The Writer Within the Wizard
Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
segunda-feira, agosto 24
Como Aprendi a Voar
Ela foi uma viajante que se achegou a mim num outono
Bailarina, tinha o hábito de caminhar na ponta dos pés
Levava na bolsa incensos de lírio e tinha olhos curiosos
Facilmente descobrimos juntos o caminho para sonhar
Tão breve, chegamos a um grande enlevo noite adentro
Cercava uma névoa densa, que podíamos nos enxergar
Seu sorriso brilhou qual um farol e mostrou o caminho
Ela fez meus pássaros selvagens chegarem a seu apogeu
Pousando delicadamente sobre o convite de seus seios
Na noite, mesmo as promessas não feitas, se cumpriram
Bocas e membros se entrelaçam nos silêncios do desejo
Somos sobreviventes, dispensamos definições perfeitas
O céu cansado de estar só, exibiu uma lua de primavera
Para nos iluminar, então ao seu lado fiz-me livro aberto
Para que, na sua nudez me descobrisse como quisesse
Entrei furtivo dentro dela e habitarei a sua lembrança
Eu soprei minha luz sobre todos os seus medos e dores
Quando chegou o verão, ela se foi, sem ressentimentos
Qual é natural da andorinha voar quando chega o verão
Para num delicado balé, voltar ao céu banhado de azul
De longe eu a olho feliz pela história que me ofereceu
Ela será eternamente a bailarina que me ensinou a voar
quinta-feira, agosto 20
Não Diga A Verdade
Quando as palavras cotidianas de tornarem ininteligíveis
E a mesa onde se deita o pão, não seja mais mesa ou pão
Umas bocas prepotentes, roubam o significado do simples
Como água e janela, quando a chuva bate tenaz à janela
Tempos modernos e certas palavras não podem ser ditas
Por mais que a foto estampe o fato, notório, inconteste
Não diga “belo índio”, pois disseram que é depreciativo
É indígena. Pois então indígena filho da puta, isso pode
O amigo, que nem sabe onde é a África, afrodescendente
Não, as palavras não são feias, feia é a intenção ao usá-las
Dirão que certas palavras são para serem posta no armário
Não nos diálogos, nestes, há que escolher, mas não ideias
Quando as velhas árvores em que brincávamos no passado
Não forem senão uma lembrança, os apelidos que dávamos
Aos amigos virarão crimes irreais, uma mentira inventada
Bulling: um estrangeirismo, pomposo, feito só para regrar
O poder é o machado que dizimou a nossa simplicidade
Ruas sonham com o sol que a fumaça do poder escondeu
As frutas são colhidas verdes e untadas prá amadurecer
O homem pagará o preço de tanta mudança e inutilidade
O silêncio contará os segredos que não se queria revelar
Na turva memória dos invernos o mundo
ficou aquecido
Vive desordenado qual um sótão onde não se quer subir
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