Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
segunda-feira, agosto 26
segunda-feira, agosto 19
Humanos
Vida de cada diaAs máculas cotidianasImporta perder-sePara nos encontrarmosMorte de cada diaUma falsa purezaInutilidade ou salvaçãoBeneplácito perdãoDia de cada diaCorre-se a compartilharGestos, invencionicesCegos da verdadeVida, morte, diaNão sendo perfeitaA raça humanaPerdoa-se em Seu nome
segunda-feira, agosto 12
O Todo
Anuncio aqui um poema desenraizado do silêncio
O silêncio que mais que silêncio se fez
melancolia
Na angústia
inquietante que veio com tua partida
No contraste
de quando chegaste tão lentamente
Partiste tão
de repente que não pude me despedir
Qual as ondas colidem
bruscamente nos rochedos
E se vão como
espuma branca que parte tão veloz
Partiste tão rápido
que até os pássaros se calaram
Também as
flores do jardim já começar a murchar
Mas tu
descobrirás amiúde, toda a dor da solidão
Em meio ao
festim na soturna dança dos oráculos
Ou quando se
recordar dos ritos entre arvoredos
Saberás dos
meus caminhos nas palavras do vento
Enquanto a tarde
exala um cheiro de terra úmida
Não olvides
que minha voz não estará à tua porta
Quando te
fostes, restou o desafio da melancolia
Recorda, pois
não foi fácil me desgarrar de tanto
Quando teu
nome era o único signo da esperança
Mas isso se
foi, hoje pisas entre as aves de rapina
E assim te distanciastes
das dimensões iluminadas
Se o tempo se fez teu inimigo, a mim não intimida
O poema não se faz de palavras esquivas e fugazes
Na busca celeste e límpida da germinação do jogo
A poesia não é
o meio ou a extremidade, é o todo
terça-feira, agosto 6
Cúmplice
O perfume cálido do jasmim preenche o ambiente
A selva lá fora enorme, aqui um
fragmento de sol
Em tudo fui criado em antigos rituais de inocência
O barulho da tarde, cresci no murmúrio da grama
Onde todas histórias vieram
dançar fronte a mim
Dentro da noite sou sombra, escuridão eloquente
Palavras ácidas que devoram o sigilo dos sentidos
Neblina que turva a visão, entorpece
os sentidos
Mas em cada verso sobrevive um abraço
apertado
Ainda que para vencer a estrada, sigamos
pisando
A lama enxarcada de lágrimas
sob a lua de agosto
Do cadafalso, da guilhotina, da videira e o sangue
Da história repetida, o louvor apagando o
aqui só
Mas o ontem
ainda está vivo, ileso no seu pedestal
A boca cheia de estrelas, negando nosso inferno
O poema é a cicatriz que ficou onde era a ferida
O eco indiscreto repete
o que não deve ser dito
Na rua quatro, no jardim na
esquina com a cinco
Divago, sentado à janela, com a caneta nas mãos
Entretanto, calar-me não me afigura ser possível
A mudez é aquilo que em si nos
torna cúmplices
quinta-feira, agosto 1
Quando
Nem sei onde o
relógio parou para contemplar eu te despir
Sei que o tempo não
anda desde ver o teu corpo escultura
A lua se acanha no
brilho do teu sorriso luminoso de felina
Amanheço, mas não do
sonho do qual és infindo manancial
Doo nosso abraço,
acima da linguagem, a construir o verso
Para não ferir as
palavras, sob a maravilha de tua geografia
Nunca a vida verá
beleza tão pródiga sem clamar teu nome
Nunca uma beleza
humana fará como tu silenciar-me a voz
Senhoria de minha
vontade entre o relâmpago e a calmaria
Estas são
substâncias impecáveis nas esquinas da memória
Imagens rubras de
ócio e volúpia, o manto de seda diáfana
Só o que te cobre, enquanto sorvemos o azul do horizonte
No
abrigo do teu colo, nada neste mundo é dor ou tristeza
Pelas estradas de peregrino avanço mais lúcido que nunca
Porém é chegada a
hora de vestir teu jeans então partires
Mergulhar na selva
de concreto profunda, além do jardim
Onde semeei tuas rosas, onde sou a videira e tu és o vinho
Onde na brisa da tarde, os pássaros murmuram teu nome
Onde
eu espero o relógio parar de novo por te ver voltar
terça-feira, julho 30
Ocaso
Sigo cabisbaixo por entre lugares aos quais não pertenço
Este mundo de suspiros que calam na
minh’alma inquieta
O vento de outono que sopra
da serra quando o sol se põe
Assobia uma triste
melodia para a beleza do cair da tarde
Meus pensamentos viajam como
uma revoada de pássaros
Que vão se recolher piando queixumes em meio às árvores
Com o olhar penetro as camadas de neblina vesperal a cair
A dança da chegada da noite
se repete efêmera a cada dia
Na minha solitude sigo os últimos laivos
rubros do ocaso
No vazio desta jornada inglória de memórias
tormentosas
Não há consolo aos heróis vencidos, só um
silêncio infinito
Que se quebra somente com o estalar de passos na calçada
Enterro minhas ações em meio às folhas caídas no caminho
Meu espírito desarticulado já não reconhece o que é amor
Sacudo os sonhos, toco as flores ando pelos quatro cantos
Queria tanto situar-me onde mereço, mas só há escuridão
A noite
A noite brota
entre o arvoredo com seu sorriso escuro
Contagiando o
dia com uma amargura cega e assombro
Sequestrando o
brilho solar do alto do céu emudecido
Envolve todos
os olhares cansados com seu manto gris
A noite desperta os esquecidos pelas mesas dos bares
Aos copos e papéis, ébrios e poetas voltam seus olhos
Pela calçada
da noite, caminha o luto dos
extraviados
Levando nas costas dores vãs em seu passo de sombras
O negrume da noite esconde os prantos e as desilusões
Ecoando o canto dos menestréis no abismo da solidão
Enquanto os
cães ladram aos barulhos anônimos da rua
E os gatos negros
ganham, altivos, os muros e telhados
A noite pare esquinas,
suas meretrizes de pouca roupa
Tropeçando nos
miseráveis embriagados nas ruas sujas
Fazendo apagar
as luzes na janela das casas sonolentas
Onde se ignora
o brilho surdo das milhares de estrelas
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