sexta-feira, junho 19

Dúvidas noite afora

 

Não sei se te convido a dançar ou te peço que cales

Sob a chuva deste dia de inverno que anoitece cedo

Tu emudeceste os pássaros nesta viagem sem retorno

Meio à brisa que balança as folhas do velho carvalho

 

Afinal é noite e não sei se te visto ou se te desnudo

Na meia luz desse aposento cheio de silêncio antigo

Que inunda minhas pupilas, agora ébrias de lágrimas

Olho tuas formas curvilíneas, tua cintura de violino

 

Espero-te e não sei se chegarás cedo ou te atrasarás

Enquanto navego na nau da espera pelos horizontes

O céu vem, pleno de estrelas cintilantes, iluminar-se

Como o relâmpago azul no doce luzir dos teus olhos

 

Não importa que venhas brevemente e depois te vás

Importa é a música de tua passagem ficar na memória

Esse solo lento de guitarra tatuado na nossa história

Enquanto minha mão toca a lua suspensa para te dar

 

Sei que é tua, essa voz que me chama p’la noite afora

Dizendo que regressou por mim e pede que te toque

Assim, oculto pela névoa, sinto tua pele sob os dedos

Mas o faço nos meus sonhos para ninguém descobrir

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