terça-feira, abril 28

A Infinitude de Teu Encontro

As noites ainda eram alguma coletânea de horas finitas
Um rio de margens tortuosas com seus musgos outonais
Tempos de nebulosas imemoriais, foi quando te conheci
O silêncio ocupava os arrabaldes d’uma existência linear
Época de angústia e de arvoredos de folhas alaranjadas
Saíste de algum universo paralelo e reinventaste os dias
E eu acreditava tu estarias além das minhas pretensões
Vieste e fizeste luz, reordenando todas minhas moléculas
Vieste e alinhaste todas partículas díssonas de meu caos
Desde que respiramos do mesmo ar, os mesmos segredos
Fomos saborear na mesma taça do vinho da convexidade
Acolhi teu peito em meu peito, tua armadura de tulipas
Ainda que balancemos por vezes na corda rude do medo
Sem, contudo, nos deixarmos padecer nos abismos da dor
De asas abertas, voamos contra os ventos da desilusão
Nossas bocas unidas inundam-se em espirais de desejo
E meu corpo fugitivo encontrou guarida em teu corpo
Subjugando, assim, os invisíveis muros postos na estrada
No livro do existir teu nome foi indelevelmente gravado
Depois ti nada é irreal, seja no sonho ou seja cotidiano
São teus olhos dando significado a palavra eternidade


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