Signos de Poesia e Insônia
Deitei-me
já meia noite e a cama transbordou insônia
Como
as páginas insones em branco querem a
caneta
É
assim que existo e resisto em surtos
de imaginação
Sou um poeta com hábitos
públicos, de porte varonil
Organizo
meu teatro, construo o
cenário, iluminação
Do
início ao fim, tudo sobre o tablado do cotidiano
Encho a mochila com
pensamentos, fecho os zíperes
Com violino na
cabeça, oboé no peito, flauta nos pés
Faço minha orquestra
para seguir o caminho trânsito
A
cada dia sigo contra o vento, sigo contra as marés
As palavras escritas
me trazem mais letras a escrever
É
o resumo taurino d’um pretérito mais-que-perfeito
Vez que não sou
perfeito, faço-me auxiliar de verbos
Sujeito oculto faço
de minhas orações subordinadas
E assim, construo a
vida com gesto, música e palavra
Posso
ainda dizer que sou um arqueólogo de sonhos
Que
vivem alguns nas sombras outros, porém, na luz
Um
manifesto de sangue, meu caminho sem amarras
Assim
vou articulando o poema, por tantas palavras
Pois o poema é um
ato de lucidez contra os silêncios
Jamais por moedas,
mas aplacar Vinicius a murmurar
Insuspeitamente,
todos
seus poemas aos meus ouvidos
Pois
o poema é o milagre do compasso, a vida e morte
Os sinos que repicam nas extremas memórias infantis
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