Apostaria na Poesia
Há pouco, a
noite veio segredar que tu voltarás
Tergiversei,
disfarcei, mas enfim, fingi acreditar
Então abri as
janelas e suas tintas descascadas
A quem a lua
finge emprestar seu azul prateado
Para olhar na
curva da estrada onde te vi partir
Não acho que
voltes. A noite mente ou inventa
Mas se fosse
prá apostar eu apostaria na poesia
Fingirei
esquecer o cio que percorria teu corpo
Quando eu me
punha a mirar-te e tu descobrias
Então vinhas
silenciosa, trazer beijos de veneno
Envolver-me
n’um apertado abraço de serpente
E já que
sempre fugiste de todo sentido comum
Não espero a
verdade nem nos oráculos do tarô
E se eu
tivesse que apostar, apostaria na poesia
Eu farei de
conta que não te esperei noites a fio
Que te ver
nada muda em mim, agita ou acelera
Que o sonho
não domina, o real que faz sentido
Nas frias
paragens indormidas dessa madrugada
Mas minhas
emoções mutantes se não me calam
Fazem que as
palavras neguem tudo o que digo
E se fosse
para eu apostar, apostaria em poesia
Imaginei a
poesia subjugando a morte, vitoriosa
Pondo-te em
meus braços, sem te deixar partir
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