terça-feira, agosto 15

Vida que Segue

Chegaste até mim com a brusca leveza da garoa
De gotículas que, oblíquas, flutuam aos ventos
E minha demência dança ao orvalho da planície
Sem almejar nenhum sonho de glória impossível
É nesse delicado castigo sobre relvas verdejosas
Que convido tua cálida nudez cristal p’ra dança
Olvidando as lágrimas de medo, dor ou urgência
E numa explosão de cores, bailarmos pelo campo
Qual sorte que se lança, a provocar lembranças
Decifrei na tua boca as equações do verbo beijar
Luzes enfeitiçadas de tremeluzentes pirilampos
A iluminarem as curvas de teu corpo serpentino
Na paisagem coberta por nuvens em movimento
Os teus seios bem talhados me apontam o rumo
Para que se te fores e o verão vá partir contigo
Não creias que no frio do inverno me suicidaria
Enganas-te, pois tomado de imperdoável alegria
Sabendo que vais e voltas, qual a brisa da tarde
Perdoe-me se na real, eu preferir seguir vivendo


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