Excertos d'uma Loucura Intrínseca
Meus manuscritos eu
os escondo sob o crepúsculo vespertino
Só os abro noite alta,
para assombro dos que não me aprovam
Nessa hora olho aos
céus e sob a luz intensa do véu de ozônio
Mergulho
nesse amplo vazio, meio a todas estrelas cintilantes
Que
parecem ampliar o céu sobre as pedras surradas do cais
Esquivo-me de túneis
do desassossego, rumo ao vértice diário
Esquivo
da agitação diurna da cidade, de hordas
decadentes
Meu tempo é qual nos filmes, corre num tipo de
câmera lenta
Alheio
a qualquer sucesso, fujo da mirada das
bocas ciciosas
Que têm o dedo em
riste, mas suas casas se trajam de
pobreza
Caminham
sob o sol escaldante onde já não voam as
cotovias
Ao dia eles vêm se manifestar, mas na noite nublada se calam
Finjo
que os desconheço, se acham reis, mas não têm súditos
Faço
os versos tal qual a mescla de tempestades e de sonhos
Frutos
d’uma vida ligeira, semeados na minha loucura intrínseca
Brotando
rubra entre as carícias, que só
a madrugada possui
Enquanto
espero o raiar do dia que ‘los güises’ já anunciaram
Meu
poema é chama
sólida, em meio à festa assídua do pensar
Que
eleva meus
altissonantes diálogos de criaturas noturnas
Na
infindável busca
da palavra perfeita a versos imperfeitos
Escondi meus manuscritos, voláteis, desses meus
repressores
Quando
despontar o sol candente nestas
longitudes zenitais
É
hora de pousar meus pássaros entre
as árvores de quimera
E
o poeta,
arlequim ou pensador, rabisca as últimas estrofes
Vendo-se pássaro
pousado na janela fosse ninho, não vidraça
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