terça-feira, setembro 15

Uma Cicatriz Indelével

A hora chega e caminhastes sem cerimônias, sem adeus
Pois o amor não se despede, senão nossos corpos vazios
Onde residirão tantas lembranças de tudo que passamos
Não reside no abraço que nem fora dado, no aceno frio
No entanto aí está, circulando com o sangue pelas veias
Na imagem que, pela última vez, se afasta até esmaecer
Observo os corredores inabitados, me são tão sombrios
Uma música resiste como alguma semente inconsciente
A revelar toda uma história qual se semeou no passado
Sento à beira de tua lápide, onde verto grossas lágrimas
Levaste tudo contigo, nossas manias e a nossa loucura
Coisas que só a nós teriam sentido e doem tal cicatrizes
Recordo do despertar atônito, a voz árida a me noticiar
Uma voz sem dignidade, sem harmonia, sem compaixão
Ninguém por testemunha, ora devo viver a tua ausência
É como se o tempo enfim mostrasse, não há eternidade
Essa verdade que queremos negar, visão da fragilidade
O lento verdor, que imaginamos arquitetura inacabável
Não há nada de perpétuo, o convite só vale para entrar
Nossa visão de vida é algo primitiva, curta e não vemos
O teu nome ressoa na minha solidão, nas asas partidas
Sempre houve um plano, mas não posso ouvir silêncios
Sigo eclipsado de tua presença, sob um sol sem brilhar
As palavras não explicam as distâncias no meu interior
Contudo as escrevo, imaculadas, num parêntese de mim


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