The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sexta-feira, julho 3
terça-feira, junho 30
Pelas esquinas da noite
Pelos espaços da noite, encravados de estrelas cintilantes
Num céu violeta a cidade é uma torre estática, muda, nua
Entre os gemidos e sussurros que vêm não se sabe de onde
Talvez donzelas de entalhada virgindade a cantar cânticos
Em seu cantar estranho parece uma vigília, uma procissão
A vida perdeu um quê da consciência do que a vida já foi
Rostos, rubor e timidez, mares de gente acelerada que vai
As roupas nos varais, bailando aos ventos, esperam o verão
A navegar na brancura das ondas desses mares de sonhos
Impende partir bem antes da chegada de cruas incertezas
Do outono das pétalas caídas, dos pavores do frio futuro
A cada esquina irregular onde vivem os senhores da noite
A olhar a rua com seus olhos negros debruçados na janela
Detrás de suas faces macilentas, estão sempre à espreita
O gato preto mia sobre o muro, ouço passos pela calçada
Amarrei um laço de fita gris pelas ruas desertas da cidade
Marquei tua passagem pelos meus dias para nunca olvidar
Os cabelos esvoaçantes, olhos amendoados e a boca rubi
Teu sorriso e o perfume que me trazia na brisa vespertina
Continuo gravitando na tua ausência nesta órbita amarga
São coisas que tive ouvido, mas finjo não haver escutado
Os dias se amontoam uns sobre outros no calendário azul
Fecho as pálpebras e toda quimera segue o rastro do vento
quinta-feira, junho 25
O Poema Não Escrito
Essas vozes pífias
Que não se elevam
Apenas o mero eco
Rumor de gargantas
E os alertas cruciais
Das cobras se chegam
Nas cavernas escuras
Fingidas no orvalho
Não saem das bocas
E tu que caminhas
Em passos lentos
Longos e desnudos
Como quem celebra
Não sabe bem o que
Resta como se fosse
Um peixe no aquário
Solitário e indesperto
A uma parca vibração
Que agite as águas
Apesar que tu o vês
Tu te quedas silente
É qual algum poema
Que nunca viu o papel
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