A Teoria Infundada das Almas Gêmeas
Caminho
só pelas ruas e pensamentos me aturdem
Sobre mim, um céu
acinzentado de nuvens escuras
Caminhar
assim me aguça memórias mais
distantes
Descubro
que nem bem recordo como te
conheci
Chego
a preferir pensar te conhecer desde sempre
Como
se fizesses parte do âmago desta minha vida
A
mente racional repugna a ideia, forço a memória
Mas
ser quem tu és, tão homogênea
nos meus dias
Chego
a criar a tese que foste criada só
para mim
Mas
te revelaste na
noite do
céu
azul
mais profundo
Sob mil estrelas em
minha tresloucada imaginação
Atrevo-me a arriscar
descobrir outras lembranças
Logo
me surgem teus olhos, tais esmeraldas verdes
Que
me fitavam quando
te tocava e fazíamos amor
Senti
um calafrio como entrasse n’outra
dimensão
Nem
sei como aceito tais imagens tão vivas em mim
A
dor que sinto faz tão difícil equilibrar a respiração
Posto
que
sei que nada disso reside no mundo real
O
contra-argumento de toda essa tese é que foste
E
não mais voltaste, gravando em negro meu existir
Mas
eu sigo aqui na noite e tento me asilar da dor
Imaginando
que numa esquina o tempo volte atrás
E
uma luz se irradie, mostrando o sorriso que via
Quando
o mundo
sabia amanhecer
ao fim do amor
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