Uma Chance ao Passado
Terá o mundo outra chance depois do que lhe fazemos
Teremos outra
vida depois desta vida, tão vilipendiada
Tudo começar da
infância, lá longe, em estradas barro
Cabelos fartos, corpos esguios a saltar pedra em pedra
Neve da qual
as crianças farão bonecos, tão efêmeros
Qual foi efêmera esta passagem descuidada pela terra
Eivada de
ausências, mais de adeuses que de chegadas
Aprenderão
nossos olhos, não serem então forasteiros
Assim
enxergarem que todas cores são de humanidade
Olhar o
próximo sem sobressaltos, sem qualquer temor
E saberemos
falar numa só língua sem construir babéis
Elaborada
acima dos olvidos, de terem ouvidos ou não
Mesmo que o mundo seja outro, de menos crepúsculos
Onde seja
sempre alvorada, passadas horas e anoitecer
Onde meu poema seria sem
angústias, sem melancolias
Seria ainda flor, contudo liberto de todos os espinhos
Será que tu lá
estarias, assim como estivestes por aqui
Tua pele macia, expressão cintilante e caminhar airoso
Teu olhar e a risada franca, serias ainda assim a mesma
E de tudo que mudar, que não
mude meu amor por ti
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