O poeta levantando numa esquina antigaA palavra por um fio, dissolvida no versoCristalina, desnuda de antagônicos usosE n’um trago alcoólico para esquentar-seCospe um sabor acre de dúvidas penosasPor respostas torturadas e ensurdecidasOlhos fechados para não hesitar e cantaMeu poema não se subordina a contextosDe empoeirados compêndios dissonantesEivados de mil edificações sintagmáticasNem se dissipa pelos dilemas do cotidianoOu no absurdo especulativo dos eruditosO poema surrealista, tão incompreensívelAos que escandem a estrofe
penduradaNuma argola, se abstraem de toda ironiaAmalgamada com o vazio das
entrelinhasPrescindindo, precocemente da verdadeE profundidade que o inesperado causaO poeta azevieiro ignora erros e triunfosIgualmente deletérios, que a
estrada trazAltivo, supera fadiga, sustos e as vigíliasCônscio que desta vida de empréstimoNada se leva senão o amor que se viveu