Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
quarta-feira, setembro 15
sábado, setembro 11
Carta a Meus Filhos
De tudo que sabes, muito mais falta a saber
De tudo mais que ainda tu possas vir a saber
Não diminuirá a distância do que não saberás
Somente a humildade de reconhecer esse fato
Poderá diminuir um ou dois degraus da lacuna
Pois percebes que a cada linha que aprenderás
Descobres que faltam mais duas para aprender
Olhe teus inimigos com os olhos do coração
E aos teus a bons amigos, com os da razão
Só assim poderás perdoar quem te quer mal
E recompensar com justiça aos que te amam
Somente o perdão irá aliviar o peso sobre ti
Mas, não significa esquecer com quem lidas
Assim caminharás liberto e atento pela vida
Ama, verdadeiramente, a quem dizes que amas
Entrega-te. Na verdade, é o destino que conduz
Não faças promessas, ainda que possas cumprir
A surpresa de algo bom é mais feliz que a espera
Protejas sempre a verdade em tudo o que digas
Ajas para que a verdade seja carícia ao que ouve
E o corolário de teu caráter diante do juízo final
Vive de forma intensa acaso não haja um amanhã
Mas resguarda-te, pois a safra é do que plantas
Não tenhas saudades do passado se ido o tempo
O passado não volta e deve ser apenas uma lição
A vida é efêmera, deixes nada para o dia seguinte
Sejas previdente, te antecipes aos fatos possíveis
Os impossíveis o universo se encarrega de avisar
Ao fim, por mais que eu te diga como deves fazer
Apenas considera, mas faz como teu coração diz
O que te digo é apenas um entre tantos caminhos
Não me imites nem sejas espelho, sejas tu mesmo
Mas ainda sendo tu, podes lembrar estas palavras
Sejas justo e adequado aos teus princípios morais
Só assim serás senhor de teus caminhos e da vida
quarta-feira, agosto 18
Morrer de Amar
Porque por vezes me dás essa sensação de abandono, que te falta?
Sei eu não espelho a perfeição, nem perto disso, nem o que espero
Eu queria aprender a velejar nas tuas leis, mas não te compreendo
É sempre esse silêncio em que só tu que falas, mas não me escutas
Permaneces distante mesmo presente, chegas no corpo não a alma
Mesmo que eu me reparta em tantos não me entendes em nenhum
Tenho um pomar nos meus versos, delicados tal o pêssego maduro
Intensos qual o rubro das amoras, doce como as cerejas que colhi
Por vezes, reconheço, azedos qual o maracujá e ainda são só teus
Mas é a tua ausência o caderno onde escrevo os poemas noturnos
Enquanto as flores fecham suas pétalas e reservam seus perfumes
Nessa longa espera, até que o novo dia e outra espera amanheçam
Cada manhã eu renasço na esperança que ao chegar venhas a mim
Pois a paixão mora em mim, bem fundo em meu coração alucinado
Dessa minha adolescência tardia, que fiz só para estar ao teu lado
Descansa esse lado pedra, que te quero flor, para regar não colher
Tira das costas o peso de ficar em guarda, eu me inventei só prá ti
Depois vem, que tenho fome de amor, corpo e alma, vamos brincar
Correr pelas campinas, de mãos dadas, deitar na relva e apenas rir
Seguir pelo rio, rumo ao mar onde, enfim, eu possa morrer de amar
segunda-feira, agosto 9
730 dias contigo
Como poderia eu imaginar que há dois anos atrás o amor venceria
Noites tão imensas em um coração desolado a lamentar o futuro
Recordo que quase te perdi nos planos opacos que o destino faz
Hoje te precipitas em meus sonhos dos quais retiro estas palavras
Qual se pudesse extrair da linguagem algo do que significas a mim
Quando estás distante, penso que não existes senão em meus olhos
E que te imaginar minha é só a forma de abstrair o mofo das horas
És o pão de toda a ternura que me resgatou dessa solidão feérica
Que me incendiou a carne e também a alma nas transversais do dia
És aquela que deita minha pena ao papel me resgatando do silêncio
Que retirou meu coração da sombra que vivia no varejo das horas
Fazendo o sol comparecer em mim no oásis que és meio ao deserto
Ao teu lado sou menino e me cego às dores de dias ácidos e febris
Ainda resistem na garganta resinas amargas que contigo se diluirão
Anseio te dar o que for o melhor de mim, do que a vida me ensinou
Dar asas à ternura para planar em tua direção nos ventos do amor
Que seja leve e brilhante como a brisa entre as árvores nas manhãs
Se não posso mais, recebe este poema, fruto do bem que quero a ti
Flor da minha primavera, perfume das minhas flores, cor do meu dia
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