Se escrever é fazer mágica, sou um mago; se for transformar, sou alquimista; se for dominar mistérios, então sou bruxo. Vim transmutar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento quiser levar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sábado, fevereiro 28
terça-feira, fevereiro 24
2126 - Lembranças do Amanhã
Passados cem anos que atitude esperar
diante do poema
Letras tão hábeis
outrora de arrancar
lágrimas e sorrisos
O que se pode oferecer se nem a cinco minutos
sabemos
Serei um gênio ou somente mais um entre
os esquecidos
Como a volúpia esmaecendo débil após o
transe do gozo
E nem porque mal redigido, na sua
conveniente estética
Posto que feito às
custas de sangue,
suor e de lágrimas
Mas porque nada
mais é durável
nas páginas da tal web
O poema será o cavaleiro, pois, despido
da sua montaria
Obrigado a caminhar
a pé todos os caminhos
do existir
Por onde caminharão
as gerações sem peitos maternos
Em nome de duvidosa estética que a
internet preconize
Sem o acolhimento de que o poema é sua
doce memória
Até quando fará sentido o sacudir de
punhos cerrados
E o violar do silêncio como só poema fora um dia capaz?
Acredito em ti que
“Bilac” sequer
tenha sido esquecido
Mesmo visitando há mais de cem as “Colombos”
da vida
Todavia sem os malditos ‘influencers’ e
‘blogueiros’ vãos
Sem os arautos do esquecimento e do
imediatismo fútil
Onde as asas de pássaro do poeta não têm
mais sentido
Nem o prodigioso cheiro de tinta do livro recém aberto
Vivemos um tempo de equilíbrio instável das fake-news
Estéril de emoções e afagos, pleno de
lágrimas e olvido
terça-feira, fevereiro 10
A Pitoresca Saga de Eleutério Paixão
Apolinário cabelo desgrenhado, de terno despareado
De uma linguagem subtraída da compreensão comum
Guardou na gaveta todas as perguntas irrespondidas
À margem da
vida, já rumando pra antessala da fome
Debaixo da sombra que a melancolia coletiva definiu
A alma de quem caminha só entre moinhos sem ventos
Vive alheia a quem ou o quê nesse
inferno de lágrimas
E colher as frutas
amargas que, todavia, não semeou
Essa espera infindável de antes desespero
que solidão
Como é doloroso morrer, quando se permaneceu vivo
Não é o medo à beira do poço, mas de erguer-se e ser
Porém apenas um monte de carne e ossos que ambula
Ouvir a batida densa do coração, tudo mais é
silêncio
Imaginar-se arredio a tudo e ainda ao alcance da vista
À revelia de tudo que acontece, mas não do que sabe
Isolado no
abandono fatal, do qual não pode escapar
Sei que todos nasceram separados, mas nem por isso
Que se deve dobrar a aposta e seguir assim segregado
Por caminhos onde a esperança nunca tenha trilhado
Habitante de uma festa imaginária ao alucínio do dia
E naquela
viela de casas alquebradas e tijolos a vista
As luzes tremeluzentes emprestam um ar agourento
Como se algo se fizesse permanentemente a espreita
Tão longe se vão os coros das cantilenas dominicais
Estações que
não sentia na boca esse hálito amargo
Agora tão só suporta, resoluto, todos esses subsolos
Com a nitidez de
quem, reuniu os laivos de coragem
Entre um resto de encarnação e assobia uma canção
Caminha entre uma lágrima e outra, sapato de couro
Que arrasta sem ritmo, buscando o ar que lhe falta
Pensa que no fim do mundo haja u’a chamada geral
Aprumará o peito, metade angústia, metade
rebeldia
E qual último
morador do silêncio, ensaia um sorriso
Vai altivo augurando a vinda de tempos sem guerras
Leva na mão o último exemplar d’um livro de poemas
quarta-feira, fevereiro 4
Viver à Beira-mar
Quando o poemaAparece na noiteE tudo é o caosOlhares planosSentimentos curvosCéu sem luarNuvens a trovejarNo solitário poetaTudo transmutaEm sua desordemCalando o silêncioO vento flácidoAs estrofes de poesiaDe versos sem rimaPara curar feridasSecar lágrimasSemear estrelasRevoar os pássarosNo beijo salgadoDe viver a beira-mar
A Geometria da Iluminação
Quando a luz paira sobre a palavra, primeiro
a geometriza
Nenhum enigma ou seita permite ver a
sombra senão a luz
Dessa mesma operosa
arquitetura, germina o canto poema
Com a força do
aço se organiza e
constrói com cintilação
E o faz a transmutar o equilíbrio do pensamento
em ação
Éter que afronta o sólido, opostos, porém
não se afastam
De uma mesma trama universal, a fuga dos
sonhos ao real
Uma só verdade, contudo observada de
distintos prismas
O poema desloca
o fluxo da imaginação
ao que é palpável
Confere ritmo à beleza que exalta, em
feixe alado de cor
Mas dela se desprende e modifica a contemplar
a solidão
Infundindo-lhe alento, até em
ponderações mais gravosas
Pois, em seu fio aguçado de metal, é manifesta harmonia
A luz poética mergulha no recôndito, se
conjuga no ouro
É qual argila ao oleiro e o fole que
atiça fogo ao ferreiro
No entanto tão fugaz, ar e basalto em momentos
ínfimos
A palavra quando emerge
na noite, rompe todo equilíbrio
Condensa em mito, belo e cor
o que poderia ser o vazio
Dando à visão o
esplendor que desponta
com perfeição
Para desenraizar da alma amores insonsos, frios e finitos
Torna insignificante
o tempo que se conta no
calendário
Elide o negror da
surdez, apaga
caminhares infrutíferos
Na noite a música
suave,
leva
o pássaro a voar
novamente
Afastando o silêncio, reacende o eterno sabor pela vida
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