quinta-feira, março 12

O Não Paradoxo

 

Dias e dias afora
Tão longa a estrada
A distância encurta
É no silêncio bruto
Que tua voz ecoa
É na noite sem luar
Que brilham estrelas
Quanto mais te cales
Tão mais que dizes
Quanto mais revelas
Mais o segredo flui
Quanto mais ocultas
Mais mostras de ti
 Quanto mais foges
Mais te encontro
Quanto mais me amas
Mais te amo também

 

Novomundo

 

Terá o mundo outra chance depois do que lhe fazemos
Teremos outra vida depois desta vida, tão vilipendiada
Tudo começar da infância, lá longe, em estradas barro
Cabelos fartos, corpos esguios a saltar pedra em pedra
Neve da qual as crianças farão bonecos, tão efêmeros
Qual foi efêmera esta passagem descuidada pela terra
Eivada de ausências, mais de adeuses que de chegadas
Aprenderão nossos olhos, não serem então forasteiros
Assim enxergarem que todas cores são de humanidade
Olhar o próximo sem sobressaltos, sem qualquer temor
E saberemos falar numa só língua sem construir babéis
Elaborada acima dos olvidos, de terem ouvidos ou não
Mesmo que o mundo seja outro, de menos crepúsculos
Onde seja sempre alvorada, passadas horas e anoitecer
Onde meu poema seria sem angústias, sem melancolias
Seria ainda flor, contudo liberto de todos os espinhos
Será que tu lá estarias, assim como estivestes por aqui
Tua pele macia, expressão cintilante e caminhar airoso
Teu olhar e a risada franca, serias ainda assim a mesma
E de tudo que mudar, que não mude meu amor por ti