Perdoar não é Calar
Quando regressar o inverno e a voz do sol silenciar
Restará em mim
insurrecta a aspiração de escrever
Sobre um lugar azul, entre as verdades incógnitas
No meu
espírito ainda reside o gérmen da rebelião
Imaginarei entre as palmeiras, insuspeito, um sabiá
E nas folhas de verde insípido agitadas pelo vento
Pássaros outros prontos para seu voo rumo ao dia
Na majestade
do nevoeiro, iluminadamente cálidos
Se almejasse a derrota dos inimigos ou a sua morte
O que me levaria a um turbilhão
de obscuro júbilo
Seria tarde demais enquanto escutasse seus gritos
Acreditar no
beneplácito do sol que nasce a todos
Num mundo
complexo, sem frias noções ancestrais
Não imagino que haja tempo certo para a vingança
Ainda sabendo que ficaram imunes às minhas dores
Que não me viram morrer, tantas vezes, a seus pés
Ao certo o perdão me traria exponencial
satisfação
Depois do fim da angústia e o céu retornasse
a azul
Perdoar, mas silenciar jamais, o poeta não se calará
Tal a vaca
pasta conformada até que jaza na mesa
O poema será sempre fruto que a eles não apetece
Majestoso e
desafiador quais os pássaros exilados
Voando entre os ramos das inconveniências alheias
Recordar-lhes-á
que, ao final, o barqueiro é só ida
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