segunda-feira, outubro 5

Sobre Sombras e Memórias

Setembro era o nome da cor de sua pele cálida
Outono era o som calmo de sua provocante voz
Ora, outono em setembro, é preciso dizer mais
Às vezes é preciso nadar tanto, quando se pensa
Até adormecer, penso tanto nela todos os anos
Às vezes até choro, quando me vêm essas cenas
De maldade, sem olhar para baixo fecho os olhos
Há milhares de sombras, anos de difícil respirar
Vou voar e respirar, te procurar por um fio, sabe
Sei que sabes que ainda teimo em viver, perdoe
Queria muito saber dela, ao invés de só imaginar
Quando o mar exibe suas ondas, espumas brancas
Como eu, passa num instante da calma à revolta
As horas são segundos e as aranhas fazem teias
Não uso mais aquelas roupas que reconhecerias
Olho as paredes de casa, parece que vejo melhor
Aquelas fotos que já estavam quase esmaecendo
Os papéis escritos espalhados pela escrivaninha
Em franca desordem, falam sem deixar o silêncio
Mas não mais, não agora, apenas silêncios tristes
Penso nela, por vezes é noite, queria ainda saber
Como é poder rir, sem notar o tempo que passa
Ríamos junto fazendo miquices frente ao espelho
Detrás d’um copo que insiste em não se esvaziar
Acho que o anjo da morte tinha as asas cansadas
Não foi então uma escolha quando caiu sobre ela
O anjo, acho, olvidou que prometera seria eterno
E assim, numa irreverência, decidiu levá-la de mim