sexta-feira, julho 17

A Teoria Infundada das Almas Gêmeas

 

Caminho só pelas ruas e pensamentos me aturdem

Sobre mim, um céu acinzentado de nuvens escuras

Caminhar assim me aguça memórias mais distantes

Descubro que nem bem recordo como te conheci

Chego a preferir pensar te conhecer desde sempre

Como se fizesses parte do âmago desta minha vida

A mente racional repugna a ideia, forço a memória

Mas ser quem tu és, tão homogênea nos meus dias

Chego a criar a tese que foste criada só para mim

Mas te revelaste na noite do céu azul mais profundo

Sob mil estrelas em minha tresloucada imaginação

Atrevo-me a arriscar descobrir outras lembranças

Logo me surgem teus olhos, tais esmeraldas verdes

Que me fitavam quando te tocava e fazíamos amor

Senti um calafrio como entrasse n’outra dimensão

Nem sei como aceito tais imagens tão vivas em mim

A dor que sinto faz tão difícil equilibrar a respiração

Posto que sei que nada disso reside no mundo real

O contra-argumento de toda essa tese é que foste

E não mais voltaste, gravando em negro meu existir

Mas eu sigo aqui na noite e tento me asilar da dor

Imaginando que numa esquina o tempo volte atrás

E uma luz se irradie, mostrando o sorriso que via

Quando o mundo sabia amanhecer ao fim do amor

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