Dúvidas noite afora
Não sei se te
convido a dançar ou te peço que cales
Sob a chuva
deste dia de inverno que anoitece cedo
Tu emudeceste os pássaros nesta viagem sem retorno
Meio à brisa que balança as folhas do velho carvalho
Afinal é noite e não sei se te visto ou se te desnudo
Na meia luz desse aposento cheio
de silêncio antigo
Que inunda minhas pupilas, agora ébrias de lágrimas
Olho tuas formas curvilíneas, tua cintura de violino
Espero-te e não sei se chegarás cedo ou te atrasarás
Enquanto navego
na nau da espera pelos horizontes
O céu vem, pleno
de estrelas cintilantes, iluminar-se
Como o relâmpago azul no doce luzir dos teus olhos
Não importa
que venhas brevemente e depois te vás
Importa é a música de tua passagem ficar
na memória
Esse solo
lento de guitarra tatuado na nossa história
Enquanto minha mão toca a lua suspensa para te dar
Sei que é tua, essa voz que me chama p’la noite afora
Dizendo que
regressou por mim e pede que te toque
Assim, oculto pela névoa, sinto tua pele sob os dedos
Mas o faço nos
meus sonhos para ninguém descobrir
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