sábado, fevereiro 28

A Invenção do Mundo

 

Ontem sonhei e lembro reinventar o mundo só para ti
Ocupas-me a memória tal hera ocupa muros no jardim
Um jardim onde quer eu olhe, vejo tua imagem a sorrir
Pois no mundo que inventei não há mentira ou maldade
Sequer há invernos e todas as estações são inventadas
Lá u’a andorinha solitária faz os verões mais candentes
Pérola de meu sonho oculto iluminaste a minha razão
Inventei tu e eu a caminhar pelo campo na noite de lua
Só para admirar teu corpo de infindos vales e colinas
Foi somente pra nós que criei esse mundo todo novo
Onde as folhas das árvores farfalham à brisa da tarde
E, caídas pelo chão do parque, voam em redemoinhos
Da cabana à beira do lago, a fumaça branca vai ao céu
Junta-se em grupo e forma brancas nuvens ao meio-dia
No meu mundo tudo lembra de ti, nem carece inventar
Caminhei até as cascatas douradas como teus cabelos
Colhi pra ti, um efêmero buque de narcisos vermelhos
Retorno à cidade e todas calçadas ecoam teus passos
Eles pisam na minha direção, meus braços te esperam
Para te acolher, se o céu em véu negro negar estrelas
E se mesmo o luar, por pura inveja de ti, não aparecer
Aqui não há guerra, desamor, nuvens de tempestade
Meu mundo não chove, caem lágrimas felizes de te ver

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário