terça-feira, fevereiro 24

2126 - Lembranças do Amanhã

 
Passados cem anos que atitude esperar diante do poema
Letras tão hábeis outrora de arrancar lágrimas e sorrisos
O que se pode oferecer se nem a cinco minutos sabemos
Serei um gênio ou somente mais um entre os esquecidos
Como a volúpia esmaecendo débil após o transe do gozo
E nem porque mal redigido, na sua conveniente estética
Posto que feito às custas de sangue, suor e de lágrimas
Mas porque nada mais é durável nas páginas da tal web
O poema será o cavaleiro, pois, despido da sua montaria
Obrigado a caminhar a pé todos os caminhos do existir
Por onde caminharão as gerações sem peitos maternos
Em nome de duvidosa estética que a internet preconize
Sem o acolhimento de que o poema é sua doce memória
Até quando fará sentido o sacudir de punhos cerrados
E o violar do silêncio como só poema fora um dia capaz?
Acredito em ti que “Bilac” sequer tenha sido esquecido
Mesmo visitando há mais de cem as “Colombos” da vida
Todavia sem os malditos ‘influencers’ e ‘blogueiros’ vãos
Sem os arautos do esquecimento e do imediatismo fútil
Onde as asas de pássaro do poeta não têm mais sentido
Nem o prodigioso cheiro de tinta do livro recém aberto
Vivemos um tempo de equilíbrio instável das fake-news
Estéril de emoções e afagos, pleno de lágrimas e olvido
 
 

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