quarta-feira, junho 7

Nova Palavra

A palavra procura o papel qual pássaro que atravessa
O céu do crepúsculo sem deixar canto e nem marcas
Já alcançou aquele sonho na velocidade da realidade
O futuro nada é mais que uma atitude do dia de hoje
 
A palavra se projeta qual flecha atirada ao horizonte
No hermético labirinto de cruas vias no espaço-tempo
Em sua intenção reveladora e indefectivelmente letal
Tocar no que apodrece, libar à força venenoso olhar
 
A palavra é quando crisálida e também é se mariposa
Qual a semente busca terra fértil e cai no chão árido
Já crestado de pedras pela incidência das desilusões
Mas brota coberta de um ontológico manto piedoso
 
A palavra descreve paisagens semânticas e vida viva
Ou que habite um falso reino raras vezes idealizável
De folhagem azul, desmoronada fonte de água pura
Ou outra beleza mal inventada no sol do amanhecer
 
Quando a palavra fala de amor, fala só o eco estético
A frágil andorinha na eterna busca d’um verão fugaz
Por vezes morre vencida pelo inverno em meio ao voo
E a arqueologia não registrará seus corpos náufragos
 
A palavra-verbo acabará tendo a sabedoria do amar
Despojada de toda convenção estúpida e servilismo
Muito mais sábia que a imagem corpórea ou analogia
Sem linguagem e de ora em diante tão só no coração


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