2126 - Lembranças do Amanhã
Passados cem anos que atitude esperar
diante do poema
Letras tão hábeis
outrora de arrancar
lágrimas e sorrisos
O que se pode oferecer se nem a cinco minutos
sabemos
Serei um gênio ou somente mais um entre
os esquecidos
Como a volúpia esmaecendo débil após o
transe do gozo
E nem porque mal redigido, na sua
conveniente estética
Posto que feito às
custas de sangue,
suor e de lágrimas
Mas porque nada
mais é durável
nas páginas da tal web
O poema será o cavaleiro, pois, despido
da sua montaria
Obrigado a caminhar
a pé todos os caminhos
do existir
Por onde caminharão
as gerações sem peitos maternos
Em nome de duvidosa estética que a
internet preconize
Sem o acolhimento de que o poema é sua
doce memória
Até quando fará sentido o sacudir de
punhos cerrados
E o violar do silêncio como só poema fora um dia capaz?
Acredito em ti que
“Bilac” sequer
tenha sido esquecido
Mesmo visitando há mais de cem as “Colombos”
da vida
Todavia sem os malditos ‘influencers’ e
‘blogueiros’ vãos
Sem os arautos do esquecimento e do
imediatismo fútil
Onde as asas de pássaro do poeta não têm
mais sentido
Nem o prodigioso cheiro de tinta do livro recém aberto
Vivemos um tempo de equilíbrio instável das fake-news
Estéril de emoções e afagos, pleno de
lágrimas e olvido
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