Aviso ao Jovem Poeta
Um atônito despertar
e o tempo é teu juiz implacável
Escreve tua
biografia, teu epitáfio, não ocultes nada
Olha à tua volta e descubras quais são teus inimigos
A essência do
que te move, o que no âmago tu temes
Descubras o
que te paralisa e o que pode impulsionar
A vida é breve e deves, desde
cedo, tomar as rédeas
O supremo perigo não está apenas oculto nas trevas
Jovem poeta,
toma tua caneta e incendeia as paginas
Que no teu poema não haja versos explícitos demais
Ao mesmo tempo que não ocultes nada que importe
Derrames toda tua loucura, lucidamente, sem paixões
Sem
indiferença, mantenhas dignidade
antes de tudo
Tenhas na música a semente, no perfume o
fertilizante
Nas cores um estímulo, mas na luz tenhas teu norte
Que teus versos não sejam nem pétreos ou inflexíveis
Todavia, dizes permanentemente a tua única verdade
Não escrevas a soldo ou para agradar quem quer seja
Preserves, defendas, conheças teu idioma, tua língua
Mas jamais deixes de inventar, experimentar do novo
Mantenhas teus versos em movimento, não estáticos
Ser poeta não é um dom, antes é esforço e empenho
Que na tua
boca permaneça a consciência, o verdor
Contudo, e mais importante, é não permitir o
silêncio
Que é a mortalha de qualquer poesia, um
túmulo enfim
Ao jovem poeta cabe manter viva a chama e a rebeldia
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