Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
quarta-feira, setembro 25
quarta-feira, setembro 18
Sideral
Não importam a
penumbra, as sombras da noite, a escuridão
Estarás sempre
à minha vista por mais que eu me
negue a ver
Além das
imagens de quaisquer outras que eu tenha tocado
Ou dos amores que
eu tenha tido depois que tenhas partido
Pois que fomos
o relâmpago fugaz que antecede o estrondo
Um alaúde de
desconsolo que naufragou pela impertinência
Dos teus modos maliciosos e das tuas suspeitas
infundadas
E te tornaste a
tortura sufocante em minhas noites insones
No teu oceano
sem horizontes que dilacerou meus sentidos
Tuas ideias
incompreensíveis sobre a posse de meus poemas
Foram qual maldição
funesta a meu ser imperfeito, humano
Ainda assim, posso afirmar que eras apenas tu, sem desvios
E assim tu permanecerias
até os últimos dias de tempestade
O romance que desejei
fosse a história das mil e uma noites
Nascido numa primavera, mal avistou as fronteiras do verão
Desprezaste do meu sentimento visceral, universal, sideral
Para retribuíres
com o hálito sinistro dos negros
pesadelos
De desamor e loucura me alucino, morro e
renasço das cinzas
Com magia criei
o indecifrável, o poema abrigo de cada dia
De tons e sons
angelicais fiz da solidão a melhor
companhia
quarta-feira, setembro 11
A Carta (O Barquinho Vai)
Tenho nas mãos
tua carta (e a surpresa que a tenhas escrito)
Olho-a
tristemente e lembro muitas histórias do meu passado
Sei que não
vês, que não sentes a emoção, nunca a sentistes
Devo confessar
que não a abri, tampouco não prometo abrir
Espero estejas
bem na tua ausência que nunca fora só física
Sei que o
inverno por fim chegou até ti e assim te faz sofrer
Mesmo não
desejando teu mal, todavia, isso não me importa
Como naqueles
dias importava, demais até, cada suspiro teu
Ah a paixão,
essa mania dos tolos e dos poetas (e sou ambos)
Olho para trás
e observo as dunas que se elevaram entre nós
Desérticas,
intransponíveis quais as tuas frívolas promessas
Eivadas de
palavras polidas na forma, quão vãs no conteúdo
É hora de
olvidar as aventuras, os sorrisos de cada chegada
Assim como
foram ao oblívio, as lágrimas de tantas partidas
O que afinal
poderias ter escrito que eu já não tenha te dito
E tenhas
solenemente ignorado ou, quando não, contrariado
Não vou negar
que há memórias inenarravelmente doloridas
Aquelas de nós
qual amantes, de nossos corpos extenuados
Mas as
sugestões dos amigos, te cegaram mudando os fatos
Para vê-los
qual quisestes: da pior forma que se o possa ver
Eis que à
carta que me destinas, cabe outro destino melhor
Seguir a
corrente que a chuva da tarde formou no meio fio
Em esmerada
dobradura à qual aceno o adeus que não deste
quinta-feira, setembro 5
Cristal
Tão tristesMargaridas arrependidasNo vaso de cristalMurchamNão há perpetuidadePercebes?As feridasO fio da lâminaO acorde femininoEntão o silêncioIludidasA vidaNão é de cristal
Sem respostas
Novamente é setembro trazendo a primavera
A chuva açoita as árvores que
vejo na janela
Ouço o vento e seu discurso
de monossílabos
As vozes d’antanho recitam
versos triturados
Lá se vão os irremediáveis
fantasmas da noite
Minha realidade se dilui em águas e sombras
A caneta sobre a mesa e as folhas em branco
São um convite irrecusável
meio ao labirinto
O poema desafia as horas que vão levar o dia
E o clarão do luar desafia a
incessante névoa
Chuva, névoa, tudo guarda um certo encanto
Apesar da nostalgia que fez o pássaro emigrar
O que afinal nos movia? Era busca aos frutos
