segunda-feira, setembro 14

Para Ser Dono dos Caminhos

A sombra assoma meus olhos, solidão desabitada pelas estrelas

A imagem da amada permanece na lembrança entre assombros

Os cães ladram na distância, tão longa quanto o primeiro beijo

O mundo cotidiano é amargo, a jornada dói neste peito ferido

Como as papoulas feridas no crepúsculo dos ventos invernais

Queria ser o pássaro que se esquiva dos cadeados dos tempos

O conhecimento é uma herança profusa de espinhos selvagens

E assim sigo de memória em memória a me queimar por dentro

Fazendo-me renovado a cada entrega, quando o céu fica azul

Derramando as tintas sobre o papel sem orgulhos ou soberba
Meu poema é o que nomeia, o que me faz acreditar na beleza

Como uma singela dança de borboletas ao amanhecer na relva

Remanesce no sonho uma mescla rara de teu cantar ancestral
Qual a voz dos anjos na brisa esquiva pelas árvores do bosque

Enquanto a aurora se aproxima lenta para evaporar o orvalho

Antes que o sol se anuncie para dissolver a névoa dos ninhos

Escrevo para me lançar em voos maiores, adquirindo a noção

De como fazer espirais pelo céu, poder mergulhar nas nuvens

Pois quero crer não estou sozinho nos subterrâneos da noite

Escrevo meu livro dos dias, meu próprio caminho das pedras

Tenho um presságio que voltarei a te encontrar pelas veredas

Para chegarmos num lugar que o tempo não valha uma moeda

E cada segundo ao teu lado demore uma eternidade a passar

 

 


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