Café da Manhã
E assim a distância
suspirou arranhando as fronteiras do céu
Entre pilhas de papeis alvos onde virão a frutificar os
poemas
Velozes
estilhaços entre as mãos, flores multicores do jardim
Ouço o som cálido
do teu feitiço entre lençóis e sinto-me só
No silencioso ato
de lembrar-me de ti, de semanas a
semanas
Atormentado na linha do mistério, na parte sutil do devaneio
Ao longe te contemplava,
o teu perfume inundando as horas
Reviro minhas
gavetas cotidianas para que devolvam a calma
Para rever teu o sorriso perturbador, cachecol xadrez solto
Qual os
canteiros verde-escuros e seus malmequeres
ocultos
Busquei a
verdade como quem ouviu o som da chuva caindo
Mas o sol luziu na sacada sobre a roupa pendurada no
varal
Senti-me um estrangeiro neste mundo de colarinho
engomado
Camisas de brancos
virgens, que guardam tão pouco de mim
Mas amo teus lábios
de papoulas que me saúdam sem
limite
São o ópio que
me entorpece, o porto seguro de meu abrigo
Os anjos sussurram-me arcanos nesta noite em que te recrio
Na minha
linguagem de palavras sombrias,
de bolas de cristal
Passo a passo,
enfim compreendo tua necessidade de
ir e vir
Porém hoje te vim
buscar, já não me basta te ver num sonho
Quero o calor de nossa cama indormida até o café da manhã
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