terça-feira, julho 14

Depois da Tempestade

 

Acendo uma lamparina com a qual abdico desta escuridão

Meus olhos já adquiriam a redondez dos olhares de felinos

Já posso ver qual face da moeda lançada no cara ou coroa

Que jogamos a disputar nossa nudez, entre taças ora vazias

Minha visão se estende e vai arranhando os cantos escuros

Nem de fósforo, nem lamparina. Reconheço tua respiração

Nem precisaria disso, sempre senti teu corpo junto ao meu

Recordo que antes da tormenta vieste bater à minha porta

Teu hálito sobre o travesseiro, o teu calor sobre meu corpo

Estiveste aqui, livre para ir e ficamos a essa frágil distância

Que a madrugada nos fez transpor tantas vezes em abraço

Para estar dentro de ti, enquanto a chuva açoitava lá fora

A luz tão só me confirma a memória de teu semblante feliz

Tão próximo que nossas bocas, se confundiram em uma só

Nem me importa o mistério da tua chegada, mas tua vinda

Foi como um porto seguro em meio a toda essa tempestade

Enquanto os raios triscavam o céu, aqui o real era tu e eu

Confesso que cheguei a temer não estares ao chegar o dia

Mas a aurora chega é tanta paz que voltamos a fazer amor

Para completar nosso mistério e sentir o esplendor da vida

Fazer que nossas vozes jamais virão se quedarem ausentes

Que a verdade se faça penetrar em todas nossas palavras

E mesmo depois da tempestade saibas quem sou e quem és

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