Reforma
Quando a luz paira sobre a palavra, primeiro
a geometriza
Nenhum enigma ou seita permite ver a
sombra senão a luz
Dessa mesma operosa
arquitetura, germina o canto poema
Com a força do
aço se organiza e
constrói com cintilação
E o faz a transmutar o equilíbrio do pensamento
em ação
Éter que afronta o sólido, opostos, porém
não se afastam
De uma mesma trama universal, a fuga dos
sonhos ao real
Uma só verdade, contudo observada de
distintos prismas
O poema desloca
o fluxo da imaginação
ao que é palpável
Confere ritmo à beleza que exalta, em
feixe alado de cor
Mas dela se desprende e modifica a contemplar
a solidão
Infundindo-lhe alento, até em
ponderações mais gravosas
Pois, em seu fio aguçado de metal, é manifesta harmonia
A luz poética mergulha no recôndito, se
conjuga no ouro
É qual argila ao oleiro e o fole que
atiça fogo ao ferreiro
No entanto tão fugaz, ar e basalto em momentos
ínfimos
A palavra quando emerge
na noite, rompe todo equilíbrio
Condensa em mito, belo e cor
o que poderia ser o vazio
Dando à visão o
esplendor que desponta
com perfeição
Para desenraizar da alma amores insonsos, frios e finitos
Torna insignificante
o tempo que se conta no
calendário
Elide o negror da
surdez, apaga
caminhares infrutíferos
Na noite a música
suave,
leva
o pássaro a voar
novamente
Afastando o silêncio, reacende o eterno sabor pela vida
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