segunda-feira, janeiro 12

Bem-te-vi

Por aqui tem um pássaro que se chama bem-te-vi
Uma lenda diz que seu canto indica uma chegada
Porém outra diz que significa que alguém partirá
Quando ouço seu canto, sonho estar à beira-mar
Sob o céu coalhado de estrelas piscando fugazes
Quando a amargura vem, sou o bem-te-vi que voa
Desafiando a brisa com meneios suaves das asas
Em espirais, circulo sobre o mar que me sussurra
Do alto, as ondas já não parecem tão imponentes
O belo oceano a meus pés, mas é hora de retornar
Sem pressa, me esquivo do vento sul para pousar
Um chão gravado de histórias de amores sem fim
Assim vivi a imaginar que nunca teria que morrer
Amei, umas vezes, como se não houvesse amanhã
Chorei, por que o amanhã chegou rápido demais
Também ri, com lembranças felizes que guardei
O cantar do bem-te-vi não expressa as chegadas
Tampouco, não significa nenhuma partida enfim
Qual o pássaro, canto alheio a todos infortúnios
Meu poema é assim: efêmero como são as vidas
Outras vezes, dirão, eternos como só a morte é




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