sexta-feira, julho 3

Outono ao Sul do Equador

 

Um mar, outro lado da linha do equador

A noite que te oculta é o sol que me luze

Mas que não o vês desse lado do oceano

Estás tão distante o mundo é tão grande

Aquele tom violeta nos céus vespertinos

A dizer que é a noite que aqui se chega

A tormenta já se foi, as nuvens calaram

De que adianta se não te tenho comigo

 

A vela branca corta a visão no horizonte

Vai, norte a sul, quão ligeira e silenciosa

Na embocadura do canal, a garça pousa

Igualmente silente, também a olhar o mar

Sob este sol, sou a singela figura solitária

E o amargor se me esconde nas entranhas

Que revela a imagem de homem cansado

Ensimesmado com lembranças d’antanho

 

Só o sol deveria brilhar neste país tropical

Mas eu nasci no limite d’um maio outonal

Ao sul do equador onde houvera palmeirais

Sou só os escombros de um ser angustiado

Que contende uma guerra em seu interior

E o silêncio de tua lembrança toma espaço

Do colorido de pássaros que já esmaeceu

A velha casa hoje está vazia, a noite se foi

 

Adeus ondas, adeus palmeirais, brisa do mar

Sem cessar essa dor, o poema é ponto final

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