Quando escrever é fazer mágica, sou um mago; quando é transformar, sou alquimista; quando for dominar mistérios, sou bruxo. Vim transformar sentimentos em palavras e vice-versa. Os poemas falam de imagens, sentimentos e sonhos. Tudo se passa na vida real ou na surreal. Ao lê-los tenha atenção ao que está oculto nas entrelinhas. Deixe que os versos te levem onde o vento soprar. A musa de meus poemas é a vida. Estejam atentos, pois as palavras são metade de quem escreve e metade de quem lê.
terça-feira, setembro 30
terça-feira, setembro 23
Inocência
Eu ouvi que a vida é breve e é nada mais que um
delírio
Com sua graça de
rosto de mulher sendo apenas destino
Que a loucura nos segue, mordiscando nosso
calcanhar
Que fingimos esperança para escapar da sórdida
morte
Mas eu, amante
e escritor, canto ora amor e ora oblívio
Em forma de poema, um pacto de dor, sussurros e beijos
Com o quê impeço os silêncios, nessas palavras deixadas
Sobre as pedras do caminho, canções
para serem livres
A noite acendo
velas, conecto sentimentos tão íntimos
Reinvento amor
do que seriam solidões quase imêmores
Na sua essência mais imaterial, quase fosse um estigma
Reanimo a volúpia, faço acender um novo elo de
fogo
Acima o céu de um azul profundo, hibrido de estrelas
Adiante o horizonte distante que funde o céu à terra
Ancorado às cinzas da eternidade completo os ciclos
Tento não cair outra vez na amarga ilusão de acreditar
As veias pulsam não por aguardar um dia de juízo final
A buscar no espaço onde haveria um lugar imaginário
Onde nada é
secreto, nem infinito no universo paralelo
O homem vive em seu abandono, ao perder
a inocência
quarta-feira, setembro 17
Girassóis
A solidão passeia seus véus na chuva de primavera
A água flutua desgarrada em mil gotas de espanto
E na beira do precipício dos meus olhos, a lágrima
Desgarra,
mergulha no vazio que a separa da terra
Qual um dia pudemos
esquecer, o mundo não para
Mas o
imutável, deixou-me um amargo na garganta
Ah, nós éramos heróis na fortaleza da madrugada
Então veio o sol e desnudou que nos pertencemos
Teu nome
escrito na floresta ora escorre pela rua
Na parede que dividiu a vida numa infinita solidão
A ruminar dores neste reino de pássaros sem asas
Não importa
estar cego, já que tudo restou cinza
O inverno trouxe a nudez das uvas em duas taças
Cheias de inútil vinho, o qual jamais iremos tomar
A falta da tua imagem deixou meus olhos silentes
Neste viveiro sem flores sobram portas sem chave
A ausente
fragrância de tua existência, calou-me
Já nem lembro a canção em francês que cantavas
De toda
ausência, restou o prazer de ter sido teu
Ser o teu
menino dos jogos só para te fazer sorrir
Ora sei, somos
mais pó que duas estrelas perdidas
Ocupamos uma
herdade de sonhos não realizados
Hoje sigo tua
lembrança qual quem já seguiu o sol
Assombrado da
certeza que não eram os girassóis
Verso Caído
Perdoe-me se este verso noturno saltou no papel
Antes que eu pudesse evitar, sim lutei
para evitar
Posso jurar que já te esqueci, tua foto já rasguei
Nem imaginei escrever nenhuma palavra
proibida
Eis que me faltam as melhores para te descrever
Quase pensei em rimar amor e dor ao falar de ti
Pois a vida negou-se a seguir,
tatuando-me a alma
Porém eu deixei partes em branco, qual silêncios
Feitos de nuas palavras há tanto impronunciadas
Que deixei em signos enterrados na areia do mar
Sem mapa algum para não os pudesses encontrar
Perdoe se aquela águia cativa partiu qual sonho
Revoada que te revelou, adivinhou, enfim
calou
Então fecha os olhos, já não há cheiro de maçãs
Ouve um último lamento, escrito em
clave de fá
Na dança do fogo, o som triste do oboé
em mim
Imagina que tudo o que abdicamos pelo
caminho
Repouse nas raízes da árvore d’um outro futuro
E que cujos
frutos não estarás aqui para provar
terça-feira, setembro 16
Catedrais
Do que se
fazem as palavras que compõem o poema
Terão a mesma matéria de carne e sangue do poeta
Qual o destino terão depois de escritas, aonde irão
Acompanharão quem as leu, nos lumes da memória?
Quiçá as palavras
nos sigam ocultas no pensamento
E irão ecoar nossos versos, como
marcas indeléveis
Imagens sem olvido que, de fato, nem sabemos bem
Serão as notas musicais da canção que
não se cala
Todas emoções,
sentimentos que irão à eternidade
Morrem e renascem à flor da pele, possíveis ou não
Vencem o limite de onde não se tinha certeza iriam
Apenas acontecem sem que alguém as
possa evitar
E onde irão as palavras que se calou? Diluir-se-ão?
Dissolver-se-ão na rua escura de amargos regressos
As vozes vazias morrerão na soleira d’alguma porta
Onde nos aguardará no final dos sonhos
realizados
Mas
a palavra certa faz tudo acontecer diferente
Mistérios decifrados, a primavera a
suceder o frio
A incerteza da aridez mitigada nos
braços da água
É o arco que impulsiona a flecha ao
alvo do desejo
O poema é a palavra qual a onda, que na
rocha bate
Ao invés de morrer, constrói em espuma, catedrais
segunda-feira, setembro 15
Poema Quântico
Dos versos
despontando palavras de quânticas esperanças
Levanta-se a nuvem de fumaça e a
multidão grita pela rua
Um grito glacial encerra um quadro de
imagens desmedidas
Dúvidas
violentas rondam os homens comuns nas esquinas
Árvores começam verdosas os dias que
vêm do desespero
Uma
estátua de sal surgiu na praça sob olhares incrédulos
O jornal mente sobre os feridos
e ninguém sabe nada além
Rostos impotentes
em seus cornos, começam o dia alheios
O criador poderia ter criado o céu, os
campos e os mares
Mas sem bíblias, vedas ou
alcorões e sem nenhuma guerra
Na sombra do medo de errar, resulta nosso maior
fracasso
Estão no meu cérebro, os delírios, os acertos e minha
selva
A nua
insistência de caminhar seguindo sempre em frente
Apesar das instituições e dos seus cordéis
de marionetes
Olvidar um comando que nos
manda jogar de Caim e Abel
Ser um poeta quase mitológico, possuído só por
si mesmo
Ser a pessoa como se é, embora disso
venha uma tristeza
Quando se termina de fazer amor e logo é preciso partir
quarta-feira, setembro 10
Hino à Independência II
A
mão estendidaPalma
acimaNada
mais tristeMão
humilhadaVoz
silenciadaNegro
centavoCinzento
pãoOnde
se faráCerrada
mão Punho verticalMastro
orgulhosoFilha
da revoltaVoz
incontidaBela
flâmula ígneaSangue
que escorrePela
verdadePelo
verde amareloPela
Pátria Livre
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