Maldade
Lembro de ti sorrindo
da janela, entre cachos dourados
Ainda vives em
minha mente, dissimulada, reconstruída
Não és mais a flor aberta ou os passos subindo a escada
Tampouco há no
ar o aroma de rosas dos dias de chuva
Nem dos jasmins que anunciavam a vinda de novo verão
És tão só a imagem vacilante d’uma estátua casual e fria
Que enfeita o meio do jardim, tomada por musgo e hera
Sem o acalanto de olhos brilhantes. Sigo o meu caminho
O vento agita a vegetação opaca do pó vindo das
ruas
Que também se espalha aos poucos na tristeza da tarde
Todas essas imagens são os embriões de um novo poema
Rude como de
hábito, sem todavia, olvidar a esperança
Obra destas mãos mortais, escuras da sombra de ontem
Germinando dos
contos que tu e eu olvidamos escrever
Passo a mão
por todos os anos velozes que se passaram
Repasso os dedos por entre as muitas histórias sórdidas
Ouço o ruflar das negras asas da noite e seus mistérios
Eu pergunto à minha razão onde estavam
o bem e o mal
Em nosso
romance impensado que esperei tocar o céu
Porém não percebi
o abismo de uma alma sem coração
Nenhum comentário:
Postar um comentário