Depois da Tempestade
Acendo uma lamparina com a qual
abdico desta escuridão
Meus olhos já adquiriam a redondez dos olhares de felinos
Já posso ver qual
face da moeda lançada no cara ou coroa
Que jogamos a disputar nossa nudez, entre taças ora vazias
Minha visão se
estende e vai arranhando os cantos escuros
Nem de fósforo,
nem lamparina. Reconheço tua respiração
Nem precisaria disso, sempre senti teu corpo junto ao meu
Recordo que
antes da tormenta vieste bater à minha porta
Teu hálito sobre o travesseiro, o teu calor sobre
meu corpo
Estiveste aqui, livre para ir e ficamos a essa frágil distância
Que a madrugada
nos fez transpor tantas vezes em abraço
Para estar dentro
de ti, enquanto a chuva açoitava lá fora
A luz tão só me
confirma a memória de teu semblante feliz
Tão próximo que nossas bocas, se confundiram em uma só
Nem me importa o mistério da tua chegada, mas tua vinda
Foi como um porto seguro em meio a toda essa tempestade
Enquanto os raios triscavam o céu, aqui o real era tu e eu
Confesso que
cheguei a temer não estares ao chegar o dia
Mas a aurora
chega é tanta paz que voltamos a fazer amor
Para completar
nosso mistério e sentir o esplendor da vida
Fazer que nossas vozes jamais virão se quedarem ausentes
Que a verdade se faça penetrar em todas nossas palavras
E mesmo depois da tempestade saibas quem sou e quem és
Nenhum comentário:
Postar um comentário