Sexto Sentido
Decidi sair de
tua vida contemporânea e medíocre
Como é o dia
que não se põe o nariz fora da janela
Tuas atitudes
descuidadas e frouxas sem objetivo
Tua mão sempre
nervosa e teu habitual mal humor
Esses
mistérios cotidianos, que fazes de conta ver
A fronte
enrugada, a falsa umidade de teus olhos
Hoje
sobrepõem-se às ilusões, que me permiti crer
Quando minha
boca desejou os beijos de tua boca
Quando meus
ouvidos ouviam tua voz nas buzinas
Mas, veio a
chuva fria molhar meu rosto e acordei
Eu percebi que
nunca surfamos numa mesma onda
Nunca voamos a
qualquer céu na mesma corrente
Eu pensava-nos
juntos na onda ou voo, indivisíveis
Agora sei que
jamais sentimos o mesmo, invisíveis
Para ser
racional, enfim liberar meu sexto-sentido
Deixo pra trás
meus sentimentos espermo-uterinos
Meus sentidos
firmes, bem educados, jamais infiel
Vejo tua
figura se apequenando no meu retrovisor
E um sorriso
incontido brota-me atrevido no lábio
Um gosto raro
toma minha boca cheia de palavras
Como a pipa
travessa e colorida em busca do céu
É. O outono me
encontrou acariciando as nuvens
Nenhum comentário:
Postar um comentário