A Invenção do Mundo
Ontem sonhei e lembro reinventar o mundo só
para ti
Ocupas-me a memória tal hera ocupa muros no jardim
Um jardim onde quer eu olhe, vejo tua imagem a sorrir
Pois no mundo que inventei não há mentira ou maldade
Sequer há invernos e todas as estações são inventadas
Lá u’a andorinha solitária faz os verões mais
candentes
Pérola de meu sonho oculto iluminaste a
minha razão
Inventei tu e
eu a caminhar pelo campo na noite de lua
Só para admirar teu corpo de infindos vales e colinas
Foi somente pra nós que criei esse mundo todo novo
Onde as folhas
das árvores farfalham à brisa da tarde
E, caídas pelo
chão do parque, voam em redemoinhos
Da cabana à beira do lago, a fumaça branca vai ao céu
Junta-se em grupo e forma brancas nuvens ao meio-dia
No meu mundo tudo lembra de ti, nem carece
inventar
Caminhei até as cascatas douradas como teus cabelos
Colhi pra ti, um efêmero
buque de narcisos vermelhos
Retorno à cidade e todas calçadas ecoam
teus passos
Eles pisam na
minha direção, meus braços te esperam
Para te acolher,
se o céu em véu negro negar estrelas
E se mesmo o luar, por pura inveja de ti, não aparecer
Aqui não há
guerra, desamor, nuvens de tempestade
Meu mundo não chove, caem lágrimas felizes de te ver
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