Setembro era o nome da cor de sua pele
cálida
Outono era o som calmo de sua provocante voz
Ora, outono em setembro, é preciso dizer
mais
Às vezes é preciso nadar tanto, quando se
pensa
Até adormecer, penso tanto nela todos os
anos
Às vezes até choro, quando me
vêm essas cenas
De maldade, sem olhar para baixo fecho os olhos
Há milhares de sombras, anos de difícil
respirar
Vou voar e respirar, te procurar por um fio, sabe
Sei que sabes que ainda teimo
em viver, perdoe
Queria muito saber dela, ao
invés de só imaginar
Quando o mar exibe suas ondas, espumas brancas
Como eu, passa num instante da
calma à revolta
As horas são segundos e as aranhas
fazem teias
Não uso mais aquelas roupas
que reconhecerias
Olho as paredes de casa, parece que vejo melhor
Aquelas fotos que já estavam quase esmaecendo
Os papéis escritos espalhados pela
escrivaninha
Em franca desordem, falam sem deixar o silêncio
Mas não mais, não agora, apenas
silêncios tristes
Penso nela, por vezes é noite, queria ainda saber
Como é poder rir, sem notar o tempo
que passa
Ríamos junto fazendo miquices frente ao
espelho
Detrás d’um copo que
insiste em não se esvaziar
Acho que o anjo da morte tinha as asas
cansadas
Não foi então uma escolha quando caiu sobre
ela
O anjo, acho, olvidou que prometera seria
eterno
E assim, numa irreverência, decidiu levá-la de mim