Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sexta-feira, março 10
Solene
Olhos que me
olham
A alma que me
sorri
Nos versos
desenho
Bela moça em
cristal
Esperando o
teu sinal
Minha angústia
solene
A me exigir
metáforas
Goteja
palavras chuva
Palavras doces
de sol
De ré, fá ou
si bemol
Ar e terra, o
sino toca
Em estranhas
sintaxes
Busca estrelas
a tocar
Musgo ao pé do
muro
De cabala e
esconjuro
O arco-íris
pela noite
Abre asas de
carícias
O fogo arde
devagar
Exala aromas
de flor
Moça quero teu
amor
quarta-feira, março 8
Rua XV
Na rua XV,
músicas e decepções vêm se misturar
Co’as mãos nos
bolsos ele anda na madrugada fria
Ele busca a si
sob o fulgor das lâmpadas amarelas
Do café pouco
adiante vem o som d’um acordeão
Que toca um
tango noturnal sobre dor e fracasso
A melodia
triste abriu-lhe duras chagas incuradas
Rompendo
amarras perigosas de lembranças vãs
Quem
recordaria velhas histórias de dias outonais
Outro bar, u’a
voz feminina canta ao som do piano
Fala de
vingança e perdão e a noite se faz tão fria
Fecha o
casaco: memórias são lâminas cortantes
Não há agonias
inéditas, as carrega tal parte de si
Vem daquela
esquina o solo de guitarra lamentoso
Falando de
dias imemoriais e seus amores partidos
Que destino
cantará no som que invade a calçada
Canta
insustentáveis tempos de romance efêmero
A solidão se
espalha na rua embriagada de boemia
Quanto segredo
a noite esconde em bares escuros
Quantas
histórias são ouvidas, nos palcos da noite
São almas
errantes a buscar os resíduos de sonhos
Não foi hoje
que ele encontrou o que veio buscar
Amanhã, quem
saberá o que a rua XV vai reservar
Poema Juvenil
Quando vi seu cabelo em cachos rebeldes uma luz
acendeu
As linhas de seu rosto a me fitar eram o caminho da
paixão
De seu olhar altivo, saltaram fagulhas ao cruzar com o
meu
Não se poderá negar que é o acaso que controla o
coração
Certos amores me trouxeram verões, muitos foram
invernos
Sem que a escolha me coubesse neste carrossel de
emoções
Dia e noite passam e os sentimentos que desejamos
eternos
Esvaem como fumaça, toda esperança torna-se em
aflições
Não foi diferente, nem poderia ser, não permiti fosse
assim
Tranquei todas as portas, não deixei-a se aproximar de
mim
Foi nessa estrada de espinhos que construí o meu
caminhar
Sem auroras, sem horizontes e sem alguém que possa
culpar
Meus erros, minhas escolhas, carrego a sina que eu
escolhi
Sabe-se lá um dia, eu aprenda dizer que sempre gostei
de ti
terça-feira, março 7
Estrela Mulher
Se caíste das
estrelas, de que bela matéria te fizeste
Às coisas
deste mundo, é fato, a nada te assemelhas
Todo ouro se
deslustra, no dourado de teus cabelos
Até o mármore
se entristece, por não ver musa igual
Pois na nudez
de tua pele terna, só à luz assemelhas
Na alegria
primeva do meu olhar, o prêmio de te ver
És qual se a
primavera se multiplicasse em flor e cor
E num momento
embriagante, o acaso trouxe-me a ti
Assim desejei
mãos suaves para revelar tua geografia
E que não
descubras antes da hora todo meu desejo
Desejei ter
sorriso nos lábios e provar o mel dos teus
Escolhi ter o
calor para abrigar a tua natureza felina
Vez que me
devoras, outra que aos beijos me revives
Pedi saber uma
língua que dispense o som ao te falar
E assim te
contar os segredos à orla de teus bosques
Qual
explorador, desejei estar contigo em mil sonhos
Em cada um
foste única tal como o és no mundo real
Quando te
deitas, o tempo se cala para não te acordar
E se passas, o
horizonte em silêncio assiste teu andar
Caminho a ti e
te fazer minha e nunca mais te deixar
Quase de
repente, as nuvens cinzas chovem copiosas
Pobre céu,
chora a falta de sua mais fulgente estrela
sexta-feira, março 3
Eu disse não
Parta comigo,
a vida não espera, disse ela a olhar-me
Não, não
deixes para amanhã, eis que pode ser tarde
Talvez amanhã
a última esperança possa estar morta
Pedi-lhe
perdão por haver amado, por haver sonhado
Pela fantasia
de querer sua boca úmida e flamejante
Só não pude
dizer-lhe que deixasse sua vida por mim
Desde então,
fantasmas sem rosto vêm me perseguir
Infinda
ausência estremece a alma alienada da noite
Choro neste
quarto triste onde as horas se alongam
Quando as asas
feridas do pássaro se partiram no ar
Quis caminhar
para renascer, quis cavalgar no vento
Fugir ao
inevitável anunciado na infinitude da agonia
Quero
restaurar minha fé nestes meus pensamentos
Avançar contra
a tormenta, expor tudo face a face
Labirintos que
o meu coração se perdeu, sem pulsar
E se a chuva
cair sobre mim, que de tudo me redima
Das minhas
lascivas fantasias de desejo e de pecado
Lembrando seus
seios perfumados, na noite de amor
Aos olhos,
bailam fragmentos de histórias insepultas
Que escorrem
no pó da estrada e não se pode voltar
Nenhum Adeus
Peço-te perdão não ter conseguido morrer em teu lugar
Por certo foram muitas as vezes que o tentei sem poder
Jamais foi por não tê-la amado mais, amei mais que pude
Mas foi tua lembrança que me disse eu devia prosseguir
Pois no dia vindouro, eu não iria impedir o sol de nascer
Não consideres estes versos palavras gastas, são apenas
Mosaicos das histórias pendurados nas paredes dos dias
Memórias quais plantei nas floreiras da janela lá de casa
Que agora nascem entre os girassóis com perfume e cor
Eu quis ficar em silêncio entre tudo que lembrava de nós
Mas tua lembrança, rosa companheira de espinhos cruéis
Obrigou-me mudar essa história nas noites intermináveis
E invés de calar-me contigo, me fez cantar o que fostes
Tua terna presença que nunca cairá no limbo do oblívio
Antes, será aquele solo de guitarra que tanto ouvíamos
Enquanto o sol despontava, em meio às flores do jardim
Por fim, este poema não é uma forma de te dizer adeus
Mas incansavelmente regar as lembranças de teu existir
Assinar:
Postagens (Atom)