O Silêncio Imita a Inverdade
Compreendam-me
bem claro, o poeta não caiu das nuvens
Estamos na época da física nuclear e o poema segue vivo
Vão-se muitos séculos desde a Grécia,
onde eram deuses
Ora que a
camada de ozônio se esvaiu, são tempos outros
Tempos que não
há ídolos, apenas vocábulos intencionais
Invadidos pelos e-books que desnudam os livros em papel
Proibições de antemão quando se
queria uma poesia nova
O poeta é o homem cotidiano, no bar, na rua, nas praças
Agora, lavram as terras alheias, têm filhos que os renegam
Preferem ser corretores da bolsa, políticos ou algo assim
Daí que eu não escrevo por demanda a quem pague mais
Não tenho intento de iludir ninguém, o verso é
abstrato
Não para as
cadeiras acadêmicas, ao certo, diriam alguns
Mas esses sofrem é de silêncio, não porque falte a palavra
Porém falta a ideia que a respalde, qual espelhos sem aço
Não vim ditar moda, mas quero ser o reflexo desta época
Escrever poemas de rebeldia, para violar os equivocados
Para eludir o
sujo e o caótico, refugiados das
inverdades
Para ser poeta bem adaptado a este país, carecia
mudanças
Gostar do som de pandeiros, entanto prefiro as guitarras
Quero ver os bosques vivos e não as árvores derrubadas
Imaginar a vinda da primavera, mas o inverno vive
em mim
Caminho até a esquina e as sombras
enlaçam em meus pés
Admiro a noite, a inquietude que se envolve em
seu negror
Que ninguém a pode explicar e tampouco
se pode possuir
Recosto-me e vejo a noite se instalar, o vento é um abrigo
Os faróis estão acesos, sei que olhos repentinos observam
Antoine um dia disse que se vê bem com os olhos da alma
Talvez se eu tivesse um quê dessa ingenuidade irrequieta
Eu seria menos
irascível, contudo, sou sentimento
bruto
Sou o aço que não se submete à bigorna nem à lapidação
Caminho entre os transeuntes tão iguais, tão previsíveis
Assim se definiu desde o tempo que antecedeu a criação
O poeta é aquele
que descobriu a importância de existir
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