The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
quarta-feira, julho 22
Em Busca do Último Alento
Enfim o dia avança à noite, foi um dia improdutivo
O sonho não o levou ao auge, como podia imaginar
Velhas imagens se lhe emaranham entre os cabelos
Estão absolutamente desgrenhados e até raivosos
Essa noite lhe aparece em dívida de algo brilhante
Parcas frívolas estrelas se desnudam entre a névoa
Ah, tão distantes daquelas amigas de dias passados
Que honestamente cintilavam no céu azul profundo
A lua se oculta também, a noite não realiza o sonho
Ao fio das horas, segue a caminhar pelas ruas vazias
Sem destino, anda acompanhado de seus fantasmas
Não têm as chaves das portas que irão trazer a paz
Parece que a madrugada sente e também se retrai
Entre olvidados suspiros, entre um passo e outro
Entre um batimento e outro, o coração sussurra
Enquanto o vento rodopia as folhas caídas no chão
Na quietude das horas, conjectura parar ou seguir
Não era assim o final do dia, a noite não era isso
Por fim ao dobrar a esquina, encontra um alento
Desenham-se na calçada, traços paralelos de luz
Um blues se ouve no ar trazendo tênue esperança
Sim um bar, o ponto final da solidão, enfim aberto
segunda-feira, julho 20
Lamento D'uma Cidade Agonizante
Habitei as margens d’um rio distante desses do centro
Canalizados, retificados, regrados. Não os desse tipo
Vivi entre rios letárgicos que se esgueiram nas pedras
Sob os eucaliptos perfumados onde cantam os sabiás
Arrastando os fragmentos do que resta sob os luares
Uma lembrança prateada nos meus olhos ainda brilha
A som de tais madrigais, caço inspiração aos poemas
Pois das matas e dos pássaros quase nada ainda resta
Na ponta de minha caneta desenho corredeiras azuis
Palavras desenfreadas, teses e antíteses e muito além
Pois existir é coisa de extremos, nada morno, insonso
Tampouco homogêneo, opto pelas miragens violáceas
Coleciono as palavras abandonadas em outras bocas
Que quase todos os ouvidos se recusariam a ouvi-las
Como queria o verde onde simples fábulas prosperam
Que depois da chuva às cinco, o sol ainda reapareça
Emoldurando o chilreio dos pássaros ao entardecer
Nos grandes centros está a antítese do que é perene
Os rios negros de betume onde se deslocam veículos
Com seus gases tóxicos fazem toda terra aquecer-se
Isolando-nos do contato com a terra, roubam a brisa
Devolve-nos ares calcinados, favorecem desenlaces
Há um silêncio escondido nas entranhas do planeta
Mas não se iluda, luzes violentas atravessam os céus
Tal no tempo que grandes lagartos
habitavam a terra
Sem ações nada restará, nenhum regato entre trigais
Lego este poema a quem acredite pode fazer melhor
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