Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sábado, janeiro 15
quarta-feira, janeiro 12
Femina
Uma amiga morreu no lar onde devia ser
seu refúgio seguro
Sua lembrança me devolve às ruas da
infância, pipas e piões
Lembro-me da sua boca pequena confiada
a tantos sorrisos
Tempos que não haviam balas perdidas
ou punhais erguidos
Como se pudesse tomar distância dos
ardis da modernidade
Pela janela do trem, vejo a sombra a
contornar a paisagem
Rodas e trilhos são qual um tambor
desafinado no caminho
Conspiram cinzas ao passarem as
últimas praças com flores
São qual ecos do entardecer que se
embriagam pela cidade
A assustar cães vadios que comem
restos na beira do trilho
Onde também dormem os viciados
condenados ao fracasso
Essa paz ilusória oferece seu engano a
todos os impostores
Se o tempo não volta, a mão assassina
vem em duas rodas
A própria carnalidade se faz ameaçada
a cada desatenção
Políticos ou togados não! Sobrevoam o
mundo sem tocá-lo
É tão difícil quão não é prudente,
levar luz delatora a eles
Não são vícios na paisagem que
lastimo, sim o despropósito
O aço cravado nas costas da mãe
mulher, pela impunidade
Desculpas não logram enganar-me,
porque é hora de reagir
Não como lamento que chega
extemporâneo, sim aqui e já
Mostrar-lhes o ruído de nossas armas,
da caneta e o papel
São seis da tarde, o retorno da cidade
chega a seu clímax
Em um sinal oculto ou uma língua que
fale o idioma da luz
As noites vão e vêm e pessoas mendigam
um naco de Deus
E o respeito pela vida segue
abandonado, nu de intenções
A marca do corte, a ferida esquecida,
o gole frio do café
Cascalhos urbanos, o rosto da cidade
sobre a mesa do bar
sábado, janeiro 8
A Procura
Sigo em frente solitário diante da tempestade
E assim eu te procurei, por todos anoiteceres
Por todas as madrugadas silenciosas, sem luar
Quando o medo veio invadir as noites escuras
Enquanto as ondas se debatem nos rochedos
Instigadas pelos ventos insanos e enfurecidos
Mas meu pranto não é segredo à fúria do mar
Então te procurei entre amanheceres a revés
Só o espaço vazio restou sobre a areia porém
Ainda te vejo, pés descalços, cabelo ao vento
Olhos no horizonte e o sol a lhe dourar a pele
Um fantasma feito de memórias de belos dias
Deixa meu coração fatigado, a alma em pesar
O vento gelado anuncia mesmo que não estás
E sei que algo terrível aconteceu no caminho
Volto à minha cama vazia, se por sorte dormir
Então sonhar, sei que assim vou te encontrar
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