Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
terça-feira, abril 28
terça-feira, abril 21
As Longas Voltas da Vida
Pela dura estrada dos dias
Nesta minha vida errante
Sob as árvores do bosque
Encontrei-a bela elegante
Ofereci-lhe o melhor vinho
E a taça repleta de amor
Ela não estendeu a mão
Disse esperar outros lábios
Negando a minha oferta
Eu segui estrada afora
Mas a vida gira sem fim
Passaram os anos e voltei
Ela já não é tão formosa
Parece cansada e abatida
Disse-me: cadê tua taça?
Meus lábios estão secos!
De pronto estendi a mão
Mas aqui não há nada, disse
Verdade, respondi sincero
Todo amor que aí havia
E um dia te oferecera
Dei a quem o apreciou
Viveu e morreu comigo
Levou consigo a taça
Hoje reside na memória
sábado, abril 18
Ode Aos Que Se Iludem
A solidão advém a quem ama aquela que não deveria
Que ame então sua solidão, pois não pode reparti-la
Não basta a escolha de um nome em sua imaginação
Acreditando que, por isso, o amor vai se materializar
Que a donzela de seus desejos surgirá plena e altiva
Mas em verdade, estará aprisionando o seu coração
Viverá na solidão que só as noites de frio conhecem
Estenderá a mão e apenas o que encontrará é o vazio
Em vão se debaterá buscando entre os lençóis frios
Algum vestígio que reste sob a chuva da madrugada
Peregrino solitário, caminhará por sombras absolutas
O caminho segue áspero e incerto, seja por onde vá
A ilusão é como a res malhada e dócil indo ao abate
Que insciente do seu destino, segue a pastar em paz
Nos campos, o revoar da passarada é quase um sonho
O bar da esquina é o manancial de estórias aos poetas
Eu idealizava meus poemas numa mesa perto da janela
De onde podia ouvir a brisa a farfalhar as folhagens
Alguém me oferece uma taça de vinho tinto barato
Sem rótulo e tão humilde qual fosse um franciscano
Reconheço-o o personagem triste, iludido e solitário
Que segue uma das mulheres da taberna com o olhar
Enquanto o vinho lhe enche o espírito de esperanças
Filha da noite e do desamparo, sei é a ela que ele ama
A cúmplice da solidão que o abraçará pela alvorada
Eu, sigo qual última sentinela da noite a colher frutos
Entre os transeuntes do bar neste outono de “el niño”
quarta-feira, abril 8
A Fábula dos Contrários
As sombras emergem ao leste, análogas a carvões azulados
Ainda quando
paradas são puro movimento no seu interior
Refletem-se no espaço, desdobradas da cor que têm à luz
Retornam com elas à unidade que é por princípio o corpo
Súbito
silêncio se concentra na imaginação, duplo aspecto
Para captar o ruído das sombras debruçadas sobre a terra
Uma antiga canção dorida do martelo que molda o
cobre
Corpo e forma de folhas rubras se perfazendo em figuras
À boca do fogo vivo que consome o carvão e aviva a cor
Por quantas portas passará a palavra portadora da beleza
Inserta nos
versos que narram a condensada fábula oculta
Em feixes individuais que têm o desígnio de abrir o círculo
Que antes se formara pela angústia, pelo medo e pela raiva
Fazem ultrapassar sua própria medida de tempo e de espaço
Enfim liberto de todos os disfarces e grilhões semelhantes
Flâmulas tremeluzentes saltitam amarradas diante do vazio
A multidão, na enganadora massa de seus corpos solitários
São pássaros com asas atadas arrastando os pés pelo chão
Preenche os
espaços com seus movimentos desordenados
Enquanto se aglomera ansiosa movendo a boca em silêncio
O dia chega afinal,
afastando os últimos pedaços da noite
A multidão deficiente
de destemor furta-se a ler o poema
Põe-se a falar
freneticamente disfarçada em sua máscara
Claro contra
escuro são os severos quadros que apontam
E se defrontam no campo aberto pela fábula dos opostos
Se espalham pela tarde para recolher alguma sombra vazia
Serão os
rostos solitários na arquitetura para outra noite
Enraizados de
passado, usam caminhos ásperos e amargos
O poeta que a
tudo observa distante, alforria seus versos
O poema parte, asas abertas para alçar voos
sem medida
Cumprindo, assim, a aspiração de ser o
pleno movimento
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