quarta-feira, dezembro 10

A Perda

Naquela tarde perdi bem mais que tua silhueta
Que ne esperava no portão quando eu chegava
Perdi o brilho de teu sorriso que longe avistava
Quando a luz do poente filtrava outros brilhos
Se fazia em risada franca com minhas histórias
Perdi tuas palavras sempre amigas e audaciosas
Que desde a primeira sílaba me renovava a alma
Tua voz parecia eterna povoando meus ouvidos
Perdi teus gestos harmoniosos que me acenando
Encurtava as distâncias na tua presença infinita
Quando teu aceno se transmutava num abraço
Perdi teu olhar em contínuo diálogo com o meu
Ilimitado, eloquente, duas esmeraldas a cintilar
Perdi a visão dos doces contornos de teu rosto
Tua beleza inabarcável de simplicidade perfeita
Sempre altiva, mas nenhum traço de arrogância
Por que teve de ser assim, sei é inútil perguntar
E assim nasceram estes versos a que estás unida
Pois nestas linhas, retomas a vida além da carne
Enganando a morte que quis me fazer esquecer

 


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