Minh’alma
rasteja por estas noites de chuva
Desertando da lógica e todos meus sentidos
Não são águas de verão em que o céu chora
Chora porque sabe tu não estar ao meu lado
A vida vai mergulhada neste rio de lágrimas
E se afoga entre as sombras de tua partida
Na cômoda, teu retrato esmaece a cada dia
No vazio das paredes toscas do meu quarto
Vivo escravo meio a lembranças de
outrora
Insidiosas me cercam e devoram todo
ânimo
Na tarde fria que a chegada de março traz
Sinto que me encontro num covil dos tolos
Teus olhos distantes, são tão vivos em mim
Como são os teus cabelos soltos ao vento
Sinto a textura de tua pele clara qual a lua
E de teus lábios carnudos tocando os meus
Essas imagens na memória parecem tão reais
Tão intensa é a vontade de te ter de volta
Que te guardei em mim, como meu tesouro
E assim te reinventar como eu sempre quis
*Poema resgatado, escrito em maio/1990.
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