terça-feira, janeiro 20

Q

 
Quando a noite avança em ondas, a negra maré
Quão profundo teremos que mergulhar na alma
Para encontrar um anjo nessa névoa angustiosa
Até que desapareçam as lágrimas e nos entregar
Qual pássaro a voar sob o imenso negro oceano
Coalhado de infinitas plêiades de estrelas vivas
 
Quantas vezes devemos nos ferir para ser unos
Será que se pode amar alguém depois da morte
Pois tanto amor não poderia acabar com a vida
Os cisnes nadam na alvorada depois das chuvas
Como quem se despede do resto de lua noturna
Quando a imaginação quer alcançar dias irreais
 
Quanta rocha devemos brunir para ver beleza
E o relâmpago cintilar os sonhos mais secretos
Na calada da noite derretendo-se como o gelo
Esvanecendo a linha que divide o céu e o mar
O fogo mágico venceu todas margens e limites
E num único gesto azul, demoliu o inacessível
 
Quando os caminhos tornam íngremes demais
A bela donzela é memória no cantar distante
E velhos demônios se escondem bem no fundo
Nós enxergamos sem ver, escutamos sem ouvir
Sem saber que o azul do céu reside só na alma
 
Muitos vivem com uma máscara, com água até o
pescoço, no ócio, contemplação negando a vida


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