sábado, março 18

Palavras Encurraladas

Sei da morte próxima, quando morrem as margaridas
O fato é inevitável, mas ninguém idealiza por morrer
Gladiamos ao espelho, obscuros prélios com as rugas
Ter o rosto que nem é nosso rosto, se dita a verdade
Mas, não temos a mesma assiduidade para os amigos
Olvidamo-os em adversidade, cativos das aparências
Se não trazes abraços, é melhor fechar o livro e até
 
No teu olhar escuro, fulge uma tormenta à espreita
Todos sabemos que a chuva é longa e o vento sopra
Podes abrasar campos de relógios, o tempo não para
De nada adianta se esconder, quando se é o predador
Se todo dia cruzamos a duvidosa linha do bem e mal
De sentir alívio por saber que há mais pobres que tu
Tereis largado mão dos reais significados de triunfo
 
Só o fogo é sempre jovem, ao voo de tantas línguas
Que caminham devorando o que acham pela frente
Sua avidez devora até fartar e suicida-se à beira rio
Mas a nós resta tentar voar, na imaturidade do voo
Nuvem no céu não é prenúncio de noites estreladas
Sobre a terra, os restos do sol rubro ainda refulgem
Na minha espera, a tarde redobra os aromas felizes
 
E eu que queria não deixar as palavras encurraladas


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