domingo, junho 7

Perdoar não é Calar

 

Quando regressar o inverno e a voz do sol silenciar

Restará em mim insurrecta a aspiração de escrever

Sobre um lugar azul, entre as verdades incógnitas

No meu espírito ainda reside o gérmen da rebelião

 

Imaginarei entre as palmeiras, insuspeito, um sabiá

E nas folhas de verde insípido agitadas pelo vento

Pássaros outros prontos para seu voo rumo ao dia

Na majestade do nevoeiro, iluminadamente cálidos

 

Se almejasse a derrota dos inimigos ou a sua morte

O que me levaria a um turbilhão de obscuro júbilo

Seria tarde demais enquanto escutasse seus gritos

Acreditar no beneplácito do sol que nasce a todos

 

Num mundo complexo, sem frias noções ancestrais

Não imagino que haja tempo certo para a vingança

Ainda sabendo que ficaram imunes às minhas dores

Que não me viram morrer, tantas vezes, a seus pés

 

Ao certo o perdão me traria exponencial satisfação

Depois do fim da angústia e o céu retornasse a azul

Perdoar, mas silenciar jamais, o poeta não se calará

Tal a vaca pasta conformada até que jaza na mesa

 

O poema será sempre fruto que a eles não apetece

Majestoso e desafiador quais os pássaros exilados

Voando entre os ramos das inconveniências alheias

Recordar-lhes-á que, ao final, o barqueiro é só ida

 

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