sábado, abril 18

Ode Aos Que Se Iludem

 

A solidão advém a quem ama aquela que não deveria

Que ame então sua solidão, pois não pode reparti-la

Não basta a escolha de um nome em sua imaginação

Acreditando que, por isso, o amor vai se materializar

Que a donzela de seus desejos surgirá plena e altiva

Mas em verdade, estará aprisionando o seu coração

Viverá na solidão que só as noites de frio conhecem

Estenderá a mão e apenas o que encontrará é o vazio

Em vão se debaterá buscando entre os lençóis frios

Algum vestígio que reste sob a chuva da madrugada

Peregrino solitário, caminhará por sombras absolutas

O caminho segue áspero e incerto, seja por onde vá

A ilusão é como a res malhada e dócil indo ao abate

Que insciente do seu destino, segue a pastar em paz

Nos campos, o revoar da passarada é quase um sonho

O bar da esquina é o manancial de estórias aos poetas

Eu idealizava meus poemas numa mesa perto da janela

De onde podia ouvir a brisa a farfalhar as folhagens

Alguém me oferece uma taça de vinho tinto barato

Sem rótulo e tão humilde qual fosse um franciscano

Reconheço-o o personagem triste, iludido e solitário

Que segue uma das mulheres da taberna com o olhar

Enquanto o vinho lhe enche o espírito de esperanças

Filha da noite e do desamparo, sei é a ela que ele ama

A cúmplice da solidão que o abraçará pela alvorada

Eu, sigo qual última sentinela da noite a colher frutos

Entre os transeuntes do bar neste outono de “el niño”

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