terça-feira, dezembro 2

Rumores

Num dia que parece ter olvidado de amanhecer
O bêbado sujo ainda se põe sentado no meio-fio
Os transeuntes o ignoram qual se fosse invisível
O sinal estivera sempre fechado para os que vão
Penso que choveria lágrimas não fosse outubro
Negros gestos, indiferença, isso já nem importa
O cinzel que ensartou sem terminar de esculpir
A verruma afiada, mas nenhum furo para fazer
E agora? Quão as ferramentas eram insuspeitas
Todos os ruídos como que foram sequestrados
Tanto imaginei viver um dia peculiar como este
E eu, poeta por vocação e ofício, assisto a tudo
Não espero minha obra em exposição no Louvre
Fadada ao pó e tédio dos dias comumente iguais
E se agora tenho só as sombras de algum abraço
Nos ouvidos ainda me retumba o rumor de risos
E a visão de teu corpo nu tal deusa adormecida

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