quinta-feira, julho 16

O Sonho, o Voo e a Poesia

 

Não vim para escrever sobre um pássaro em seu voo

Nem sequer sobre esse voo e nem sobre esse pássaro

Vim escrever sobre o vento que passa na imaginação

Que vence a gravidade, que me leva entre as nuvens

Escrever como me sinto, um hino às memórias do voo

O voo do poeta se dá nas estradas douradas do sonho

Sábio é o vento que não guarda memórias do caminho

Que só existe quando passa e em passando é realidade

Colérica ou gentil. Ventar é uma das castas do sonho

E nem se pergunte se voar é dom ou vem do incógnito

De uma vasta superfície ornada de ondulantes trigais

Sábio é o vento, pois reside no domínio da sabedoria

Sem julgamento, sem nada além de alçar o voo maior

De ordenar palavras tão simples e delas fazer poesia

Admirar qual criança, da areia da praia, a linguagem

Ver da praia um horizonte detrás de ondas cristalinas

O mar coalhado de invisíveis peixes de letras e sílabas

Que banha uma infinitude de sons chamada pronúncia

Escrever é qual fingir-se Deus, vida e morte na poesia

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