Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sábado, outubro 24
quarta-feira, outubro 21
Imagens Ao Pé Do Espelho
Ao final da tarde à medida que a luz
se faz uma ausência
A noite vem se distribuir sobre o
céu como uma memória
Não algo antigo e palpável de outros tempos conhecidos
Mas a extensão de um todo, onde início e fim é o mesmo
Mistérios obscuros que a só a noite plena poderá
guardar
Ao poema perdido na tarde, a chegada da noite o eterniza
E renascerá entre as
luzes noturnas auscultado pelo vento
O véu negro que cobre o céu à procura do gesto imêmore
Faz trespassar de milhares de brilhos de distantes auroras
E projeta imagens capazes de
coagular na essência esse véu
Jamais um verso escrito voltará, segue nos lábios do
vento
Rompendo a tristeza calma do silêncio que cobre teu
corpo
Distante do campo onde travei batalhas eivadas de
lágrimas
No canto direito daquele espelho que replicava
tua imagem
Trazendo em variações geométricas em frígidas imitações
Cultivo esparsos cantos florais, rumores ao som de
flautas
Um pensamento vivo em ti, se esquiva dos redis da tristeza
Para libertar as palavras do auge da trama que as
retinham
Para incendiar remotos segredos, iluminando nova alvorada
Para que, assim, o poema floresça livre dos
cárceres da dor
Recriando a esperança nos versos, de uma infância sem fim
Quais intermináveis sonhos d’outrora, aguardando um sinal
A noite projeta signos repletos de cor, ainda que
invisíveis
O fulgor cristalino e cintilância da
estrela que te tornaste
Para sempre musa, no sagrado exercício
de escrever poesia
segunda-feira, outubro 19
Profecia do Poema Vespertino
O poema que nascer pelas tardes de outonoVirá para eternizar palavras nos seus versosContando do que ouviu dos lábios do ventoJá secou o orvalho que molhara as floradasLágrimas e memórias, antigos sons de harpaEnquanto sigo na busca do gesto esquecidoQue pertence só aos corpos macios e gentisNos quais existe viva a eterna alma femininaO poema vai nascendo, para iluminar a noiteSe tem a cor da aurora, o sabor é de poenteConquanto nasce por mim, não me pertenceEscreve para homenagear nomes esquecidosAté mesmo os anônimos de portos distantesSegredos de nossos desatinos quase infantisQue fulguraram em nosso coração sonhadorE fizeram poesia do que seria apenas palavraOs versos do poeta são feitos de eternidadeMorrem toda noite, renascem ao amanhecerQue sussurra enigmas no silêncio vespertino
Nas Pás Do Moinho
Chegavas
pela última palavra enquanto a tarde se fazia noitinhaE tua chegada era qual um sopro da brisa vespertina dos verõesMas, se a morte jamais ergueu o véu que agora te oculta de mimÉ que tu não morreste, eu é que morri nesta fábrica de tristezas
O peito trespassado sob os céus amargos que só outono em abrilPois tu foste cumprir o silêncio do adeus, deixando-me o desterroEu sei que as pás do moinho da vida devem para sempre se moverGirando a mó mesmo sobre as preciosas memórias, reduzidas a pó
Volvendo em desertos a terra que antes era fértil e de promessasNão, não morre quem partiu, morrem aqueles quem um dia tocouA quem restará somente essa saudade dolorosa e nostalgia agudaSou tão parco sem ti, sou pedra sem brilho, num mundo só de dor
** recuperado 2015
As Rimas de Um Adeus
ClarasCarasRarasDiz-me porque parasTuasRuasNuasNeste sonho flutuasEnganosInsanosAnosQuais teus planosCoresFloresDoresAvise-me quando foresMeusTeusApogeusE assim disse adeus
** recuperado de 2010
De Todos Os Ocasos De Setembro
Como poderia perdê-laSe nunca a encontreiNão toquei-lhe meus dedosNem lhe fiz um afagoNão caminhamos pela cidadeNão pisamos a relvaNem sabemos a corDo ocaso de setembro
Como é possível perdê-laSe nunca pude vê-laSe meus braços não a alcançamNa raiva desta ternura remotaOu em minha alegria profundaDa esperança de conhece-laEla viverá eterna em mimNum ocaso de setembro
Como falar em perdê-laSe dela só conheço a falaSe não lhe senti o calorNem o doce dos lábiosNem o perfume de lilasesDe sua tez que não toqueiMas que habita meus sonhosDe todos ocasos de setembro
**recuperada de 2010
O Acaso Traz A Revelação
Há no ar um quê de espanto nas linhas do teu rostoJá não te é tão simples sorrir como sorrias
entre nósQuando o silêncio dava uma pausa no
ruído da cama
Eu, mendigo, pedia tua atenção, me querias o corpoA vizinhança, naquele pequeno lugar,
