segunda-feira, abril 24

O erro da matemática

Ela derrubou o seu corpo, o rosto perfeitamente maquiado
Do alto do edifício, levando na bolsa umas fotos de família
Que guardara, estrategicamente quando decidiu por partir
Em cada orelha uma pérola falsa, mas brilhantes como o dia
Na boca levou muitas das palavras que não foram (mal)ditas
E guardou em torno do decote, para alguém, a sua equação
Debruçada sobre o peito a frequência de sua própria queda
Levou também tantos adeuses, que nem os conseguiu somar
E nas pernas ficou o carimbo das cartas que nunca recebeu
Desprendido da pele num impacto surdo que só a queda faz
Isso é a vida, amor. Uma queda. Tentar agarrar-se numa mão
E ao descobrir a essência de tudo, soltar-se para, n’um salto,
Sentir a cidade que vem chegando tão veloz sob os seus pés
Nas linhas da dedicatória escrita com batom atrás das fotos
A mulher explica sobre essa escolha, mais curta para o chão
Por saber geometria, observa só bocas paralelas na sua vida
Pelo que conclui que tudo irá se juntar, somente no infinito


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