Meu país, que ora te resta? Um trapo
soçobrado
Das lutas que não lutaste. Apagou-se a tua força
Gatunos e perjuros sugam teus recursos e boa fé
Abdicaram de tua grandeza, gigante desfalecido
Atribuem mentiras odiosas àqueles
que te servem
Aos mais humildes que creram nas promessas vãs
Restou a desculpa que são outros que
impediram
Não fossem cumpridas – é o engano para o lucro
Não te iludas, tais vermes desejam é ocultar a luz
Para fazer-nos crer que nós que somos os fracos
Talvez sejamos se reabrirmos a porta ao demônio
Meu país, não
culpes ninguém pelas tuas derrotas
A culpa é dos
que, por doze anos, são desgoverno
Pois o que ora
te falta, foste tu que o ofereceste
Asilaste de volta
ervas daninhas e o mal floresceu
Se o fruto está podre, foi que vermes encontraram
Um propício ambiente para exercer sua corrupção
É véspera de eleição, lobos se travestem cordeiros
Vampiros cheios de ódio, travestem anjos de amor
Andamos nas ruas, não vemos nada que apregoam
Invés de luzes, trevas; de fartura, fome;
de paz, dor
Ao avesso de liberdade,
vemos medo em todo lado
Mãos manchadas
de sangue de seus compatriotas
Vítimas por um celular, por uma corrente, um anel
Meu país,
terra onde os sabiás não podem gorjear
País de uma imprensa vendida e outra manietada
Onde os tribunais escolhem as verdades a se dizer
Porém, a despeito de todas as mazelas, meu Brasil
Permito-me, poeta e sonhador, nestas singelas linhas
Com minha fé em farrapos, sustentar bons valores
E, num fio de ilusão, crer que um dia vás levantar
Revoada, luz apagada
Sangue pelo chão
Mas lágrimas não
Cadê as flores
Chão crestado
São tantas dores
Amor derramado
E vem a morte
Luta impotente
Mas o poema
Não é por sorte
Nem é inocente
Cheira a alfazema
Sob o céu azul
Brilhará o sol
No hemisfério sul
Todo o arrebol
Rumo ao oriente
Com toda gente
Meu grito, no infinito
Ela foi uma
viajante que se achegou a mim num outono
Bailarina, tinha o hábito de caminhar na ponta dos
pés
Levava na bolsa incensos de lírio e tinha olhos curiosos
Facilmente descobrimos juntos o caminho para
sonhar
Tão breve, chegamos a um grande enlevo noite adentro
Cercava uma
névoa densa, que podíamos nos enxergar
Seu sorriso
brilhou qual um farol e mostrou o caminho
Ela fez meus pássaros selvagens chegarem a seu apogeu
Pousando
delicadamente sobre o convite de seus seios
Na noite, mesmo as promessas não feitas, se cumpriram
Bocas e membros se entrelaçam nos silêncios do desejo
Somos sobreviventes, dispensamos definições perfeitas
O céu cansado de estar só, exibiu uma
lua de primavera
Para nos iluminar, então ao seu lado fiz-me livro aberto
Para que, na sua nudez me descobrisse como quisesse
Entrei furtivo
dentro dela e habitarei a sua lembrança
Eu soprei minha luz sobre todos os seus medos e dores
Quando chegou o verão, ela se foi, sem ressentimentos
Qual é natural da andorinha voar quando chega o verão
Para num delicado balé, voltar
ao céu banhado de azul
De longe eu a
olho feliz pela história que me ofereceu
Ela será
eternamente a bailarina que me ensinou
a voar