O Sonho, o Voo e a Poesia
Não vim para escrever sobre um pássaro em seu voo
Nem sequer sobre esse voo e nem sobre esse
pássaro
Vim escrever sobre o vento que passa na
imaginação
Que vence a gravidade, que me leva
entre as nuvens
Escrever como
me sinto, um hino às memórias do voo
O voo do poeta se dá nas estradas
douradas do sonho
Sábio é o vento que não guarda memórias do caminho
Que só existe quando passa e em passando é
realidade
Colérica ou gentil. Ventar é uma das castas do sonho
E nem se pergunte se voar é dom ou vem do incógnito
De uma vasta superfície ornada de ondulantes
trigais
Sábio é o vento, pois reside no domínio da sabedoria
Sem julgamento, sem nada além de alçar o voo maior
De ordenar palavras tão simples e delas fazer poesia
Admirar qual criança, da areia da praia, a linguagem
Ver da praia um horizonte detrás de ondas cristalinas
O mar coalhado de invisíveis peixes de letras e sílabas
Que banha uma infinitude de sons chamada pronúncia
Escrever é qual fingir-se Deus, vida e morte na poesia
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