Ó Poema
Ó poema, nesse
teu sonho de nuvem aquieta-me o pranto
Sou
prisioneiro desta angústia que desponta no horizonte
Bato às portas
fechadas do bem querer, estarás a dormir?
Não ouço o
doce tilintar dos cristais estendidos ao vento
Nem o canto do
pintassilgo nos ramos pálidos da amoreira
Abre-me as
janelas às auroras dos teus mananciais de mel
Mostra-me o
rumo nestes caminhos errantes de concreto
De volta aos
cálidos riachos nos vinhedos da brisa estival
Para juntar-me
aos pássaros em sua dança sedenta de ar
Ó poema
sonha-me um novo destino na canção vespertina
Minh’alma inda
lamenta sob o espelho da lua à meia-noite
Revive o fruto
de verdes soledades nos orientes maduros
Redime-me no
perfume das flores, no peitoral das janelas
Deixa
rescender pelos campos o cheiro da terra molhada
Ao fim da
chuva aprazível fresquíssima, pintes o arco-íris
Cantes
cânticos de desmedida melodia de sons e silêncios
Faz-me ouvir o
assíduo beijar terno das ondas à beira mar
Em meu peito
povoam ânsias secretas, na espada e o lírio
Ó poema,
derrama do teu doce orvalho neste meu delírio
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