nos espreitava
Ao passo que eu cuidava de crisântemos
na varandaTalvez eu soubesse que não era amor, mas só ficçãoMas no cintilar do luar, trazia estrelas ao teu sorriso
Eu te supunha tão especial e hoje
nada nos distingueMendigas minha emoção, eu não a tenho, sei que dói
Mas tu não viste, na tua vez, quanto
me doeu um diaFomos anônimos na multidão, nunca nos
pertencemos
O rastro de nossos passos na areia a maré já apagouDo pouco que restou, só essa foto, que tu
guardaste
A fingir um fluído imaterial, um remedo de esperança
Tão imaterial, que nesta vida, jamais irá se condensar
O acaso, um dia, me revelou que teu querer
era irrealE eu aceitei a vida assim, nem sei a que te
abri a porta
Nem aspiro mais a ser herói de nada, ou te fazer feliz
É tua vez de aceitar, não há luar, não há
flores a cuidar
**recuperado de 2012
quarta-feira, outubro 14
Cego, Surdo e Mudo
De repente o
poema irrompe como uma flor violenta
Como estrela cadente desperta um choro convulsivo
Daquele ser, antes jacente como uma estátua pétrea
OlhoPor
Olho
Nesse silêncio
esmagado pela chegada do crepúsculo
Leva tantas palavras impronunciadas, na boca calada
De tantas ideias não pensadas que orbitam sua mente
DentePor
Dente
E num átimo tudo aflora, qual um festival, irrefreável
A se derramar sobre as finas linhas d’antes imaculadas
Letra após letra a pena hemorragicamente as desenha
DiaApós
Dia
Outros antes de nós, arquearam num heroico esforço
Tantas chagas nos pulsos por nem um minuto de glória
A vida posta em prova se esgueira entre o amor e a ira
CegaSurda
Muda
Neste meu mundo toda ascese, palavras e ódios breves
Se não podemos ser felizes que a tristeza seja exemplar
Tão pouca paciência, no meu relógio já é hora de partir
** recuperado de 2013
Quando o Medo É Seu Mestre
É a última vez trago à tua presença meus poemas descalços
Tal última homenagem às frases interrompidas fora de hora
À luz que a tua fuga apagou com vocábulos pálidos de medo
O poeta, tolice, que esperava a lucidez foi deixado à espera
Sem poder recriar a aurora para brilhar infinita no teu olhar
Restou na distância à deriva, sem terçar a alegria das tardes
Sem o amor que desejava plantar no terreno fértil do futuro
Aonde reside todo o bem daqueles que ainda têm esperança
Mas escolhestes melancolia, a angústia do que não se realizará
Eu queria que voasses nas asas da ave feita de sonho e de luz
Que seguisses sobre campos de flores perfumados de ternura
Um mundo que não coubesse os cinzas do aço e do concreto
Egoísta escolhestes, no entanto, nos legar caminho do silêncio
A ausência de noites sem desejo que sopra no vento haragano
Para nos quedarmos nos porões da vida com lírios de saudade
Qual se fosse essa a única medida que restasse a todos poetas
Não farás com que este poeta te esqueça no tempo implacável
Apenas tu viverás na sombra noturna crendo acostumar ser só
Oblivias que a solidão é viva e cresce a cada palavra não escrita
Um dia a ternura negada silenciará o amor, mas não finda a dor
**recuperado de 2013
Compêndio de Verdades Embaraçosas
Andando na vida, fui pateticamente romântico quase sem limitesAté onde fui e as asas destacadas de meu corpo pelas tormentasAté olhar-me fruto de todo arcabouço desta semeadura humanaPercorri espaços após espaços e ouvi as perguntas sempre iguaisPassei portas que fecharam às minhas costas qual fossem atalhosUma brevidade entre um século de silêncio e me chamaram poetaUm galardão que não me fez enaltecido, mas serviu para somenteLavar as mãos da dor acumulada como se fora a poeira do tempoFoi escrevendo que pude entender o que não entendi só ouvindoTantas crenças falsas no brilho das letras de grandes cabeçalhosSe espalham como um verdadeiro e fatal vírus a repetir a históriaNinguém se volta ao espelho já baço para admitir verdades durasDando preferência às miragens, ao certo bem mais complacentesNinguém expõe as ideias à luz ou as submete às rédeas da justiçaMas escolhe o eufemismo que atenua erros e assim chamar de féSustentando toscas assertivas, qual alcandorados sopros divinaisAssim cheguei à conclusão que a verdade de fato pouco importaAntes, aquilo que cada um se arvorou em verdade para ter razãoRazão essa qual, a alguns tolos ou insanos, vale mais que ser feliz
**recuperado de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)