Ou o salto, a queda, o voo
a desafiar o vazio
Escolhemos as palavras e
esquecemos os atos
A noite avança e traz suas fadas e duendes
Então me recordo do que
parecia impossível
Um dia tu não voltaste, negando a felicidade
Poderia até me enganar, dizer que não te
amei
Que a alegria que me vestia quando tu vinhas
Não era por ti, mas justo porque o sol
brilhou
Negar a volúpia que sentia ao beijar tua
boca
Que me despertava todo desejo e juventude
Mas como negar o que era claro como cristal
Quem éramos? Pela janela busco as respostas
Só vejo a chuva, com ela o silêncio e vertigem
E onde era sonho é o vazio de dias
obliviados
Na tua ausência o amor se esvaiu qual outono
Ficou ao passar um labirinto de folhas caídas
A história não narrada e o poema não escrito
quarta-feira, setembro 4
Olho-te
Olho-te e vejo uma ilha cercada de um mar agitado
Tua pele, qual a branca espuma,
se estende ao céu
Onde meus pássaros livres podem fazer seu bailado
E num mergulho inigual te contar de tudo que já vi
Olho-te e vejo em transe minha primeira comunhão
Sinto a culpa de me fixar nas
auréolas de teus seios
Que se me insinuam sob o vestido
de renda e cetim
Fazem-me sonhar habitar teu
fogo de lírios rosados
Olho-te e mesmo na distância te vejo no horizonte
E navego ao teu porto onde o sol brilha todos dias
Lá deitar-me qual se fosse a
grama serena da praça
Sob olhos de tal azul, que céu
algum pode igualar
Olho-te e não imagino porque existem
linhas retas
Se o contorno de teus lábios
é tudo que vale olhar
De um vermelho que me impede de falar, senão sim
Tanto quanto ouvi-los, quero calá-los com os
meus
Olho-te e sonho que pudesse ser o ar que inspiras
Ser a brisa perfumada das tardes vívidas do
verão
Sentir o tremor de quando te toca a minha
paixão
E dentro de teu coração sonhar que bate por
mim
Olho-te, só vejo a perfeição no dia de tua criação
És poema de filigrana invisível em cor e
inocência
Em desejo e luxúria, em beleza
e saber. És única
Nascida de um sonho, vives eternamente em
mim
Olho-te e vejo em tuas curvas perigo de me
perder
Porque não há caminho melhor
que teus quadris
Para fazer-me esquecer todos caminhos de volta
Na noite alta quando descobri que em ti sou
feliz
quarta-feira, agosto 28
Caracol
Eu poeta tardio,
minha voz tardia sem rimas ou razão
Tu sim, tinhas razão, eras a andorinha do meu verão
Eu só sei que não sou eu quem sonha nos teus sonhos
Nem me vejo nu
fingindo esconder-me dos teus olhos
Diante de ti,
nua, tão felizes ríamos só para provocar
Brincar com nossos
corpos nas tardes de sol a brilhar
Amava ouvir de
tua boca “não vá” se eu afobado saía
Deixando todo
esse azul entre nós na distância vazia
Tanto melhor se das promessas que fizemos, nem falar
Nunca mais ouvi
minha caixa de música mágica tocar
Em mim, teu confessionário
e me arrepender de nada
Eis que bastava duas salve-rainhas e a fita rebobinada
Sabias que meus
‘eu também’, queria dizer ‘eu te amo’
A verdade lúcida desse amor dispensaria um e outro
Mas mesmo quando
sabias que era real, querias dizer
Mas um dia tu não voltaste e. rude, o telefone tocou
A voz disse algo sobre teu coração que nem entendi
Pois era meu teu coração e eu não o permitira parar
Toda a alegria daqueles dias, transmutou em sombra
Já nem sei mais quem eu sou, sob este céu enlutado
Hoje o médico disse que não é caso de amnésia, mas
Eu trocaria a memória, por uma noite sem pesadelos
Então só pude descrever a expressão de meus olhos
Como o espanto do
caracol que cruzou a linha de sal
Assinar:
Postagens (Atom)