quarta-feira, agosto 26

Aquarela do Brasil de 2026

Meu país, que ora te resta? Um trapo soçobrado

Das lutas que não lutaste. Apagou-se a tua força

Gatunos e perjuros sugam teus recursos e boa fé

Abdicaram de tua grandeza, gigante desfalecido

Atribuem mentiras odiosas àqueles que te servem

Aos mais humildes que creram nas promessas vãs

Restou a desculpa que são outros que impediram

Não fossem cumpridas – é o engano para o lucro

Não te iludas, tais vermes desejam é ocultar a luz

Para fazer-nos crer que nós que somos os fracos

Talvez sejamos se reabrirmos a porta ao demônio

Meu país, não culpes ninguém pelas tuas derrotas

A culpa é dos que, por doze anos, são desgoverno

Pois o que ora te falta, foste tu que o ofereceste

Asilaste de volta ervas daninhas e o mal floresceu

Se o fruto está podre, foi que vermes encontraram

Um propício ambiente para exercer sua corrupção

É véspera de eleição, lobos se travestem cordeiros

Vampiros cheios de ódio, travestem anjos de amor

Andamos nas ruas, não vemos nada que apregoam

Invés de luzes, trevas; de fartura, fome; de paz, dor

Ao avesso de liberdade, vemos medo em todo lado

Mãos manchadas de sangue de seus compatriotas

Vítimas por um celular, por uma corrente, um anel

Meu país, terra onde os sabiás não podem gorjear

País de uma imprensa vendida e outra manietada

Onde os tribunais escolhem as verdades a se dizer

Porém, a despeito de todas as mazelas, meu Brasil

Permito-me, poeta e sonhador, nestas singelas linhas

Com minha fé em farrapos, sustentar bons valores

E, num fio de ilusão, crer que um dia vás levantar

 


segunda-feira, agosto 24

0123 Rima Vice Versa

 

Revoada, luz apagada

Sangue pelo chão

Mas lágrimas não

Cadê as flores

Chão crestado

São tantas dores

Amor derramado

E vem a morte

Luta impotente

Mas o poema

Não é por sorte

Nem é inocente

Cheira a alfazema

Sob o céu azul

Brilhará o sol

No hemisfério sul

Todo o arrebol

Rumo ao oriente

Com toda gente

Meu grito, no infinito

Como Aprendi a Voar

Ela foi uma viajante que se achegou a mim num outono

Bailarina, tinha o hábito de caminhar na ponta dos pés

Levava na bolsa incensos de lírio e tinha olhos curiosos

Facilmente descobrimos juntos o caminho para sonhar

Tão breve, chegamos a um grande enlevo noite adentro

Cercava uma névoa densa, que podíamos nos enxergar

Seu sorriso brilhou qual um farol e mostrou o caminho

Ela fez meus pássaros selvagens chegarem a seu apogeu

Pousando delicadamente sobre o convite de seus seios

Na noite, mesmo as promessas não feitas, se cumpriram

Bocas e membros se entrelaçam nos silêncios do desejo

Somos sobreviventes, dispensamos definições perfeitas

O céu cansado de estar só, exibiu uma lua de primavera

Para nos iluminar, então ao seu lado fiz-me livro aberto

Para que, na sua nudez me descobrisse como quisesse

Entrei furtivo dentro dela e habitarei a sua lembrança

Eu soprei minha luz sobre todos os seus medos e dores

Quando chegou o verão, ela se foi, sem ressentimentos

Qual é natural da andorinha voar quando chega o verão

Para num delicado balé, voltar ao céu banhado de azul

De longe eu a olho feliz pela história que me ofereceu

Ela será eternamente a bailarina que me ensinou a voar