Um mar, outro lado da linha do
equador
A noite que te oculta é o sol que me luze
Mas que não o
vês desse lado do oceano
Estás tão
distante o mundo é tão grande
Aquele tom violeta nos céus vespertinos
A dizer que é a noite que aqui se chega
A tormenta já se foi, as nuvens
calaram
De que adianta se não te tenho comigo
A vela branca corta a visão no horizonte
Vai, norte a sul, quão ligeira e silenciosa
Na embocadura do canal, a garça pousa
Igualmente silente, também a olhar o mar
Sob este sol, sou
a singela figura solitária
E o amargor se me esconde nas entranhas
Que revela a imagem de homem cansado
Ensimesmado com
lembranças d’antanho
Só o sol deveria brilhar neste país tropical
Mas eu nasci no limite d’um maio outonal
Ao sul do equador onde houvera palmeirais
Sou só os escombros de um ser angustiado
Que contende uma guerra em seu interior
E o silêncio de tua lembrança toma espaço
Do colorido de
pássaros que já esmaeceu
A velha casa hoje está vazia, a noite se foi
Adeus ondas, adeus palmeirais, brisa do mar
Sem cessar essa dor, o poema é ponto
final