The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
terça-feira, abril 28
quarta-feira, abril 8
A Fábula dos Contrários
As sombras emergem ao leste, análogas a carvões azulados
Ainda quando
paradas são puro movimento no seu interior
Refletem-se no espaço, desdobradas da cor que têm à luz
Retornam com elas à unidade que é por princípio o corpo
Súbito
silêncio se concentra na imaginação, duplo aspecto
Para captar o ruído das sombras debruçadas sobre a terra
Uma antiga canção dorida do martelo que molda o
cobre
Corpo e forma de folhas rubras se perfazendo em figuras
À boca do fogo vivo que consome o carvão e aviva a cor
Por quantas portas passará a palavra portadora da beleza
Inserta nos
versos que narram a condensada fábula oculta
Em feixes individuais que têm o desígnio de abrir o círculo
Que antes se formara pela angústia, pelo medo e pela raiva
Fazem ultrapassar sua própria medida de tempo e de espaço
Enfim liberto de todos os disfarces e grilhões semelhantes
Flâmulas tremeluzentes saltitam amarradas diante do vazio
A multidão, na enganadora massa de seus corpos solitários
São pássaros com asas atadas arrastando os pés pelo chão
Preenche os
espaços com seus movimentos desordenados
Enquanto se aglomera ansiosa movendo a boca em silêncio
O dia chega afinal,
afastando os últimos pedaços da noite
A multidão deficiente
de destemor furta-se a ler o poema
Põe-se a falar
freneticamente disfarçada em sua máscara
Claro contra
escuro são os severos quadros que apontam
E se defrontam no campo aberto pela fábula dos opostos
Se espalham pela tarde para recolher alguma sombra vazia
Serão os
rostos solitários na arquitetura para outra noite
Enraizados de
passado, usam caminhos ásperos e amargos
O poeta que a
tudo observa distante, alforria seus versos
O poema parte, asas abertas para alçar voos
sem medida
Cumprindo, assim, a aspiração de ser o
pleno movimento
segunda-feira, março 23
O Encontro da Poesia e o Surreal
O poeta levantando numa esquina antigaA palavra por um fio, dissolvida no versoCristalina, desnuda de antagônicos usosE n’um trago alcoólico para esquentar-seCospe um sabor acre de dúvidas penosasPor respostas torturadas e ensurdecidasOlhos fechados para não hesitar e cantaMeu poema não se subordina a contextosDe empoeirados compêndios dissonantesEivados de mil edificações sintagmáticasNem se dissipa pelos dilemas do cotidianoOu no absurdo especulativo dos eruditosO poema surrealista, tão incompreensívelAos que escandem a estrofe
penduradaNuma argola, se abstraem de toda ironiaAmalgamada com o vazio das
entrelinhasPrescindindo, precocemente da verdadeE profundidade que o inesperado causaO poeta azevieiro ignora erros e triunfosIgualmente deletérios, que a
estrada trazAltivo, supera fadiga, sustos e as vigíliasCônscio que desta vida de empréstimoNada se leva senão o amor que se viveu
sexta-feira, março 20
No céu, à minha revelia
O amanhecer demorou a me encontrar na noite escura
São anos
viajando pelas veredas noctívagas no silêncio
Identifico uma voz, dentre as inúmeras
vozes que ouço
E assim te
descobri, mas teu nome faço exato segredo
Então neste
poema, por razões que só a ele competem
Ao falar de ti, falo em parábolas, tua geografia tão-só
Teu corpo
esguio, teus seios fartos e as pernas roliças
Ainda nos vejo
n’outros tempos, dançando ao espelho
Na vitrola
toca um disco do B.B. King com sua Lucille
Rostos colados
e sussurros insidiosos ao pé do ouvido
Hoje os meus joelhos não acompanhariam os teus ágeis
Mas não há porque preocupar, de fato, não estás
aqui
És apenas uma ideia que se prolifera qual estalactites
Um sonhar de tempos idos, nos sonhos tudo podemos
Podemos girar
os quadris enquanto Chuck Berry toca
Apesar disso és tão verdadeira quando seguro tua
mão
E quando olho nos teus olhos para não perder o ritmo
Teus cabelos balançam, como usual em setenta e sete
Só migalhas nas memórias do tempo que não volta mais
Foi dessas
razões que este é um poema só meu, só teu
Quem ousaria crer, ver-te bem sabendo não estás aqui
Nenhuma reprimenda ou juízo por ires à minha revelia
segunda-feira, março 16
¿Por que é tudo assim?
Gravei teu nomeNo sótão da memóriaVelhas tábuasRabisquei letra a letraE ninguém percebeuMeu sangue em chamasIncêndio ao ventoGravei teus passosNo portão da memóriaQue abro e fechoA tua imagem passarE ninguém deu contaTormenta de minh’almaVai ladeira abaixoGravei teus beijosNa boca da memóriaO sabor de hortelãTua língua irrequietaE ninguém entendeuMeu peito desertoO sol dos meio-diasO destino da ilusãoÉ morrer de amor
sábado, março 14
Viagem pelo Zodíaco
Minha mente como nave se arremessa sobre o zero
Dois ponteiros
redançam sobre o círculo das horas
E o coração em
sua ambivalência, bate tresloucado
Nesse telúrico
contexto o tempo-espaço se amiúda
Eu, barro feito homem viajo nesta inefável jornada
Dentro de mim um universo a pulsar e transcender
Busco sob o
véu noturno as estrelas descortinarem
Há milhares de milhões em ordem sem discrepância
Assinalo seus imutáveis trânsitos, horas após horas
Lá está Taurus e sua cintilo-brilhante estrela alfa
Sinto sua energia na extensão da tangente infinita
Ouço o chamado qual o sino que na cumieira bate
São velhas memórias
fixadas nesse tropel longínquo
Quando o pássaro se lança ao ar, rumo à infinitude
Projeta-se o pensamento, núcleo deste eu-universo
E já não é tão-só contemplação, é lúcida interação
Misturam-se imagens e sentidos a luz não é só a luz
Qual feiticeiro, o inconsciente mergulha no futuro
Astros e
signos, energia para dizer “que se faça luz”
quinta-feira, março 12
O Não Paradoxo
Dias e dias aforaTão longa a estradaA distância encurtaÉ no silêncio brutoQue tua voz ecoaÉ na noite sem luarQue brilham estrelasQuanto mais te calesTão mais que dizesQuanto mais revelasMais o segredo fluiQuanto mais ocultasMais mostras de ti Quanto mais fogesMais te encontroQuanto mais me amas Mais te amo também
Quanto mais me amas
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