Para Ser Dono dos Caminhos
A sombra
assoma meus olhos, solidão desabitada pelas estrelas
A imagem da
amada permanece na lembrança entre assombros
Os cães ladram
na distância, tão longa quanto o primeiro beijo
O mundo
cotidiano é amargo, a jornada dói neste peito ferido
Como as papoulas feridas no crepúsculo dos ventos invernais
Queria ser o
pássaro que se esquiva dos cadeados dos tempos
O conhecimento é uma herança profusa de espinhos selvagens
E assim sigo
de memória em memória a me queimar por dentro
Fazendo-me
renovado a cada entrega, quando o céu fica azul
Derramando as tintas sobre o papel sem orgulhos ou
soberba
Meu poema é o que nomeia, o que me faz acreditar na beleza
Como uma singela dança de borboletas ao amanhecer na relva
Remanesce no
sonho uma mescla rara de teu cantar ancestral
Qual a voz dos anjos na brisa esquiva pelas árvores do bosque
Enquanto a
aurora se aproxima lenta para evaporar o orvalho
Antes que o sol se anuncie para dissolver a névoa dos ninhos
Escrevo para me lançar em voos maiores, adquirindo a noção
De como fazer espirais pelo céu,
poder mergulhar nas nuvens
Pois quero
crer não estou sozinho nos subterrâneos da noite
Escrevo meu livro dos dias, meu próprio caminho das pedras
Tenho um presságio que voltarei a te
encontrar pelas veredas
Para chegarmos num lugar que o tempo não valha uma
moeda
E cada segundo
ao teu lado demore uma eternidade a passar
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