Ode Aos Que Se Iludem
A solidão advém
a quem ama aquela que não deveria
Que ame então sua solidão, pois não pode reparti-la
Não basta a escolha de um nome em sua imaginação
Acreditando
que, por isso, o amor vai se materializar
Que a donzela de seus desejos surgirá
plena e altiva
Mas em verdade, estará aprisionando o seu coração
Viverá na solidão que só as noites de frio conhecem
Estenderá a mão e apenas o que encontrará é o vazio
Em vão se debaterá buscando entre os lençóis frios
Algum vestígio
que reste sob a chuva da madrugada
Peregrino solitário, caminhará por sombras absolutas
O caminho segue áspero e incerto, seja por onde vá
A ilusão é como a res malhada e dócil indo ao abate
Que insciente
do seu destino, segue a pastar em paz
Nos campos, o revoar da passarada é quase um sonho
O bar da esquina é o manancial de estórias
aos poetas
Eu idealizava meus poemas numa mesa perto da
janela
De onde podia ouvir
a brisa a farfalhar as folhagens
Alguém me oferece uma taça de vinho tinto barato
Sem rótulo e tão humilde qual fosse um franciscano
Reconheço-o o personagem
triste, iludido e solitário
Que segue uma das mulheres da taberna com o olhar
Enquanto o vinho lhe enche o espírito de esperanças
Filha da noite e do desamparo, sei é a ela que
ele ama
A cúmplice da solidão que o abraçará pela alvorada
Eu, sigo qual última sentinela da noite a
colher frutos
Entre os transeuntes do bar neste
outono de “el niño”
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