Quando a noite
avança em ondas, a negra maré
Quão profundo
teremos que mergulhar na alma
Para encontrar
um anjo nessa névoa angustiosa
Até que desapareçam as lágrimas e nos
entregar
Qual pássaro a
voar sob o imenso negro oceano
Coalhado de
infinitas plêiades de estrelas vivas
Quantas vezes
devemos nos ferir para ser unos
Será que se
pode amar alguém depois da morte
Pois tanto
amor não poderia acabar com a vida
Os cisnes nadam na alvorada depois das chuvas
Como quem se despede do resto de lua noturna
Quando a imaginação quer alcançar
dias irreais
Quanta rocha devemos brunir para ver beleza
E o relâmpago cintilar os
sonhos mais secretos
Na calada da noite derretendo-se como
o gelo
Esvanecendo a linha que divide o céu
e o mar
O fogo mágico
venceu todas margens e limites
E num único gesto azul, demoliu o inacessível
Quando os
caminhos tornam íngremes demais
A bela donzela é memória no cantar
distante
E velhos
demônios se escondem bem no fundo
Nós enxergamos sem ver, escutamos sem ouvir
Sem saber que o azul do céu reside só na
alma
Muitos vivem com uma máscara, com água até
o
pescoço, no ócio, contemplação negando a vida
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