sábado, setembro 12

O Silêncio Imita a Inverdade

Compreendam-me bem claro, o poeta não caiu das nuvens

Estamos na época da física nuclear e o poema segue vivo

Vão-se muitos séculos desde a Grécia, onde eram deuses

Ora que a camada de ozônio se esvaiu, são tempos outros

Tempos que não há ídolos, apenas vocábulos intencionais

Invadidos pelos e-books que desnudam os livros em papel

Proibições de antemão quando se queria uma poesia nova

O poeta é o homem cotidiano, no bar, na rua, nas praças

Agora, lavram as terras alheias, têm filhos que os renegam

Preferem ser corretores da bolsa, políticos ou algo assim

Daí que eu não escrevo por demanda a quem pague mais

Não tenho intento de iludir ninguém, o verso é abstrato

Não para as cadeiras acadêmicas, ao certo, diriam alguns

Mas esses sofrem é de silêncio, não porque falte a palavra

Porém falta a ideia que a respalde, qual espelhos sem aço

Não vim ditar moda, mas quero ser o reflexo desta época

Escrever poemas de rebeldia, para violar os equivocados

Para eludir o sujo e o caótico, refugiados das inverdades

Para ser poeta bem adaptado a este país, carecia mudanças

Gostar do som de pandeiros, entanto prefiro as guitarras

Quero ver os bosques vivos e não as árvores derrubadas

Imaginar a vinda da primavera, mas o inverno vive em mim

Caminho até a esquina e as sombras enlaçam em meus pés

Admiro a noite, a inquietude que se envolve em seu negror

Que ninguém a pode explicar e tampouco se pode possuir

Recosto-me e vejo a noite se instalar, o vento é um abrigo

Os faróis estão acesos, sei que olhos repentinos observam

Antoine um dia disse que se vê bem com os olhos da alma

Talvez se eu tivesse um quê dessa ingenuidade irrequieta

Eu seria menos irascível, contudo, sou sentimento bruto

Sou o aço que não se submete à bigorna nem à lapidação

Caminho entre os transeuntes tão iguais, tão previsíveis

Assim se definiu desde o tempo que antecedeu a criação

O poeta é aquele que descobriu a importância de existir

 


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