Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
sábado, setembro 11
quarta-feira, agosto 18
Morrer de Amar
Porque por vezes me dás essa sensação de abandono, que te falta?
Sei eu não espelho a perfeição, nem perto disso, nem o que espero
Eu queria aprender a velejar nas tuas leis, mas não te compreendo
É sempre esse silêncio em que só tu que falas, mas não me escutas
Permaneces distante mesmo presente, chegas no corpo não a alma
Mesmo que eu me reparta em tantos não me entendes em nenhum
Tenho um pomar nos meus versos, delicados tal o pêssego maduro
Intensos qual o rubro das amoras, doce como as cerejas que colhi
Por vezes, reconheço, azedos qual o maracujá e ainda são só teus
Mas é a tua ausência o caderno onde escrevo os poemas noturnos
Enquanto as flores fecham suas pétalas e reservam seus perfumes
Nessa longa espera, até que o novo dia e outra espera amanheçam
Cada manhã eu renasço na esperança que ao chegar venhas a mim
Pois a paixão mora em mim, bem fundo em meu coração alucinado
Dessa minha adolescência tardia, que fiz só para estar ao teu lado
Descansa esse lado pedra, que te quero flor, para regar não colher
Tira das costas o peso de ficar em guarda, eu me inventei só prá ti
Depois vem, que tenho fome de amor, corpo e alma, vamos brincar
Correr pelas campinas, de mãos dadas, deitar na relva e apenas rir
Seguir pelo rio, rumo ao mar onde, enfim, eu possa morrer de amar
segunda-feira, agosto 9
730 dias contigo
Como poderia eu imaginar que há dois anos atrás o amor venceria
Noites tão imensas em um coração desolado a lamentar o futuro
Recordo que quase te perdi nos planos opacos que o destino faz
Hoje te precipitas em meus sonhos dos quais retiro estas palavras
Qual se pudesse extrair da linguagem algo do que significas a mim
Quando estás distante, penso que não existes senão em meus olhos
E que te imaginar minha é só a forma de abstrair o mofo das horas
És o pão de toda a ternura que me resgatou dessa solidão feérica
Que me incendiou a carne e também a alma nas transversais do dia
És aquela que deita minha pena ao papel me resgatando do silêncio
Que retirou meu coração da sombra que vivia no varejo das horas
Fazendo o sol comparecer em mim no oásis que és meio ao deserto
Ao teu lado sou menino e me cego às dores de dias ácidos e febris
Ainda resistem na garganta resinas amargas que contigo se diluirão
Anseio te dar o que for o melhor de mim, do que a vida me ensinou
Dar asas à ternura para planar em tua direção nos ventos do amor
Que seja leve e brilhante como a brisa entre as árvores nas manhãs
Se não posso mais, recebe este poema, fruto do bem que quero a ti
Flor da minha primavera, perfume das minhas flores, cor do meu dia
sábado, julho 31
A descoberta da poesia
Assim um dia, descobri que posso
ver o que a foto não revela
A residir no horizonte interno, invernal e oculto pela
pálpebra
Tantos navios naufragados, deserdados neste poço de solidão
Ventos avaros, de um verão já distante,
solenes como ícones
Assim um dia, descobri que o mistério maior que eu já escondi
São fragmentos olvidados de mim, dos antigos silêncios carmim
Dos perfumes ociosos de jasmim, absolvidos de todo o pecado
Só por estarmos juntos, duas almas a habitar uma
só paisagem
Assim um dia, descobri que não se conhece da vida pela janela
Mas a imergir o império das esperas melancólicas dos domingos
Perscrutar nos porões que se velaram as mais
densas tristezas
Ouvir as vozes anônimas da verdade que
desafia nossa higidez
Assim um dia, descobri o poema, amigo ora
sublime, ora cruel
A retratar o martírio de quem se abandonou a sonhar o amor
Em vocábulos ceifados do peito, ancorados na folha de papel
Cristalinos como as auroras ou sombrios quais noites sem luar
O poema dilacera os mistérios da linguagem, santa ou meretriz
Fere de morte a inércia da língua e salta da
página ao coração
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