quarta-feira, janeiro 21

A estranha do lago


Uma trilha à beira do lago era meu passeio cotidiano
A primeira vez que a vi, era só uma silhueta na tarde
Quase uma sombra, muda, distante, de olhar perdido
Ela sonhava com o verde, na amargura que cultivava
Sua sombra caíra junto à arvore em gotas de solidão
E as folhas vermelhas, as tinha como um escapulário
Que carregou no peito por tantos amores náufragos
Lembranças frágeis da história de tantos desamores
Tudo isso se revelava em seus olhos, entre os cabelos
Ela escrevera um nome na menor árvore do caminho
Justo a que a primeira tempestade de outono levou
Um dia, semblante abstraído, caminhou ao meu lado
Num silêncio peculiar a quem esqueceu de si mesma
Enquanto a chuva surgia intensa sob suas pálpebras
Eu aceitei que caminhasse sem falar de suas dores
Ou de outra coisa sequer, desprendida e pensativa
Escutei seus passos incertos pisarem as folhas secas
Um dia ela partiu, deixou seu nome gravado na brisa
Qual cicatrizes efêmeras na superfície calma do lago
 

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