão tenhas pressa, na noite os
segredos ganham vidaDeixa o poema conduzir, entre o eco azul das
horasAh, minha
criança da lua e teu vestido esvoaçanteO sonho está vivo meio às folhas do velho salgueiroVenhas sonhar comigo e esperar até o dia
amanhecer
Primeiro Ato
Estive a considerar como uma estrela solta na noitePode devorar a escuridão vindo ávida lá do
infinitoComo ela está aí desde sempre sem ser a eternidadeE a estrela cadente seria u’a estrela
provida de asasE de fato não
cai, não sei nenhuma caída no telhadoCéus inteiros vivem
em minha improvável imaginaçãoMinha mãe esperava que um dia me tornasse um heróiMas ora que caralho, ao contrário resolvi ser poetaO mundo é repleto
de milhares de pequenas cidadesCada uma delas com suas vielas estreitas e
escuras
Segundo Ato
Por onde centenas de mulheres passam caminhandoMas de todas, guardo a luz de um sorriso tão imparDois olhos
luminosos não observei em mais ninguémEra qual uma primavera com a mão repleta de floresAssim passava sob minha janela, por uma dessas
vielasDe alguma das pequenas cidades, sem olhar
pra cimaNem me via a
espreitá-la debruçado num beiral azulComo a flor que cuidadosamente caminhasse libertaDentre as outras flores, apenas fincadas
no canteiroEra mais perfumada e colorida que todas as demais
Terceiro Ato
Mas o frio inverno veio para pousar em seu jardimSem mostrar perdão todas as coisas foram desfeitasTodas as
árvores foram pintadas de vazio e
silêncioAs folhas espalhadas pelo chão e ela
enfim me olhouHavia muitas lágrimas em seus olhos sem saber porqueSeu olhar parecia me dizer: não, não me deixe sozinhaSeus lábios pareciam mover, mas eu não podia escutarEntão eu lhe falei e as palavras o vento
levou pelo arE se enlearam nas folhas do salgueiro na
beira do rioSe tornando signos entre as estrofes de
meus versos
Epílogo
Fecha os olhos
e pense em mim, estarei ao seu ladoEntre as águas
d’um azul profundo e o céu límpidoTalvez, não
haja palavras que possam explicar tudoEntão, deixa-te levar, vamos caminhar entre
as nuvensNão tenhas pressa, na noite os
segredos ganham vidaDeixa o poema conduzir, entre o eco azul das
horasAh, minha
criança da lua e teu vestido esvoaçanteO sonho está vivo meio às folhas do velho salgueiroVenhas sonhar comigo e esperar até o dia
amanhecer
sexta-feira, outubro 9
O Mundo Segundo o Poeta
Como amo o revoar das pombas
ao soar o campanário
As andorinhas que bailam entre as árvores nas praças
São algumas mais caras memórias da infância distante
Imagens que restaram de uma recôndita época inigual
Contudo a infância se foi, escrita nos fólios d’antanho
Nas entranhas
de minha cabeça vive um outro de mim
Tal aquele,
que no tablado, desenha flores à multidão
E assim sonhar, como fora eu mesmo, palavras de papel
O sonho é o invólucro da realidade onde tudo é lícito
Não fosse eu um poeta, dir-me-iam ter
perdido o juízo
Qual a Bilac em seus diálogos estelares, amar justifica
Da pele da maçã rosada à pele tépida da amada, viajo
Esqueço a métrica, a dureza eclética das consoantes
Transformo meu mundo por um par de olhos castanhos
Uma via-láctea
que independe de ser noite para brilhar
Em mim, nestes últimos anos, canta uma nova
canção
Sinto-lhe o hálito perfumado, lábios rosados e macios
Porém, se escrever é o meu
mal, é também minha cura
Uma parte mística, outra material,
devotada e surreal
Alheia às considerações, ciente dos defeitos e limites
Ergo os olhos às plêiades,
satisfeito, desloco a mirada
Ao poeta o infinito
é agora e o universo é mesmo aqui
quarta-feira, outubro 7
Lista de Desejos
Ah, como eu desejara ter podido cantar sob as estrelas
Mas ervas daninhas encobrem a parte estrelada do céu
E o escuro me
emudece as palavras como uma mordaça
Então o silêncio invade todos os espaços da madrugada
Quisera me desgarrar de certos ícones, falar nas sombras
Ignorar as
nuvens cinzentas que carregam frio e chuvas
Porém meus
olhos também se fazem nublados e frívolos
Como duas luas
fora de órbita a flutuarem pelo espaço
Ah, como eu
gostaria de poder ser tantas outras coisas
Que este poeta
de raízes profundas num solo tão árido
E dizer palavras menos trágicas que floresçam faceiras
Em meio aos silêncios não essenciais e relógios exaustos
Quisera que as coisas fossem como
elas realmente são
Despidas de
máscaras, apólogos que lhes assintam valor
Tenho comigo o
caderno onde conspiram poesias cruas
Como um
incunábulo destroçado onde deposito versos
Ah, como eu gostaria que vissem poesia em coisas simples
Grãos de poeira foliando na fresta de sol que vem da janela
Para irem se assentar visivelmente na mobília à
minha volta
Mas o que era alegria, será removido ao passar de pano
Um suspiro enfadado lembra que as noites
não são fáceis
A vizinha que, detrás das persianas, observa meu quarto
O ar lá fora não move nenhuma folha, tampouco a insônia
A poesia não se escreve sem metáforas, ao prisma da razão
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