Palavras Encurraladas
Sei da morte
próxima, quando morrem as margaridas
O fato é
inevitável, mas ninguém idealiza por morrer
Gladiamos ao
espelho, obscuros prélios com as rugas
Ter o rosto
que nem é nosso rosto, se dita a verdade
Mas, não temos
a mesma assiduidade para os amigos
Olvidamo-os em
adversidade, cativos das aparências
Se não trazes
abraços, é melhor fechar o livro e até
No teu olhar
escuro, fulge uma tormenta à espreita
Todos sabemos
que a chuva é longa e o vento sopra
Podes abrasar
campos de relógios, o tempo não para
De nada
adianta se esconder, quando se é o predador
Se todo dia
cruzamos a duvidosa linha do bem e mal
De sentir
alívio por saber que há mais pobres que tu
Tereis largado
mão dos reais significados de triunfo
Só o fogo é
sempre jovem, ao voo de tantas línguas
Que caminham
devorando o que acham pela frente
Sua avidez
devora até fartar e suicida-se à beira rio
Mas a nós
resta tentar voar, na imaturidade do voo
Nuvem no céu
não é prenúncio de noites estreladas
Sobre a terra,
os restos do sol rubro ainda refulgem
Na minha
espera, a tarde redobra os aromas felizes
E eu que
queria não deixar as palavras encurraladas
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